segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Persona /Máscaras


Por Rosangela Brunet, in Arte & Psicologia



Personas São Como Vestes ou como máscaras
Em sociedade, é importante desenvolvermos nossas personas assim como um ego adequado para que possamos nos relacionar com o coletivo. Devemos ter em mente, a necessidade dessa exigência, não deixando de lado, porém, aquilo que realmente somos. "Temos de descobrir que usamos nossas vestimentas representacionais para proteção e aparência, mas que também podemos nos trocar e vestir algo mais confortável quando é apropriado, e que podemos ficar nus em outros momentos. Se as nossas vestes grudam em nós ou parecem substituir a nossa pele é bem provável que nos tornemos doentes" (Whitmont, p.140).
( BOLETIM CLÍNICO - número 20- julho/2005 - PUC-SP)

Aproveitando o carnaval ,gostaria de falar sobre um tema muito importante; as máscaras que utilizamos para lidar com a vida.  Persona= máscaras. A persona é essencial para o ego defender o sujeito. O problema é quando essas máscaras (personas )viram pele

Persona é um termo grego que Jung introduziu em sua obra que gerou a palavra personalidade e que pode ser chamada de máscara. A persona é a forma como nos apresentamos
No teatro grego a persona era uma máscara que se usava como recurso para que os atores gregos , em encenações das tragédias ou comédias pudessem mudar seu personagem. PERSONA também é um arquétipo , que é uma predisposição psíquica universal que estrutura experiências, comportamentos e formas sociais de adaptação ao meio.

Aproveitando o carnaval esse termo nos remete às máscaras que são usadas. Alexandre F.. Corrêa diz :" `Persona`- Carregamos em nosso cortejo, os nomes, as máscaras, as insígnias... que nos singularizam... brincar ou brigar na folia"

Carl Gustav Jung fala da persona de uma forma que podemos fazer uma analogia com as máscaras/fantasia que utilizamos no carnaval, as quais revelam atitudes , demonstrações mais exagerada e externas do sujeito se apresentar nessa época

Podemos observar aqueles comportamentos mais escondidos que aparecem junto com a fantasia, vemos os afetos que nascem e apontam para complexos inconscientes.

As máscaras ajudam a representar sistema de idéias que fora condicionado pela sociedade e pela tradição, mas que podem ter sido rejeitado ou aceito pelo sujeito e pelo social

Ou seja, a Persona é arquétipo que podemos dizer, que na nossa prática diária usado pelo ego para a adaptação social.
Esse processo é doloroso e complexo,.Por isso, gostaria de deixar um texto que li hoje   e gostei muito, pois reflete essas nuances e complexidade no momento em que estamos passando por um processo de despertamento, individuação, autoconhecimento, busca do nosso verdadeiro Eu. 
Pode levar muito tempo até que possamos resgatar a nós mesmos da história que tivemos. É preciso tempo para poder re-escrever: aprender a incluir sem se deixar invadir; a excluir sem excluir a si mesmo. Ou ao outro. A dizer sim e não, separadamente e conjuntamente. Os processos mais necessários, aqueles que são fundamentais porque fundadores da nossa existência verdadeira no mundo precisam de tempo. Enquanto caminhamos, vamos descobrindo e resgatando pedaços de memórias que nos colonizavam, vamos entendendo o que não podíamos entender. Vamos aceitando mais e melhor o que pode e o que não pode ser feito, falado, pensado, sentido, mudado. Mas, acima de tudo, descobrimos que há algo em nós que não precisa ter pressa. Está lá, sempre esteve lá. Nossa alma espera pela gente. Espera que nos curemos. Espera que aprendamos a crescer para dentro. Uma vida são suturas. "  Evelin Pestana, psicanalista (1)


Sendo assim, a máscara deve ser entendida não somente como uma forma de defesa do ego, de magia, mas como essencial representação  de nossa identidade.

A  experiencia  da construção das máscaras acontece á partir do arquétipo Persona, e se inicia desde a infância. A Persona  , em sua existência,  possibilita o diálogo com  nossos “outros”  internos que nos habitam, nos permitindo tomar consciência dos  papéis que precisamos desempenhar  na vida
Segundo ARCURI, 2004, " ao dialogar com nossos personagens internos, entramos em contato com aspectos não reconhecidos da psique, ampliando assim, a percepção de si-mesmo e “abrindo espaço para a troca com o outro dentro e fora de nós”
Enfim, as máscaras estão intimamente ligadas ao inconsciente, pois o que não é revelado, visto e aceito, é projetado nas relações com o outro externo, pois não há consciência desses outros internos que nos habitam

"Ao vivermos na inconsciência, na escuridão do lado de dentro das nossas máscaras, não compreendemos os mecanismos pelos quais passamos. Ao nos apropriarmos de um saber maior sobre nós mesmos por meio do autoconhecimento, seja na psicoterapia ou em trabalhos vivenciais, passamos a compreender os diversos mecanismos que utilizamos como forma de defesa, como o da projeção, por exemplo, podendo, desta forma, nos tornar seres mais responsáveis por nossos comportamentos e atitudes." (Lilian Meyer Frazão)

Fontes Bibliográficas

(1) Casa Aberta, Evelin Pestana :https://www.facebook.com/casaaberta.art.br/?__tn__=%2Cd%2CP-R&eid=ARC09xuTN61U0hC2IcBG27NUVN2_bJwNQi5H9lz--p08A-WrCRfEcwKpYmsJ2SGKDBuN2OxrfLAMf9yg

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

As Relações Interpessoais no Trabalho

Por Rosangela Brunet

A interação que ocorre entre o indivíduo e o ambiente de trabalho tem influencia na motivação.,pois as relações se baseiam em reciprocidade e influencia mútua.Por isso, a forma em que as organizações tratam seus membro , os tipos de estruturas de poder e autoridade utilizados e as normas e valores que atuam simultaneamente afetam o comportamento e a motivação dos funcionários(...) a interação entre indivíduos e uma organização é um processo de intercâmbio dinâmico e bidirecional ”*



Em todas as relações há uma contrato não dito. Dentro das organizações não é diferente. Há entre o indivíduo e a organização um contrato implícito, não dito, mas muito influenciador de comportamento. É o que se chama de “Contrato Psicológico”. Neste contrato há uma ligação não-formal, mas real, que tem a ver com as expectativas entre ambos .Organização e indivíduos.Este contrato é um fator importante na motivação do funcionário.Alguns exemplos de contrato são: as chamadas” rendas psicológicas”, as quais podem ser : satisfação no trabalho, expectativas de trabalho desafiantes,acreditar no funcionário, dar a ele chance de desenvolver talentos, e vencer desafios, fazê-lo participar de projetos como uma agente ativo.,tratamento imparcial ser tratado de forma justa,etc...
Nesse meio caminho de relações dentro das organizações e até mesmo nas relações interpessoais, um fenômeno importante  tem chamado minha atenção: o uso exacerbado da Meritocracia.As  relações humanas tem sido comprometidas  por este sistema.
Meritocracia vem do latim " mereo, merecer, obter", Tem á ver com a forma de conduzir uma relação,um governo,um grupo ou uma instituição  baseado em mérito. O status que você adquire e as posições hierárquicas são conquistadas  , em tese, com base no merecimento,no valor profissional , e obviamente isso esta relacionado a  valores associados à educação e   competência.Nas relações trabalhistas esta é uma variável importante no trabalho de equipe,mas se torna prejudicial se ela se tornar o único fio condutor de  relacionamentos ou contrato.
Em geral, este sistema se encontra   nas relações de forma implícita ou explícita. É um sistema de recompensas e troca por mérito que acaba por engessar a forma de pensar de uma sociedade e passa a ser uma cultura organizacional,  e acaba penetrando na vida pessoal de tal forma que se torna parte da cultura desta sociedade. Com o tempo você ensina teus filhos que você tem o que merece,ou trabalhou para obter o que possui .É uma ideologia  muito comum desde a época dos nossos ancestrais. Pode parecer justa e legítima,mas atualmente é responsável por verdadeiras "geleiras" emocionais.Antes se trocava mercadorias,depois passamos a trocar moedas, inventamos a troca de favores até chegar a troca dos cargos políticos . Até as relações afetivas ficaram contaminadas por essa cultura. Mas o fato é que não se pode trocar o amor.Amor não se troca. Acho que é nesse viés que estamos nos equivocando

*James.l.Bowdtch e Anthony F.Buono, in Elementos de Comportameno Organiizacional.pag 54

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Espontaneidade na Modernidade

Por Rosangela Brunet


"ser espontâneo é responder adequadamente a novas situações, ou dar novas respostas para situações antigas" ( J. L. Moreno)
Obra de Mario Hugo
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre essa perda de vitalidade e espontaneidade no homem moderno, pois este fenômeno tem causado impacto na sua vida cotidiana, proporcionando uma falsa noção de prazer e liberdade.Quando falo de espontaneidade me refiro a perda de um viver no mundo que ultrapassa as vertentes da superficialidade. Espontaneidade é a capacidade de viver equilibrado e em harmonia consigo mesmo e com o mundo.

