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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Da Expansão e Reclusão Pode Nascer Uma Estrela

 Por Rosangela Brunet


"Fundamental para expansão da consciência é o reconhecimento de que constância da vida é sua impermanência" James Hollis

Hoje estava lavando uma caneca e deixei cair o detergente. Quando me baixei para  pegá-lo percebi que sua tampa havia fechado com o impacto da queda. Me lembrei desse mecanismos que desenvolvemos ao longo da vida quando alguém nos derruba de alguma forma e, por sua força feroz corremos o risco de ficarmos fechados para outras oportunidades de viver.
Mas com um olhar mais atento logo entendemos porque ele se fechou.Ele sentiu a queda, e a ameaça de ser invadido o fez se defender na hora certa.Mas ele não sabe se abrir sozinho.Precisa de alguém que oportunize sua função.Somos um pouco assim.Precisamos uns dos outros nas horas de reclusão e esconderijo .São momentos de intensa solidão, onde não se quer mais dar lugar a outro acolhimento e possível conforto. A engrenagem que nos estimula e vigora são,agora, segredos guardados a sete chaves sustentada pelo impacto da decepção. Qualquer fundamento ou sustentação só sobrevive em nossas mãos. É o momento da ponderação divulgando nossas incertezas representada pela fechadura dourada que revela
impossibilidade de amar outra vez.
Mas, o sobrenome do amor é vida, felicidade e libertação.Sem issocontinuaremos à "margem de nós mesmos".Muito tempo fechado faz a chave enferrujar.

Não deixe portas entreabertas
Escancare-as ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semi ventos,meias verdades e muita insensatez."
Cecília Meireles, in: Calçada de Verão.
Editora Nova Fronteira.Rio de Janeiro, 1989

Fechados não sabemos o que esta em nossa frente.Olhamos pelas "fendas ,onde passam apenas semi ventos, meias verdades e muita insensatez. ",como disse Cecília Meireles.Há que se decidir "bater a porta de vez ou a escancará-la".Mas para isso , é mister não se entregar, e sobretudo, discernir com sabedoria a mão que se estende para nos levantar.Mas "O homem saudável identifica sua necessidade dominante em determinado momento (figura), escolhe a forma de satisfazê-las e se dispõe a atender à nova necessidade (nova figura), dando curso ao fluxo permanente de formações e dissoluções de gestalten" [1]

O famoso "fechado para balanço , no momento da queda " traduz esse encaixe mágico de nos desvendar e nos permitir soltar outra vez. A reclusão nem sempre é ruim. Ela faz parte dos ciclos da vida. Precisamos "promover o caos" para depois sabermos nascer. Os mecanismos de defesa do ego são importantes nessa hora. Por isso, é necessário respeitar esse momento temporário. Há gatilhos que nos remetem ao passado e retoma os sentidos adormecidos,e depois acordamos mais lindos e soltos para vivermos mais plenos.Nada é em vão. Gatilhos suspendem nossos vestígios doloridos de abandono e dores que não desejamos mais
reviver ,mas é necessário ,ás vezes, reencontrá-los e, se fechar para se esbarrar com eles , e então retornar ao amor.

Termino esta reflexão com este trecho de Vera Felicidade : Quando somos surpreendido pelo que não percebíamos, não conhecíamos, o encontro se configura revelação, descoberta, conhecimento; é o encontro sem prévio, sem busca: apodítico. Descortina-se outra configuração, outra realidade, outra vivência: paixão pelo encontrado, pelo descoberto.É o caos, o conflito ou a imensidão do ser-com-o-outro no vértice que transcende limites, regras e padrões.."[2]



[1](Ginger, 1995) -"Mecanismos de Defesas Segundo a Gestatlt Terapia"
[2]Vera Felicidade .Psicoterapeuta

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dança como a "Palavra do Silêncio".