O homem moderno vive num baixo grau de vitalidade.Ele acha que o tempo para diversão ,prazer,crescimento e aprendizagem é a infância e a juventude, e abdica da vida espontânea quando atinge a maturidade. Parece haver perdido toda capacidade de sentir e de se expressar direta e criativamente. Ele é muito bom falando em problemas, mas pouco sabe lidar com eles. Reduziu a vida a uma série de exercícios verbais e intelectuais. Pouco sabe da verdadeira vida criativa. Fritz Perls [1]
O Homem moderno é um indivíduo preso às demandas sociais.Ele não aprendeu a ser espontâneo .Ele pouco saber o que realmente é importante para ele. Perdeu a capacidade de percepção acurada..Não sabe diferenciar necessidade , desejo e sonho. Investe pouca energia na ação espontânea e a substitui pelos apelos consumistas .Sua energia esta mais voltada para a fantasia do que para a realidade.se distanciou do contato com o outro e se paralisou em seu mundo interior .Não põe mais o pé no chão, não brinca mais de Pique-esconde.Não senta para conversar.é um homem sofisticado dentro de uma prisão.
O homem tem medo de sua espontaneidade. Seus antepassados da selva temiam o fogo: temeram o fogo até que aprenderam a acendê-lo. Do mesmo modo, o homem temerá viver apelando à sua espontaneidade até que aprenda a provocá-la e a educá-la."Jacob Levy Moreno
Ao longo da vida, o adulto vai perdendo a capacidade de perceber o mundo na medida em que os sentidos começam a serrem comprometidos. E, essa impossibilidade de uma percepção acurada do meio externo e de si mesmo esta diretamente ligada a falta de espontaneidade . O individuo que foi se socializando vai tentado se equilibrar entre seus desejos,necessidades e as demandas sociais .O grande desafio do homem moderno é encontrar esse equilíbrio entre a satisfação de suas necessidade e as demandas sócias.
Ao longo da vida, o adulto vai perdendo a capacidade de perceber o mundo na medida em que os sentidos começam a serrem comprometidos. E, essa impossibilidade de uma percepção acurada do meio externo e de si mesmo esta diretamente ligada a falta de espontaneidade . O individuo que foi se socializando vai tentado se equilibrar entre seus desejos,necessidades e as demandas sociais .O grande desafio do homem moderno é encontrar esse equilíbrio entre a satisfação de suas necessidade e as demandas sócias.
Carl G. Jung (1980, p.g. 20) disse: "O excesso de animalidade deforma o homem cultural; mas o excesso de cultura cria animais doentes.”
Não podemos viver somente em função de nossos instintos,mas também nos tornamos doente se negamos aquilo que somos em prol das demandas sociais.Precisamos funcionar de forma equilibrada para que não nos tornemos animais irracionais, e nem pessoas adoecidas e incapazes de exercer sua função no mundo.
A sociedade e a cultura são variáveis que precisam ser levadas em conta neste processo de reflexão.Os hábitos adquiridos e a aprendizagem social podem servir como "hipnose cultural", e se tornar um perigo para a auto realização ,integração e satisfação de uma pessoa. Se não estivermos atentos, seremos como robôs comandados e destituídos da capacidade de pensar.
Levando em conta que o indivíduo existe em função do seu meio, a capacidade de fazer contato e fuga em relação a esse meio é outro fator essencial e determinante de sua saúde mental. A modernidade afastou o indivíduo do contato consigo mesmo e super valorizou o contato com o meio .E, isso infringe a lei da natureza, pois segundo Jung o homem dever viver de forma dinâmica e harmonizada entre o movimento de reclusão e expansão. Viver tempo demais em expansão ou em reclusão é um sinal de perigo no que se refere a saúde mental. Por isso, Fritz Perl diz que “Nem todo contato é saudável, e nem toda figa é doentia.”
A fuga nem sempre é um sintoma neurótico. Há um fenômeno necessário para a saúde mental: o processo de expansão e recolhimento . A primavera chega depois que o inverno se foi . A noite existe para dar lugar ao dia.Assim também , uma pessoa precisa saber a hora de estar em contato com o meio e consigo mesmo. Este individuou deve se responsabilizar pela busca e pela escolha do objeto que o satisfaça ou que o afaste da dor. Se o indivíduo não consegue encontrar no meio este objeto de desejo adequado ou de alívio, se ele leva tempo para discernir o tempo adequado que deve estar em contato com o meio , e o tempo certo de sair de perto de alguma situação que o ameace é sinal de este indivíduo esta num processo de auto-regulação comprometido.A fuga é um processo que requer três pergunta s para se saber se ela é patológica ou não: Fuga de quê, para quê e por quanto tempo.
O contato com o meio ou com algum objeto , por si só ,não é bom nem mau.O tempo , a razão e o tipo de objeto é que vai determinar se o contato é saudável ou não.
Segundo Fritz Perls se o indivíduo “não pode decidir por si mesmo quando participar e quando fugir porque todas as suas vivências inacabadas de sua vida, todas as interrupções do processo contínuo, perturbaram seu sentido de orientação e ele não é mais capaz de distinguir entre objeto ou pessoas do meio que tenha uma catexis positiva e os que tem uma catexis negativa ;não sabe como ou do que fugir.Perdeu a liberdade de escolha, não pode selecionar meios apropriados para sues objetivos fiais porque não tem a capacidade de ver opções que lhes estão abertas.”
Por isso, a criança é o modelo mais próximo de referência que posso utilizar, pois ela possui esta capacidade de reconhecer no meio o que deseja,apesar do seu pouco conhecimento, e isso prova que conhecimento não significa que o sujeito possa ser pleno e realidade enquanto sujeito. Dizer que aquisição de conhecimento é condição para felicidade é uma lego engano, pois vemos casos em que muitos intelectuais não sabem obter satisfação e nem se sentem realizados enquanto pessoas. Isso não é uma apologia a ignorância,mas sim uma tentativa de estimular a aquisição de outras formas de riquezas, além do conhecimento. Uma pessoa pode saber muitas coisas e não saber sobre si mesma , e consequentemente não estar habilitado a intervir no mundo de forma eficaz.
Por isso, a espontaneidade é essa harmonia, equilíbrio e liberdade de ser quem se é. É como se o indivíduo resgatasse a criança interior esquecida pelas travessias sociais, mas agora tivesse o recurso da maturidade sábia ao seu favor. É quando os sentimentos, as percepções e as sensações mais legítimas estivesse m voltando a viver dentro do indivíduo.E nesta jornada de amadurecimento o processo de individuação é uma das riquezas que cada indivíduo deveria buscar. É quando começamos a tomar consciência de si mesmo e reeditar os pensamento limitadores.Se torna, então ,imperativo repensar cada ação relacionada a estes pensamentos, e observar quais são os hábitos gerados por estas limitações responsáveis pelo bloqueio mental, emocional e comportamental.
Os pensamentos são construídos através da experiência e da aprendizagem ,as quais são responsáveis de moldar nossa forma de pensar, e isso se inicia com os nossos sentidos. Apreendemos o mundo pelos sentidos. E, é por esse canal que também poderemos nos comprometer. Os padrões de pensamentos são responsáveis pelos hábitos que construímos ao longo da vida. Estes hábitos, dependendo da intensidade , frequência e direção podem se tornar saudáveis ou não.
Todos nós temos o poder de dirigir o filme da nossa vida e nos tornarmos o personagem principal. Ser Sujeito do processo. Ser condutor de nós mesmos. Quando esta película se torna indesejável e destrutiva é hora de mudar estes padrões e mexer neste cenário.
Resgatar a espontaneidade é como uma espécie de "engenharia reversa" de todo pensamento limitador. Neste processo o indivíduo precisa refletir e rever seu perfil e suas ações responsáveis por todo bloqueio mental, emocional e comportamental relacionados com o grau de "hipnose cultural" adquirido ao longo da vida.É um despertar e uma expansão de consciência, gerando mudança dos padrões de pensamentos, emoções e ações,as quais são responsáveis por hábitos que construímos ao longo da vida.