Por Rosângela Brunet

Segundo Claudio Marinho, nesse documentário Win Wenders quer mostrar que "Pina Bausch, é mulher de poucas palavras, e via na dança o potencial de preencher com movimentos o silêncio deixado pelas palavras não ditas. Mas diante da necessidade de se expressar verbalmente, palavras selecionadas e certeiras foram usadas para orientar os bailarinos. Alguns dos artistas relatam isto no documentário. Em quase 20 anos de convivência, a bailarina Ruth Amarante ouviu da coreógrafa um único conselho: “enlouquecer mais”. Para a tímida Ditta Miranda Jasifi, que durante as avaliações sobre os ensaios das coreografias se mantinha sempre discreta, uma pergunta de Pina - em tom de tristeza na voz – soou marcante: “Ditta, porque você tem medo de mim?”. Para um jovem bailarino que se sentia confuso diante da vida ela disse “dance por amor”. Para todos nós ela diz: “dancem, dancem ou estaremos perdidos”. Escrevo assim, “diz” – no presente -, porque a força da expressão parece ecoa agora. O movimento diz tudo.O que se vê nas coreografias é a força do desejo, tema recorrente na criação de Pina. Com movimentos precisos, o corpo reage ora com vigor, ora com languidez. Nada é feito gratuitamente. Há dosagem de energia, de força. A intensidade existe de acordo com a situação dramática que envolve o bailarino. E esta situação dramática consegue se definir em cena envolvendo o conjunto (artista, ideia, público), formando um corpo só. "[5] Muda-Cena-Muda

"O corpo, a partir da dança de Pina Bausch, ganha um vocabulário próprio. Morta em 2009, vítima de câncer, seu legado, pela ótica de Wim Wenders, chega pela ótica dos outros. Não é Pina que se apresenta, mas seus bailarinos. A relação é revelada sem rodeios: o filme é mostrado por um homem, de costas, ao lado de um projetor. Há um público para assisti-lo, e um intermediador.
A dança comunica-se com o público enquanto revela um universo à contramão. A dança é urgente e sempre confronta o que se convencionou apontar como “comum”, ou “real”, ou mesmo “cotidiano”. A dança de Pina grita enquanto o documentarista, Wenders, apresentará o que parece tentador chamar de “teatral”. Ao contrário, é puro cinema na relação dos cortes com os corpos, das luzes com os movimentos, do balé contra as máquinas que tanto desviam pessoas da real beleza dos detalhes".PINA, DE WIM WENDERS
Segundo Sigmund Freud " As criações, obras de arte, são imaginárias satisfações de desejos inconscientes, do mesmo modo que os sonhos, e, tanto como eles, são, no fundo, compromissos, dado que se vêem forçadas a evitar um conflito aberto com as forças de repressão. (...)" [1]

Mas o que existe neste inconsciente,além da palavra, segundo Carl Gustav Jung são imagens : " ...a psique é constituída essencialmente de imagens. A psique é feita de uma série de imagens, no sentido mais amplo do termo, não é ,porém uma justaposição , ou uma sucessão,mas uma estrutura riquíssima de sentido e uma objetivação das atividades vitais através de imagens..."[2]

Estas imagens contem um universo simbólico de existência possuída de significados subjetivos e complexos pertinentes a cada indivíduo. Segundo Jung " Por símbolo não entendo uma alegoria ou um mero sinal, mas uma imagem que descreve da melhor maneira possível a natureza do espírito obscuramente pressentida.Um símbolo não define nem explica.Ele aponta para fora de si, para um significado obscuramente pressentido, que escapa ainda a nossa compreensão e não poderia ser expresso adequadamente em palavras na nossa linguagem atual” [2]
Enfim, você nomeia a dor, o sofrimento, angústia , ou qualquer outro sentimento,mas na imagem há palavras não ditas. Mia Couto disse : O Poeta não gosta das palavras,ele escreve para se livrar delas.Ele dis que as palavras são distrações"
Realmente o que importa nesse processo de autoconhecimento e individuação é o inominável , o que ansiamos é o impronunciável. Isso é nos define. Bem(dita) a palavra."Mas preste atenção no que eu não digo.Clarice Lispector falou uma vez que o que ela não conseguia falar era mais importante do que o que ela dizia.Isso não significa que a palavra não seja importante. De forma alguma. O que quero dizer é que há o "não dito" onde habita o silêncio .Não sou lacaneana,mas arrisco um palpite ao dizer que, é justamente nesse silêncio , ali no entrecorte da comunicação, que fundamenta o significante citado na teoria de Lacan. Sonia Maria Sarmento de Freitas , em seu texto "Intersecção Psicanalítica do Brasil " explica de forma assertiva o que quero dizer sobre estes entrecortes da comunicação ,e a "Cena Muda" no silêncio do setting terapêutico:" Transitando pelo Simbólico, pelo Imaginário, ou captado pelo Real, o negativo da palavra desafia, interpela, provoca... Contracenar a cena muda é função efetiva do analista, faz parte do ato analítico, integra o tempo lógico. Lacan assinala no percurso do seu ensino as matrizes significantes do silêncio... sua escuta, seu manejo, estão no âmago de uma análise. A célebre frase ”O Inconsciente se estrutura como uma linguagem” indica que lá a escritura da Letra monta um discurso cifrado, a se sonorizar n’alíngua em rede significante... teia do desejo, do saber do não-saber... O discurso insinua ritmos: palavras entrecortadas, balbucios, silêncios rápidos e longos... São notações de valor distinto: o cerco à palavra, ora fecha, ora se distende.Enredo de gozo e morte, a emergir no fluxo da palavra. ...Lembro aqui a célebre referência de Théodor Reik, um dos pioneiros, discípulo de Freud, que Lacan qualifica “de boa cêpa”... Ele cita num impressionantemente atual artigo que escreveu sobre o silêncio em 1926, que a terceira orelha do analista seria aquela pela qual ele deveria escutar o silêncio... E Lacan brinca com isto, e faz piada, dizendo que seria mais uma para não funcionar... Desde Freud a questão do silêncio do analista se impõe. Recordemos uma das histéricas maravilhosas, a Emmy Von N., que o intima a calar-se... (isto na época das perguntas e das sugestões... da hipnose). Então, ela diz a Freud que ele não deve sempre lhe perguntar isto ou aquilo, mas deixá-la dizer o que tem a dizer... o que foi levado a sério por ele, como uma regra fundamentadora em análise. Os silêncios dos analisantes foram por Freud relacionados com o fluir do Inconsciente, e postos ao lado da censura. As questões da sexualidade se apresentam, aparecem os silêncios, e nesta inserção já assinalava Freud o “esquecimento“, vem acudir segurando a barra da censura. Ele, Freud, não encontra palavras para nomear os afrescos de Orvietto (o esquecimento de Signorelli), em “Sobre o mecanismo psíquico do esquecimento”, texto de 1898. E Lacan, na “Lógica do fantasma”, situa o silêncio na dimensão significante do “Não há relação sexual” (12/04/67).Em “Função e Campo da palavra” Lacan cita um artigo de Robert Fliess, psicanalista filho de Wilhelm Fliess, artigo clássico sobre o silêncio, datado de 1948, e diz que o autor demonstra que o discurso pode se tornar objeto de erotização, conforme os deslocamentos da imagem corporal determinados pelos momentos da relação transferencial. Os silêncios podem representar jogos de construções erógenas. A palavra seria uma gratificação equivalente a “dar pela boca”... Alguns níveis de silêncio dos analisantes atestam a presença de fantasias de gozo e de morte... limites entre o Imaginario e o Real. Aí, os processamentos transferenciais se manifestam no silêncio; são mobilizações do “O”... (e Freud, já menciona estes fenômenos nas “Observações sobre o amor de transferência”).Nos limites do real, se impõem simbólico e imaginário. Entre parênteses, entre vírgulas, o silêncio é Aposto; é uma conjugação oculta, complemento reclamado, interditado... termo reclamado... Metáforas que se calam correspondem à fraturas na articulação da ordem inconsciente... acidentes de percurso: a cena muda é uma produção significante; as articulações parecem poder ser restauradas. O processo transferencial poderá permitir a ortopedia, a restauração da palavra, mas não se pode re-articular tudo... como não se pode escutar tudo o que se apresenta além da palavra, principalmente restaurar é difícil, mas não é impossível. Algo pode ser restaurado.
Provavelmente atravessar o vale do silêncio é desafio proposto ao analista em sua escuta. É possível dar passos na perspectiva epistemológica da ordem da Letra. Poderiam corresponder os seus impasses postos em questão, aos efeitos de sentido n’a Letra... lá, onde se articulou sua inscrição como sujeito, os jogos pré-verbais em repetição na cena analítica. Litoral de uma escuta interessada? (o que seria isto?)... É que aqui me lembrei de Antonin Artaud... ele disse que, o ator seria aquele que emprestasse aos seus personagens o que ele chamou de “emoção interessada”. Na contra cena, o analista seria o que disponibilizasse aos seus analisantes a escuta interessada: a que está aberta aos silêncios e às palavras ocultas que deles podem vir a brotar. Lacan, ainda no seu seminário sobre “A lógica do fantasma”, retoma os antigos gregos da escola cética pirroniana, antes já citados nos “Écrits”, e recoloca diferenças entre o silêncio do recalque e o silêncio da foraclusão. O do recalque sinaliza algo que está lá: é o “táceo”: é o calar algo existente. Aqui o silêncio ativo, algo que ainda não pode ser dito e precisa tempo para se pronunciar. Tempos de modulação da palavra... O “sileo”, refere-se a algo que deveria ter acontecido, existido, e não aconteceu, não existiu... Aqui a referência ao silêncio foraclusivo, encontro com o Real, com o dizer impossível, o que não remete a nada... Este silêncio desta palavra que não chega a ser, arbitrada pelo nada, presentifica a morte... este silêncio compete ao gozo do Outro, avatares gozantes, que presentificam “A Coisa". [4]