"Para ser autêntico e espontâneo é preciso coragem,pois vivemos em um universo onde expressões de visão individual representativa do que é subjetivo não são bem vindas .A sociedade ,embebida em pensamento egoísta e na luta pela sobrevivência procura objetivo, o tangível, o certo, o seguro”( G.Sliker,1992,p ag.111)


Há indivíduos cuja vida interior é intensa, confusa, cheia de perguntas sem respostas .Estão perdidos, não sabem o que procurar e nem mesmo sabem onde chegar. Uns perderam o dinheiro, por falta de controle desperdiçando suas oportunidades; outras ficaram no meio do caminho na jornada da vida e desistiram de amar Muitas pessoas constroem suas vidas em função dos outro , tentando agradá-los em troca de atenção, afeto e amor.A solidão invadiu os condomínios, e ainda que muitos se finjam felizes, são apenas personagens atuando num cenário que pode estar prestes a desabar.
Vemos casos onde pessoas vivendo sem paixão, desanimadas e desmotivadas.Resultado de um padrão de vida confortável e "seguro ,mas sem movimento e sem criatividade e sem prazer.O fato de se ter dinheiro e estabilidade não é garantia de uma vida feliz.

“Sem a consciência (de nossos) potenciais, limitações e das(nossas)necessidades , a liberdade é um conceito ilusório. Essa é a razão de encontrarmos, nos dias de hoje, tanto falatório sobre a liberdade, e tanta compulsividade e instinto gregário e falta de liberdade, conseqüências da negligência em relação à necessidade"providencial" inata, à necessidade de "individuação", que exige nos tornarmos aquilo que somos "destinados a ser"(E. Whitmont ,In "A Busca do Símbolo")

Felicidade .liberdade e prazer estão intimamente ligados ao nosso "Eu Verdadeiro",onde habita a fonte da alegria e da paz . A felicidade legítima não esta no que compramos ou nas relações externas .A felicidade e a vida esta dentro de nós .É necessário se comprometer em resgatar essa vida que foi sufocada e perdida ao longo do tempo. Sempre é tempo para viver com plenitude. Sigmund Freud diz que :"quando a dor de não se estar vivendo for maior do que o medo da mudança, a pessoa muda... "

Então somos adultos.Quando isso aconteceu?!?

Como podemos parar? A gente cresce, fica alto, mais velho... Mas, na maioria dos casos, a gente ainda é um bando de crianças correndo no parquinho desesperados para entrar num grupo.
Este trecho retrata o discurso de quem perdeu a espontaneidade e vive desconectado de suas necessidades legítimas, e muitas vezes não tem energia pra corresponder as demandas da sociedade. Por isso, falham em suas tentativas , e em suas buscas.
Esta citação do seriado Grey's Anatomy traduz o valor de estarmos sempre em contato com nossa criança interior. O homem modernos perdeu esta capacidade de viver de forma espontânea. Ele vive num ritmo frenético que o impede de desfrutar os prazeres essenciais da vida produzindo estresse, ansiedade e depressão.
Os sentimentos, as percepções e as sensações mais legítimas estão arquivadas esperando serem resgatas . É necessário lembrar que o legítimo prazer provém da Realização do Potencial interior, e para isso e realizar este potencial é fundamental para ser feliz e sentir prazer.. Segundo Schutz "O prazer é o sentimento que provém da realização do nosso potencial .A realização traz ao indivíduo o sentimento de que pode defrontar-se com seu meio ambiente; o sentimento de autoconfiança, de ser uma pessoa importante,competente e amorável ,capaz de manejar as situações á medida que surgem, de usar plenamente suas próprias capacidades de ser livre para expressar seu sentimentos. O prazer requer um corpo energético e vivo,auto satisfação, relações produtivas e satisfatórias com os outros e uma relação bem sucedida com a sociedade" [2]


Os sentidos da criança são mais aguçados, e estão aberto a estímulos que promovem uma percepção do mundo mais acurada, propiciando uma maior capacidade de extrair do meio aquilo que ela necessita para se satisfazer.Tendo esta consciência de si mesma e do mundo mais aberta, ela sabe o que quer e por conseguinte pode ir ao meio e fazer escolhas mais acertadas.


Há tanta beleza no simples. Num simples sorriso, no olhar de quem te ama. Tanta riqueza, tanto poder no que não se compra, no que é realmente teu. Sabe o que de fato te pertence? O que o amor fez brotar em ti. O resto é poeira, mesmo que tenha custado todo o teu dinheiro."Gi Stadnicki


A correria da vida, as exigências do trabalho, as necessidades de sobrevivências, o grupo em que vivemos, a cultura que nos influencia, a família que pertencemos, tudo isso vai determinar a qualidade dessa apreensão. Augusto Cury disse : Bons pais corrigem o erro, pais brilhantes ensinam seus filhos a pensar” Esse é o grande desafio da educação , tanto na escola quanto na família.


O homem moderno foi perdendo ao longo do tempo esta acuidade de percepção e substituindo suas escolhas por objetos impostos pelo consumismo e pela praticidade. O fast-food substitui o almoço entre amigos, o celular tomou o lugar daquele bate bate papo na esquina...e por ai vai. A Expansão da consciência é uma necessidade fundamental ,pois gera mudança de padrões de pensamentos, resgata a espontaneidade e faz o indivíduo entrar em contato com suas emoções possibilitando a tomada de decisões com ações mais assertivas,e consequentemente, os hábitos vão sendo reprogramados ao longo desse despertar.


O início do processo de resgate da espontaneidade é conhecer a si mesmo: conhecer nossas potencialidade, nossas reais necessidades, nossos sonhos e desejos relacionado com as possibilidades reais de executá-los.A gente precisa aprender a ser autêntico, espontâneo; precisamos parar de querer ser o que os outros esperam de nós, se encaixar em papéis que não são nossos,mas sim exigências sociais que nem sempre nos cabe como indivíduo.Nunca podemos esquecer.Somos únicos e temos uma só digita. Nesse caminho será mais fácil de ser produtivo,pois a energia será resgatada,pois você agora a usará para uma produção espontânea e não para uma maquiagem social. Com isso, sua paixão voltará,pois você estará fazendo o que te da prazer, e o entusiasmo e vigor será parte de sua vida.


Neste processo de despertamento você poderá viver no mundo sem seguir suas "matrizes" hipnotizantes , sem mergulhar nas ilusões consumistas e alienantes da sociedade materialista,consumista e direcionada a anular a criatividade das pessoas.

É importante sinalizar que viver nesta emanação espontânea de existência não significa não ter problemas .Significa que você estará mais inteiro e mais apto a enfrentá-los.Significa que agora você esta mais livre de bloqueios que te impediam de encontrar soluções.Que agora as paredes imaginárias na sua mente caíram ao seu redor e os monstros que te assustavam diminuíram.Agora você fica com medo, mas você vai, você confia na sua capacidade e tem ânimo de estar sempre experimentando novas possibilidades.


A educação tem sido sacrificada pela correria da vida e pelas demandas financeiras. É a escola que tem que lucrar e ter mais alunos, sejam os pais que precisam trabalhar para melhor fornecer “educação” aos seus filhos. O fato é que não há tempo e disposição de pagar este preço.Com isso, a experiência que as crianças vão adquirindo ao longo de sua vida é construída á partir de padrões materialistas ,pobres e voltados ao imediatismo utilitário da cultura do excesso.Luta-se por ter, e não por ser, os padrões de pensamentos vão sendo construídos e limitando a capacidade do indivíduo de ser feliz, pleno,satisfeito e livre.


Os padrões de pensamentos são responsáveis pelos hábitos que construímos ao longo da vida. Estes hábitos, dependendo da intensidade , frequência e direção podem se tornar saudáveis ou não. Temos o poder de dirigir o filme da nossa vida também como personagem principal.Ser Sujeito do processo. Quando esta película se torna indesejável e destrutiva é hora de mudar estes padrões e mexer neste cenário.Resgatar a espontaneidade é como uma espécie de "engenharia reversa" de todo pensamento limitador. Neste processo o indivíduo precisa refletir e rever seu perfil e suas ações responsáveis por todo bloqueio mental, emocional e comportamental relacionados com o grau de "hipnose cultural" adquirido ao longo da vida..A "hipnose cultural " produz este fenômeno de pessoas vagando como se fossem apenas cabeças automatizadas andando descoladas de seus corpos, vivendo distantes em direção às expectativas criadas por seu ideal de felicidade imposto por uma cultura voltada para o consumismo.


É importante sinalizar que viver nesta emanação espontânea de existência não significa não ter problemas .Significa que você estará mais inteiro e mais apto a enfrentá-los.Significa que agora você esta mais livre de bloqueios que te impediam de encontrar soluções.Que agora as paredes imaginárias na sua mente caíram ao seu redor e os monstros que te assustavam diminuíram.Agora você fica com medo, mas você vai, você confia na sua capacidade e tem ânimo de estar sempre experimentando novas possibilidades.


Contudo, o fato de ter paixão, dinheiro ,estabilidade não é garantia de uma vida feliz. O que realmente a gente precisa é conhecer a si mesmo, nossas potencialidade, nossas reais necessidades, nossos sonhos e desejos relacionado com as possibilidades reais de executá-los.A gente precisa aprender a ser autêntico, espontâneo; precisamos parar de quer ser o que os outros esperam de nós, se encaixar em papéis que não são nossos,mas sim exigências sociais que nem sempre nos cabe como indivíduo.Nunca podemos esquecer.Somos únicos e temos uma só digital. Nesse caminho será mais fácil de ser produtivo,pois a energia será resgatada e redirecionada para o objeto de real satisfação ,pois você agora a usará para uma produção espontânea e não para uma maquiagem social.

Com isso, sua paixão voltará,pois você estará fazendo o que te da prazer, e o entusiasmo e vigor será parte de sua vida.





Neste processo de despertamento você poderá viver no mundo sem seguir suas "matrizes" hipnotizantes , sem mergulhar nas ilusões consumistas e alienantes da sociedade materialista,consumista e direcionada a anular a criatividade das pessoas.

Bianca Pinheiro nos apresenta um projeto chamado "Pequenas Satisfações Humanas", o qual ilustra o quanto é prazeroso viver no aqui e agora desfrutando das pequenas coisas . As pessoas que conseguem parar para apreciar a simplicidade da vida podem ser mais felizes. Bianca se utiliza da arte em tirinhas para falar sobre esses prazeres humanos simples e bastante subjetivo que fomos perdendo ao ficarmo engessados e distantes da nós mesmos.





"Passar cotonete no ouvido, espirrar, sentar em cima das mãos durante os dias frios, tirar um cochilo revigorador, escutar sua música favorita quando você menos espera, estourar plástico bolha… ! São momentos que nos fazem sentir aquela pontinha de satisfação que, mesmo vindo de coisas pequenas e tidas como insignificantes por alguns, acabam fazendo com que um sorriso discreto tome lugar nas nossas faces(...)você irá se identificar com as ilustrações...”


Em seu artigo, Luiz Carlos Garrocho que "A infância tornou-se, em determinados momentos históricos e em alguns contextos sociais, detentora da memória lúdica humana. Ela conquistou essa memória porque os adultos estavam por demais ocupados com a produção e a reprodução da vida. Além de serem depositárias de uma memória que os adultos não podem, nas sociedades industriais, exercitá-la, as crianças reinventam a história humana. Inventam o tempo em que os seres humanos se envolviam corporalmente com o mundo. A criança fabrica o sentido e explora os sentidos antes de ficar memorizando abstrações. Entra em contato com a terra, deixando-a deslizar pelas mãos, sentindo o seu escoamento até fazer um filete comprido.Muitos artistas continuam fazendo o mesmo , e por isso eles guardam uma estranha e aparentemente secreta sensação de felicidade e liberdade."[3]


Segundo a Teoria da Análise Transacional" na infância, a "criança é livre", é aquela que faz espontaneamente aquilo que ela quer, independentemente de regras e normas. Elas são motivadas, possuem um entusiasmo espontâneo, são criativas e independente Elas possuem esta capacidade de apreciar pequenos prazeres como brincar com a água, andar descalço, sentir o pingo da chuva caindo, colocar a mão na terra sem sentir nojo, cair de rir sem sentir vergonha, elas fazem disso uma fonte de alegria e felicidade Com o passar do tempo o indivíduo vai perdendo esse hábito espontâneo , e se distanciando dessa criança que ainda vive dentro de,si . A criança livre que habita em cada um é a fonte de criatividade ,imaginação e alegria.A espontaneidade é justamente quando esse indivíduo resgata essa criança interior esquecida pelas travessias sociais. É quando os sentimentos, as percepções e as sensações mais legítimas estivesses voltando a viver dentro do indivíduo.


Segundo Ângela Magda, Denise de Souza e Mônica Neves “Se queremos matar uma ideia em sua nascente, basta criticá-la efusivamente ao ser apresentada, rir ou ridicularizá-la diante.dos demais; e se quem a apresentou não desenvolveu ainda características de personalidade como persistência, independência de pensamento, autonomia e coragem para assumir riscos (como acontece freqüentemente com a criança pequena, em estágio de desenvolvimento), teremos então a quase certeza de que seu pensamento criador, no nascedouro rico, espontâneo e divergente, passará por uma transformação radical, da qual restará apenas a rigidez, o conformismo, a dependência de pensamento, a cópia e reprodução das idéias. " [5]


As escolas e educadores sob a influência dessa cultura sofrem com esse tipo de determinismo limitador, e podem se tornar veículos inibidores da criatividade de muitas crianças caso não estejam consciente dessa realidade.O fato é que se não tomarmos cuidado acabamos nos tornando robôs sociais. Sem autenticidade e espontaneidade suficiente para obter prazer suficiente nas coisas simples e essenciais,as quais não possuem preço,pois não estão á venda.Mas , por outro lado, é nesta simplicidade que encontraremos o prazer e a alegria dia´ria que será capaz de nos conectar ao presente e nos libertar do passado


Atualmente, apesar de termos liberdade para se expressar, para fazer e para pensar o que quisermos , temos que concordar com Sliker quando ele diz que " Para ser autêntico e espontâneo é preciso muita coragem, pois vivemos em um universo onde expressões de visão individual representativa do que é subjetivo não são bem vindas .A sociedade ,embebida em pensamento egoísta e na luta pela sobrevivência procura o objetivo, o tangível, o certo, o seguro”[3]


Por isso a arte é tão importante, pois ela facilita o resgate desta espontaneidade de várias formas. Em primeiro lugar, porque uma da técnicas utilizadas para resgatar esta espontaneidade é tomar consciência de si mesmo como objetivo de desenvolver o autoconhecimento e auto satisfação.A arte facilita isso porque os materiais utilizados pelos artistas podem servir, se bem direcionado, para otimizar este processo.Em segundo lugar porque a espontaneidade e a criatividade esta diretamente proporcional a capacidade de conhecer e lidar com seus próprios sentimento,impulsos e instintos . (FREUD, 1910) disse: “A natureza deu ao artista a capacidade de exprimir seus impulsos mais secretos, desconhecidos até por ele próprio, por meio do trabalho que cria; e estas obras impressionam enormemente outras pessoas estranhas ao artista e que desconhecem, elas também, a origem da emoção que sentem”.E finalmente, porque as imagens contidas no inconsciente são resgatadas no fazer artísticos.


Mas você pode estar pensando :eu não sou artista,não tenho nenhuma habilidade artística Minha intenção nesta reflexão é chamar a atenção para o fato de que todos nós possuímos um artista criativo dentro de cada um, o qual se encontra reprimido e desconhecido , pois não fomos educados para desenvolver nosso cérebro em toda a sua dimensão .A espontaneidade foi comprometida pela cultura ocidental , e até mesmo, em muitos casos, totalmente anulada. Mark Rothko, um artista que muito admiro disse uma vez :" Para nós, a arte é uma aventura em um mundo desconhecido, que pode ser explorado somente por aqueles dispostos a assumir os riscos. Eu não sou um abstracionista. ... Eu não estou interessado nas relações de cor ou forma ou de outra coisa. ... Estou interessado apenas em expressar as emoções humanas ... ".


Schutz nos explica que a nossa capacidade de aprender, perceber e sentir esta num nível inconsciente e diretamente ligada ao desenvolvimento emocional.Aqui é onde a nossa "criança livre precisa ser respeitada e aperfeiçoada conforme cada cultura, mas sem anular a identidade do indivíduo e mantendo sempre a capacidade de responder as demandas sociais de forma equilibrada,ou seja, saber encontrar o equilíbrio entre o que desejo e necessito e o que a sociedade me impõe e requer de mim. Relembrando o que disse Fritz Perls , " o maior desafio do homem é encontrar este equilíbrio" , e é onde a neurose se instala nesse meio fio que vamos alinhavando ao longo na tão complexa jornada.
Enfim, o gênio criativo que esta dentro de cada um de nós tem esta capacidade:encontrar esta palavra escondida, a imagem desconhecida, o outro que nos habita.E, isso nos vem no fazer artístico através de imagem, de cores, de sons, ou materializada em argila ou movimento, cenas pintadas, sons e letras. Seja em qual for o tipo de arte, você poderá alcançar esta "palavra". Mia couto sabia o que estava falando quando se referiu a esta linguagem tão perigosa.Ele sabia que ela era transformadora e libertadora,pois tinha consciência de seu poder de conectar o homem com seu seu verdadeiro Self .
"A essência do prazer é a espontaneidade"Germaine Greer

Dicas de como exercitar a espontaneidade .Veja no link https://pt.wikihow.com/Ser-Espont%C3%A2neo


Referências 

[1]Abordagem Gestaltica e Testemunha Ocular da Terapia.PERS,Fritz.Pag.38

[2] William C.S.Schutz In:"O Prazer"

[3][2 Por Luiz Carlos Garrocho,"O Brincar e Suas Linhas de Errância-Artes Cênicas e Educação(http://contruindooser.blogspot.com.br/2013/04/por-luiz-carlos-garrocho-o-brincar-e.html)

-http://exibircertificado.blogspot.com.br/2013/07/artistas-que-profetizam.html

[4]( G.Sliker,1992,p ag.111)

[5](E. Whitmont ,In "A Busca do Símbolo"

[6 ]TOC,TOC,Plin Plin

[7]Bianca Pinheiro,In:"PEQUENAS SATISFAÇÕES HUMANAS ": http://lounge.obviousmag.org/venturarte/2013/08/pequenas-satisfacoes-humanas-em-formato-ilustrativo.html

domingo, 29 de setembro de 2019

A Contemporaneidade

Quando o Supérfluo se tornou o necessário, podemos dizer que enfim, entramos verdadeiramente em uma sociedade diferente da modernidade. Chamam este tempo de contemporaneidade, ou ainda, a sociedade líquida, sem vículos, onde acima de tudo o que prevalece é o efêmero.
Marcos Leite

O vazio existencial se tornou hoje um desafio para o homem contemporâneo. A contemporaneidade tem sido caracterizada pela cultura do excesso, da imagem e  do”fast-food”. A durabilidade deu lugar ao excesso. Quanto mais temos,quanto mais intenso , mais precisamos ter em menos tempo,porque nada mais nos satisfaz por muito tempo.Este fenômeno vêm afetando as relaões afetivas e profissionais, pois isso tem gerados relações intensa e urgentes substituindo a valorização do que é permanente e essencial.O fato de querermos intensamente e urgentemente alguma coisa nos torna cada vez mais efêmero e vivendo fenômenos de difícil avaliação e validação 
Com a velocidade das mudanças e da globalização tudo tem sido hiper, super, e intensamente rápido.Temos a sensação de que se não estivermos preparadas pra a mudança seremos engolidos pelo assombroso sistema. Não temos tempo de entrarmo em contato com o que é essencial , com o outro, consigo mesmo; e deixamos de viver cada detalhes de cada experiência. Falar dessa forma chega ser uma utopia no meio empresarial e no mundo capitalista. ” Vivemos na época do hipermercado, do hipercorpo, do hiperconsumo, do hipertexto, dos celulares, computadores, das teleentregas, da internet, de milhões de sites e bilhões de páginas” 
Esta tudo acontecendo em frações de segundo na cabeça de cada indivíduo em busca de um “tamponamento”para seu vazio existencial que muitas vezes nem sequer se dão conta de que 
possuem. 
Novas demandas e ansiedades surgem diariamente. Um novo celular é lançado a cada semana.Novas epidemais incontroláveis, catástrofes norteando nossa alma pelos jornais da manhã.Os produtos transgênicos , a poluição, o aquecimento global, o congresso nacional, a manipulação da mídia . Muitas mudanças, ansiedades , medos e angústias , e ainda assim temos que levantar de manhã e escolher a roupa adequada, a forma mais educada de falar á fim de agradarmos os contatos e contratos profissionais fundamentais para alcançarmos o nosso sucesso. Como disse (BAUMAN, 2004): “O tempo é líquido e transitório”
Ainda não estamos falando sobre os valores éticos que certamente já começaram a ruir com a competitividade selvagem e o capitalismo imperialista e covarde que insiste em nos fazer acreditar que somos livres para escolher e para pensar.
Na verdade todos os dias no centro da cidade vemos uma busca frenética pelo primeiro lugar contra a corrida do tempo.Na altura deste processo e identidade de cada cidadão esta sendo um alvo fácil para a opressão deste sistema.
Sabemos da vida de todas as celebridades , falamos com o mundo inteiro na internet,mas estamos correndo o risco de não conhecermos mais os nossos filhos, de não sabermos com quem  estamos dormindo, e perdemos  muito tempo longe de quem realmente amamos
Esta corrida nos arremessa para bem longe dos valores éticos e essenciais da vida, e principalmente corremos um grande perigo de nos distanciarmos cada dia mais de nós mesmos. Falamos de democracia e liberdade, mas somos escravos do medo, do sistema que nos faz trabalhar como escravos gerando angústia,  ansiedade e afastamento de “si mesmo” .
E o tempo passa descompassado e cheio de velocidade.As mudanças nos transformando, e lá vamos nós tentando obter o controle da nossa vida olhando a agenda , atendendo celulares e com o Notebook na mão .Mas na verdade mesmo,estamos loucos para chegarmos em casa  ou  em algum lugar seguro .A rotina é uma desistência de viver velada. Selva de pedra institucionalizada. Mas precisamos do salário que ela nos confere.E estamos escravos de um sistema que nos esmaga e rouba  nossa criatividade e liberdade de ser quem somos. Vamos andando para lugar nenhum,mas com a sensação que temos que continuar ou seremos tragados .Pois a sociedade e suas demandas tentam devorar nossas forças.
E um processo avassalador nos acompanha.Temos que produzir tudo ao mesmo tempo ,mas não temos tempo para criar ,descansar, ficar com quem amamos.Vemos nossos filhos crescerem e não acompanhamos seus primeiros passo, porque precisamos alimentá-los.Ou será ,que na verdade, precisamos mesmo é alimentar nossa ganância de poder e nos manter neste "status Quo" em detrimento de nossa saúde e de nossa felicidade? 
Para onde estamos indo?Porque e para que estamos indo? 
A Humanidade, essa palavra que a gente tenta entender , no fundo é um mistérios diário á desvendar. Mas sei que no meio de nossas tentativas de explicá-la, a gente 
Arte Digital Surrealista de Marcel Caram " A Porta, o Tempo e o Espaço
vai parando um pouco pra olhar nos olhos do outro, e descobre que ela se revela neste momento. É só não acelerar o passo, diminuir o barulho , e perder mais tempo dentro nós. Aí a gente se enfrenta com mais verdade, e encontra a estrada certa pra percorrer o encanto de desvelar esse segredo. O tempo nos mostra que a gente pode se surpreender com a magia da vida, que nos empurra pros acasos que a gente nem sonhava viver. 
Com tempo a gente vai entendendo que os dias são oportunidades de rever nossos valores,de refazer novos caminhos , de planejar outras alegrias e rever nossas jornada de desvios.
Com o tempo eu dei pra não desistir do tempo que passou .Não cobrar tanto a vida e deixar de contar com a sorte. Parecer quem sou é meu céu e meu inferno. E o tempo me ajuda a tirar de mim aquilo que não sei decifrar. E aos poucos vou desvendando e desfolhando as pétalas que me cansaram ;abandonando a noite que me nasceu e morreu em mim.Os dias trazendo certezas me levam a lutar ainda que não saiba ande ir.
A manhã me conta uma nova história,reinventa outro roteiro, redefine novos parâmetros Amanhã é outro dia e eu não vou temer.Mas só com o tempo eu entendi isso.


Rosangela Brunet

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Meu Jardim Secreto



Meu jardim secreto me salva do fogo  que me arde quando estou precisando de ar .Jardim Secreto é Presença. É o Aqui e Agora. É local sinal de bem estar.É solo de paz no coração. É segurança nas portas sem tracas , lugar onde entrego minhas armas e confio no sol que vai brilhar 

Ali eu descanso meus olhos quando estou no meio do caos.Mas quando saio de lá me perco como náufraga ficando cada vez mais no meio do mar.

Me torno sereia aflita a espera de um luar. Quando meu se transforma e se torna profundamente barulhento em meio aos meus vendavais sou feita de dúvidas, criticas, e pensamentos ruins ....As vozes gritam de um calabouço esquecido dizendo: " será? " " se", "mas", ....tormentas, temporais. 

Se o mar está em mim nesta hora,muitas vezes, não sei como atravessar.

Surge o medo da iha que paralisa, pois a dor da solidão nem sempre quero suportar. Mas quando bate a brisa do desejo levantando meu olhar , lembro do meu Jardim .Um lugar que escolho, um espaço que exploro.. Eu mergulho nele retomando meu futuro 

Me livro, então, de ser vítima de mim mesma e de ser uma sobrevivente ouvindo o canto da sereia,mas sem horizonte , sem sol pra florescer e sem brilho no olhar
Imagem da página Flávia Melissa
Meu jardim secreto é onde mergulho nas horas em que o Ego quer me convencer de que ele ele esta no controle da minha vida e tenta sabotar minha felicidade. Abaixo segue um comentário a respeito desse processo de forma menos simbólica e mais técnica 
A nossa mente mente quando ressoa com barulhos de vozes que gritam cheias de dúvidas, pensamentos críticos, negatividade, pessimismo, pensamentos limitantes e medos que paralisam.
Esses sons são disfarces do ego que resiste em ser desmentido. Por isso, fala
alto nos nossos ouvidos tentando desesperadamente se defender,ou seja, são defesas do ego que já se transformaram em sintomas . O costume de conviver tanto com eles faz parecer que parece ser a nossa própria voz.
No entanto, o que estamos aprendendo é que existe um Eu Interior que nada sabe sobre essas mentiras. Sabe apenas sobre si mesmo como essência a ser descoberta e revelada através do processo de Autoconhecimento
Mas para acessá-lo é preciso entrar em um processo de autoconhecimento e despertamento , ampliando, assim a consciência que poderá promover uma visão cada vez maior da realidade.
Einstein diz : " a realidade é uma mentira, ainda que persistente"
Sabendo que nessa expansão de consciência vamos adentrando em lugares cada vez mais secretos em nossa mente e transpassando portais cada vez mais profundo da realidade,podemos assim nos transformar transformando nossa realidade também. Cérebro & Realidade possuem ligações diretas



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No final,descobri quem são os corajosos

Por Rosangela Brunet

Há anos atrás vivia experienciando um profundo sentimento de tristeza por todos os erros que cometia.Mas aprendi que só tem um jeito de se livrar dessas culpas: aceitar os erros,aprender com eles e seguir em frente trabalhando para ser uma "nova versão de mim". Segundo André Lima " Os nossos atos dependem do nosso estado de consciência, e esse estado, por sua vez, depende da nossa experiência de vida, dos sentimentos negativos que acumulamos e dos sentimentos que estão se manifestando naquele momento.Você Poderia Ter Feito Melhor. Será? (...) Quando nosso estado emocional muda para pior, nossas ações sofrerão a influencia dessa mudança. Quando mudamos emocionalmente para melhor também veremos se refletir uma melhora na qualidade dos nossos atos.Todas as vezes que analisamos nossos atos passados, estamos julgando nossas atitudes anteriores, que foram realizadas de acordo com o estado de consciência daquele determinado momento, levando em conta o nosso estado de consciência atual que muitas vezes é bem diferente do anterior. E isso pode acabar criando sentimentos de auto cobrança e culpa.“Eu deveria ter feito diferente” ou “eu poderia ter feito diferente”. Não, não poderia. Só se seu estado de consciência fosse diferente na época, mas ele não era. Era exatamente daquele jeito que foi no passado e não tem como voltar e mudar.....no passado, seu estado de consciência era exatamente aquele que foi na época, e se você voltasse no tempo faria tudo da mesma forma“Ah, mas se eu tivesse naquela época a experiência que eu tenho hoje…”. Mas você não tinha. O diálogo mental de auto acusação e lamentação serve apenas para causar sofrimento. Não muda o ocorrido no passado e cria uma negatividade que acaba gerando mais consequências negativas para nossas vidas. Quanto mais negatividade carregamos, pior a qualidade das nossas ações e mais sofrimentos iremos causar para nós mesmos e pessoas próximas."  1

Por isso, enquanto me corrigia sem nenhuma gentileza comigo mesma fiquei parada no passado. Enquanto me punia sem nenhuma compaixão a ansiedade me assolava com o medo.Mas ,enfim, comecei a amadurecer. Sai da corrida do perfeccionismo, cai em mim mesma com gratidão porque descobri que era humana. A nossa cultura não perdoa os humanos,mas eu descobri uma forma de contra-cultura para não adoecer. Comecei a me acolher e respeitar o que sou com meus erros,defeitos e ,então, as qualidades e habilidades começaram a brilhar .
Não lute contra seus erros. Quando errar preste atenção, tome consciência do que esta acontecendo em você messe momento Fique ali inteiro, não olhe para trás nem para frente. Olhe para o que esta percebendo ao teu redor e dentro de você." Torne-se o olhar. Não deixe o olhador para trás . Traga sua consciência total para (tudo que emerge nessa hora) ....Com o ser integral o olhar fica tão abrasador que a semente( do erro ) é queimada, sem nenhuma luta, nenhum conflito, nenhum antagonismo" Osho
Depois que passei a aprender a acordar e olhar para a janela, e perceber que existia um mundo bem maior lá fora,  comecei a descobrir que estava amadurecendo. A imaturidade emocional não me deixava ser feliz. As emoções eram comandos de alertas que não dormiam, e eu não sabia o que era respirar liberdade de ser livre para viver o Aqui e agora.
NUNCA havia sentido o prazer do AGORA.  Só sabia o que era sofrer pelo passado e nunca soube o que significava dizer adeus e fechar um ciclo. Nunca imaginei como sair de mim mesma e despegar de tudo que só me machucava em nome de um ideal.
Descobri que dizer adeus é para os necessitados de felicidades e para os aflitos para viver intensamente. E, que,no final são esses os verdadeiros corajosos,pois conseguem andar mesmo feridos, cansados, cheios de medo,olhando as cinzas que ficaram, desejam ficar ali também,mas partiram .E sempre partem sem nada na mão e nos olhos. O coração sangrando sem anestesia,  vão  devagar e sempre com seus passos, ainda que lentos, porque seus pés feridos não os deixam se alinhar para receber os aplausos dos que estão na linha de chegada. A sensação de fracasso e constante e simplesmente continuam andando porque querem viver a vida completamente.Não aceitam mais serem metade de nada. A plenitude e a Liberdade os guia.

“Amigo, não tenha medo de erros. Erros não são pecados. Erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova.Amigo, não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles. Você teve a coragem de dar algo de si” – Perls (1979)

Os corajosos são os que  conseguiram depois de muito andar permitir que o presente se apresente e o passado se ausente. Corajosos são os que mesmo em meio às amarras do medo não ficaram presos e deixaram o poder de amar fluir encontrando com a vida e viraram parceiros. Os corajosos aprenderam que "somos instantes, e depois viramos passado. Eles sabem que a vida esta acontecendo agora e não são os sentimentos,mas a decisão de viver no Agora que vai mudar suas histórias.
AGORA  eles sabem podem olhar para trás e não sentir mais dor. Não há mais miolo de pão no caminho para não se perderem. As toxinas do seu corpo se tornaram carbono e sangue esta AGORA alcalino. Eles sentiram a dor que era para sentir AGORA, ficaram presentes AQUI e seguiram fluxo a noite inteira até o dia amanhecer.  Limparmos as lágrimas dos olhos do passado, seguiram seus caminhos . 
São Humanos em movimento. São seres experimentando Iluminação . São transeuntes  superando a dor e aceitando  seu Ser Pleno . O que aconteceu não pertence ao AGORA. Tudo que eles tem é o que vê, o que ouve, o que sente em suas peles molhadas  de suor e lágrimas. Escuta seu coração batendo lá dentro e espera sua cura todos os dias com humildades , e por fim,  dão um passo a frente sem pressa. Sabe que cada um canta sua canção em seu próprio ritmo e os tambores estão todos afinados quando se tornam UM no AQUI e  AGORA.

Referências 

1 http://www.eftbrasil.com.br/voce-poderia-ter-feito-melhor-sera/

sábado, 21 de setembro de 2019

Modernidade e Suas Relações

Por Rosangela Brunet


Depois de suportar alguns clichês reverberando em alto som nas conversas rotineiras de pessoas que nem imaginam o quanto não se amam.Depois de me conscientizar sobre os  equívocos que estamos cometendo percebi que a humanidade tem se tornado refém da sociedade do espetáculo , a qual anda mergulhada na cultura da imagem resolvi.Então, resolvi desabafar refletindo sobre o tema modernidade, aparência e hipocrisia. Me basearei num artigo muito legal da Allisson e Isabelle[2].
Mas antes gostaria de iniciar esta postagem com um conto do Caio Fernando Abreu que reflete essa realidade cotidiana que se tornou cenário desse caos moderno.
"Vocês conhecem o chorão? Aquela árvore assim alta, magra, meio despencada, com uns galhos compridos até o chão? Pois diz a Juçara que o chorão não era assim.
Era uma árvore toda esticadinha, muito orgulhosa e antipática. Ela morava na beira de um lago bem clarinho. Pois imagina que o Chorão — que naquele tempo não se chamava chorão, mas salgueiro — inventou de se apaixonar pela Lua. Só que o Lago também se apaixonou,
ao mesmo tempo.
Ficavam os dois, o Chorão e o Lago, todos suspirosos quando a Lua aparecia atrás da montanha, ao anoitecer. Tantas caras e bocas fizeram que um vaga-lume muito fofoqueiro ouviu a história da tal paixão e foi contar pra Lua.
A Lua, claro, ficou muito envaidecida. Quem que não gosta que os outros se apaixonem pela gente? Pois a Lua mandou dizer aos dois apaixonados que, na próxima sexta-feira, quando ela estivesse bem cheia e aparecesse atrás da montanha, o pretendente que estivesse mais bonito, na hora, seria seu noivo.
O Chorão ficou na maior empolgação. Fez amizade com o vaga-lume, interesseiro que era. E pediu a ele que chamasse todos os amigos vaga-lumes para enfeitá-lo todo, na sexta-feira de tardezinha. O pobre do Lago era muito desajeitado e humildezinho. Até tentou se enfeitar um pouco, mas os enfeites todos escorregavam na superfície dele e acabavam afundando.
Quando chegou a sexta-feira, o Chorão estava lindaço, cheio de vaga-lumezinhos vaga-lumeando brilhosos nos galhos. Parecia uma árvore de Natal. E tão atrevido! Debochava horrores do pobre Lago, que só tinha uns peixinhos muito assustados espiando de vez em quando. A Juçara diz que aquele salgueiro estava um nojo, de tão exibido e certo de que ia ficar noivo da Lua.
Mas acontece que, na hora em que a Lua apareceu atrás da montanha, ela viu todo aquele brilho do salgueiro refletido — onde? Ora, nas águas do pobrezinho do Lago, umas águas muito limpinhas e quietas. Claaaaaaaaro que ela achou o Lago muitíssimo mais bonito. Aí ficou noiva dele na hora, e nas sete noites de lua cheia vem se banhar nua nas suas águas quentinhas. O salgueiro? Ah, ficou tão desapontado que começou a despencar, despencar, despencar até virar essa árvore tristonha que a gente agora chama de chorão.
Não é bonita a historinha da Juçara? Você pode achar um pouquinho triste, também, mas eu acho ótimo que o chorão tenha sido castigado pelo seu orgulho. Daí, penso também outra coisa de gente grande: não adianta muito você se enfeitar todo pra uma pessoa gostar mais de você. Porque, se ela gostar, vai gostar de qualquer jeito, do jeito que você é mesmo, sem brilhos falsos.
A Ulla me disse depois que a Juçara contou a história bem alto, num dia em que a Otília estava insuportável, agredindo sem parar a pobre da Gabi. Quem sabe assim a Otília se toca um pouco, não é?" 

Lendo este conto a gente percebe que todos nós já o conhecemos um dia um "chorão" ou um "lago" , e obviamente eles não sabiam o quanto eles estavam equivocados a respeito da vida .Em falar em equívoco lembrei de Rachel, uma personagem da série americana "Glee". Esse é um outro exemplo bem representativo sobre os estragos que a tirania da imagem tem causado no comportamento das pessoas.
"Rachel "Rach" Barbra Berry é interpretada pela cantora e atriz Lea Michele. É a capitã e estrela do glee club, New Directions. Tem dezessete anos, é judia e estuda no William McKinley High School, em Lima, Ohio. Rachel é considerada impopular pela maioria dos outros alunos, por ser muito egocêntrica e ambiciosa
Rachel Berry é um personagem fictício da série GLEE da FOX. Seu nome foi inspirado na personagem Rachel Green da série Friends. Rachel é solitária, mas focada e, de certo modo, entusiasmada, pelo seus sonhos de carreira profissional. Rachel não aceita que ninguém seja melhor que ela, portanto passa a maioria das temporadas sozinha. Rachel é judia, adotada, tem como ídolo Barbra Streisand Rachel provoca, muitas vezes, a irritação dos outros membros do Glee, como Kurt e Mercedes. Porém, todos entram em consenso quando o assunto é Rachel: sua voz é a essência do clube. Na segunda temporada, Rachel convence
seus colegas de clube a apresentarem músicas originais nas competições, devido a problemas, causados por Sue. "[1]
Segundo Allisson e Isabelle atualmente "ocorre na sociedade uma constante exaltação do ego que se traduz na valorização da estética a partir de um hedonismo exacerbado, da juventude, da cultura pop, do romantismo e do presente. Jovens desejam sempre permanecer jovens, e idosos ambicionam o “rejuvenescimento”.
Pode-se dizer que a sociedade adentra-se cada vez mais no estágio estético – apontado por Kierkegaard (1979) em sua obra Ou Isso, Ou Aquilo: Um Fragmento de Vida (1843) –, o qual se caracteriza pelo romantismo e o prazer propiciado pelo agora, ambos marcados pelo desejo, contrapostos à dor e ao tédio.
Apesar dessa busca por prazeres momentâneos, os indivíduos tendem sempre a se apoiar a algo concreto, a alguma característica de si próprios que valorizam de forma constante e intensa. A essa procura por um sustentáculo pessoal, é possível chamar supervalorização da persona em relação ao ego e, até mesmo, de narcisismo, características da sociedade pós-moderna. Essa base pessoal encontra-se na estrutura psíquica dos indivíduos, a qual “se altera de acordo com a máscara social” (MELLO et al., 2002).Quando os prazeres se tornam escassos e sua persona sofre ameaça, o indivíduo passa a demonstrar-se, com maior frequência, insatisfeito. Como salienta Hegenberg (2007, p. 68), essa insatisfação pode ser resultante de um querer mais e mais, pois o indivíduo sente “um vazio irreparável, um nada, uma frustração contínua fruto de suas comparações com objetos idealizados”. Essa insatisfação limita as visões de mundo do indivíduo e traz problemas a sua autoimagem.
Para exemplificar, mesmo de caráter fictício, é possível citar a personagem Rachel Berry, da série musical Glee, que possui como base de sua vida e de sua personalidade a voz. Tal como aponta Balser e Gardner (2011, p. 220), a voz de Rachel pode ser entendida como uma metáfora para a sua identidade. A personagem mostra-se capaz de tudo para alcançar o sucesso como cantora, e quando se vê ameaçada a perder a voz por causa de uma amidalite, entra em pânico e em profunda tristeza (senão uma depressão). Desse modo, a voz de Rachel também pode ser entendida como uma máscara que esconde seus maiores medos e anseios. Caso ela a perca, perderá também aquilo que esconde o que ela reprime.Através de concepções diversas, será realizada uma tentativa de explanação dos valores e sentidos que os indivíduos atribuem a suas características físicas.
Identidade, para Stuart Hall (1998), citado por Borges (2004), “é algo formado ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato”. Devido a esse processo, que se inicia na concepção e termina na morte do indivíduo, o termo correto a se utilizar seria identificação, que diz mais a respeito ao momento que o indivíduo vive.
Dado como forma de identificação, o corpo é construído através da linguagem. Como afirma Goellner (2010, p. 29), é ela que “tem o poder de nomeá-lo, classifica-lo, definir-lhe normalidades e anormalidades, instituir, por exemplo, o que é considerado um corpo belo, jovem e saudável”.Dado que a linguagem é a “produtora” do corpo, e como filmes, músicas, revistas, livros, imagens e propagandas são métodos de transpor essa linguagem, pode-se dizer que são eles também responsáveis pela criação de uma imagem ideal, um exemplo ou padrão a ser seguido (GOELLNER, 2010, p. 29). A questão é: o que ocorre com quem não possui formas – sejam elas físicas, financeiras, culturais – para seguir os modelos impostos?
Um grifo interessante pode ser tomado a partir de pressupostos a respeito do Transtorno de Personalidade Boderline (TPB). O indivíduo que não consegue “se adequar” a esses modelos criaria seu ideal do ego, que dele exigiria o máximo. Ele utilizaria todo o seu potencial para alcançar a perfeição, o que seria desgastante e, provavelmente, em vão, logo que seu desejo de se tornar o centro do universo é, de certa forma, impossível de ser realizado (HEGENBERG, 2007, p. 69). Essa busca pelo “centro das atenções” refletiria na criação de uma base, pelo sujeito, para se sustentar: a persona.
Persona, segundo Jung citado por Humbert (1983), seria a forma que o sujeito assume uma personalidade para se adaptar ao ambiente e para com ele se relacionar. Constituir-se-ia, como aponta Mello e outros (2002), de “papeis sociais, tipo de roupa e estilo de expressão pessoal”. Esse termo é derivado das máscaras que atores gregos utilizavam no teatro.
No exemplo citado anteriormente, Rachel Berry produz seu ideal do ego utilizando-se de sua voz: é ela a sua persona, e é com ela que se adapta (ou tenta se adaptar) aos “companheiros não tão talentosos” do coral da escola. Antes de cantar um solo no mesmo episódio, ela afirma que a música escolhida trata de enfrentar desafios, que em seu caso, seriam os colegas que não conseguem prosseguir sozinhos sem tê-la ao lado. Rachel, que sempre teve problemas com sua aparência, com sua personalidade forte (ela mesmo se considera irritante e convencida) e, principalmente, com seu nariz (o que ela deixa claro em um dos episódios seguintes a este, no qual ela adentra-se no dilema de fazer uma cirurgia plástica ou não), tem sua voz como máscara de sua identidade – a representação que ela faz é que a voz é produtora de todo o seu talento. Se ela é como é, como ela mesma explica, é por causa da
voz. “Quando Rachel está abalada por ter perdido a voz, ela explica muito claramente o simbolismo por trás dessa perda: quem é Rachel Berry sem sua voz?” (BALSER; GARDNER, 2011, p. 220). Sua máscara cairia com essa perda, e ela não teria como explicar os motivos de seus atos e anseios.Existem dois tipos de persona: uma para quando estamos sozinhos e uma para o convívio social. Esta última pode apresentar características positivas ou negativas, variando de indivíduo para indivíduo. Ela pode tanto proteger o ego, reprimindo sentimentos que podem ocasionar tragédias pessoais e desavenças no âmbito social, quanto criar uma identidade mascarada, artificial, contrária aos traços do sujeito (MELLO et al., 2002). 
Essa identidade mascarada é aquela produzida através de representações sociais que o indivíduo cria sobre seu próprio corpo. São significados que ele atribui ao seu sustentáculo pessoal, a sua base. Quando essa base encontra-se em perigo, correndo riscos de desconstituição, o sujeito sofre a angústia, a qual se demonstra como constantes pânico e tristeza. 
Freud comprova esse pressuposto. Em seu artigo Inibição, Sintoma e Angústia, trata da angústia como um sinal de alarme mediante a um perigo que o indivíduo vivencia, isto é, um afeto do sujeito em detrimento de um risco que o mesmo corre (DANTAS, 2007).A angústia, afeto indeterminado por excelência, comporta algo de uma memória que, em suspensão, aguarda ser recordada e historicizada. Assim, desde o início, o termo angústia (angst, em alemão), na obra freudiana, designa uma modalidade de medo cujo objeto parece revelar-se obscuro, impossibilitando uma organização e simbolização subjetiva. (DANTAS, 2007) 
É perceptível, a partir desse pressuposto de Dantas (2007) com bases em Freud, que a angústia pode ocasionar na destruição da persona, o que seria prejudicial ao sujeito, logo que o mesmo estaria desconstituindo a forma com a qual significou simbolicamente algo.Após essa síntese da perspectiva da persona e da angústia que, quando ferida, pode refletir-se no sujeito, vamos adentrar no campo das representações do corpo do sujeito, que vai muito além das aparências. 

2. Easter Eggs: as Representações Subjetivas do Corpo

Em informática, um termo vem sendo utilizado com grande frequência para descrever surpresas ou características ocultas em determinados jogos virtuais, aplicativos, DVDs e softwares em geral: easter egg (em livre tradução, “ovo de páscoa”). Neste artigo, será utilizado o termo para descrever as características ocultas que o sujeito despende a seu corpo ou a atributos dele (características as quais necessitam de minuciosa análise para serem descobertas).

Pode-se dizer que o corpo é constituído por aspectos objetivos e subjetivos. O primeiro diz respeito ao que se pode ver, à aparência do sujeito, aos adereços que ele apresenta – como brincos, colares e tatuagens, por exemplo –, às marcas etc. O segundo, por sua vez, referencia aos sentidos e significados que o sujeito estrutura profundamente (TEVES, 2007, p. 49).
É facílimo identificar um corpo por seu tamanho, sua largura, sua cor, seu sexo etc., mas exige uma análise constante e intensa se a busca for pelas significações que nele estão ocultas. Os easter eggs são protegidos pela persona, que apenas deixa aparecer um eu idealizado socialmente.O corpo representa, como afirma Daolio (1995, p. 25) o contexto em que o indivíduo está inserido. Ele é a forma viva da cultura, das capacidades, dos ideais, dos sonhos e objetivos do sujeito. Nossos atos, desde a forma como nos sentamos à maneira como reagimos em meio a uma discussão, são reflexos dos ambientes transpostos em nossos corpos. 
Existem, porém, outras significações do corpo. A forma como o sujeito se veste, a valorização que ele dá a sua voz ou ao seu paladar, a maneira como ele trata seu cabelo ou sua pele, são aspectos subjetivos ocultos. São esses aspectos que constituem o eu da psicanálise.Para Freud e a psicanálise, o eu estaria completamente ligado ao corpo. Muito mais do que isso, seria “uma extensão da superfície corpórea”. “Os processos fisiológicos e os processos psíquicos são interdependentes, fazendo com que o biológico e o simbólico dialoguem desde o início da construção da subjetividade” (FERREIRA, 2008, p. 473).Todas as representações que o sujeito faz do corpo são, como afirma Ferreira (2008, p. 477), as experiências de vida sintetizadas: são as emoções, os sentimentos, as características do que foi vivenciado, resumidos através de “sensações erógenas eletivas, arcaicas ou atuais, sendo também memória inconsciente de todo o vivido relacional”. 
A forma a qual o indivíduo atribui sentido ao seu corpo ou a uma característica em especial do mesmo, como afirma Ferreira (2008, p. 480), é constituída através de uma percepção, ao mesmo tempo, individual e coletiva. Na perspectiva da construção individual, o indivíduo produz uma imagem de si com a qual é capaz de apresentar-se ao meio social, enquanto que, na perspectiva coletiva, ele é moldado através do capitalismo que “exige” que busque aparatos para se adequar a sociedade contemporânea.O indivíduo, porém, não deve ser apenas passivo quanto aos padrões socioculturais. O capitalismo exige muito mais: quer que o sujeito lance tendências que sejam seguidas para em seguida investir, tornando-as também padrões (FERREIRA, 2008, p. 481). Poder-se-ia dizer que essa seria uma relação de mutualismo, mas como apenas uma das partes mostra-se realmente beneficiada, o termo correto a se utilizar é parasitismo, logo que o capitalismo retira do indivíduo o máximo, e não o devolve de forma justa.Pode-se dizer então, que a própria subjetividade que o sujeito não deixa transparecer é controlada, e que os sentidos atribuídos por ele (e não estão visíveis) não são livres de mediação social. Os easter eggs do corpo, apesar de ocultos, são de certa forma, fáceis de serem manipulados e modificados. Toda representação do corpo, pode-se dizer, é controlada por “forças sociais”, que atuam sobre ele e, em seguida, se mascaram, não se deixando mostrar. Nada o que fazemos ou vivenciamos está realmente livre." [2] 
Termino esta reflexão com este poem de Mia Coutodo do livro"Raiz de Orvalho e outros poemas: Entre o desejo de ser
e o receio de parecer o tormento da hora cindida.Na desordem do sangue a aventura de sermos nós restitui-nos ao ser que fazemos de conta que somos"

Referência

[1]http://pt.wikipedia.org/wiki/Rachel_Berry
[2]Fonte: http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicologia-analitica/mascaras-do-ego-aspectos-subjetivos-das-representacoes-do-corpo#ixzz2UAOf9Q1r Psicologado - Artigos de Psicologia

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Em busca de um Verbo infinito

Por Rosangela Brunet



Aquilo que é belo em nós, aquilo que fala da nossa humanidade ,aquele lugar mais desconhecido e sombrio que nos habita. É disso que gosto de falar. Como criadores de nossa própria história, como desprovidos do vitimismo , acolhendo o desejo de nossos próprios algozes que nos assustam,...é isso que me faz sentir que estou viva. É na indignação, no estranhamento e na coragem que vamos bordando nossos caminhos....
Mark Rothko. 
Luz Inacessível 

Por isso, essa " mania de ficar me esbarrando no indizível",como diz Hilda Hilst me movimenta.
É um verbo infinito que conjugo quando o silêncio me chama. 
Navego a tempestade.
Atravesso espaços desconhecidos, caio em águas profundas respirando  atmosferas inatingíveis
E o vazio de uma existência ávida de desejos, me abre como uma folha em branco, pintando aquarelas e avançando  limites de uma pele nunca antes tocada...Saio de minhas estranhezas e invado toda vizinhança da minha consciência.
Encontro,enfim, o grande Mar
Mergulho sem saber nadar.
Descanso em silêncio.
Escuto uma voz que venta, uma chuva que desaba, um raio que rompe trovões de pensamentos que me ferem...velejo  devagar. 
Então, tudo emerge como a aurora boreal.
Toda cidade aparece, as ilhas estão em paz.
Sobrevivo estações e chego no
movimento das primaveras  de palavras em expansões