Teatro " COMPANHIA DO LATÃO"
Um outro caso exemplar é o silêncio da sociedade frente a sua história. numa analogia ao silêncio de um indivíduo que reprimiu e recalcou conteúdos angustiantes. Maria Rita Kehl diz que "A verdade social não é ponto de chegada, é processo. Sua elaboração depende do acesso a informações, mesmo as mais tenebrosas, mesmo aquelas capazes de desestabilizar o poder e que, por isso, se convencionou que deveriam ser mantidas em segredo. ... a supressão da verdade histórica produz sintomas sociais gravíssimos –a começar pela repetição patológica de erros e crimes passados...Se o sintoma neurótico é a verdade recalcada que retorna como uma espécie de charada que o sujeito não decifra, o mesmo vale para os sintomas sociais. O Brasil ainda sofre com os efeitos da falta de acesso à verdade..."
A arte , então, se torna um instrumento pra NOMEAR " crimes' ou seja lá o que foi recalcado , reprimido , que foi silenciado, seja por ter chegado a hora de falar, ou seja porque o Real nos atravessou. Enfim, a arte possibilita o contato com estes silêncios. Na dança preenchendo o com Movimentos, na literatura com a palavra; os pinceis escrevendo e pintando o impossível do "não-dito" , e assim um variado saber sendo atingido na aventura da criação artística. 

Referências :

[1]Sigmund Freud, in 'O Pensamento Vivo de Freud'
[2] Carl Gustav Jung,In A Natureza da Psique
[3]COUTO, Mia. Poema "O poeta"
[4] Sonia Maria Sarmento de Freitas - Intersecção Psicanalítica do Brasil 

[6]Teatro " COMPANHIA DO LATÃO" :http://blog.companhiadolatao.com.br/

domingo, 31 de maio de 2015

Fotografia Angel : Ensaio Fotográfico sobre Ballet












 

Angel Nace el 21 de Marzo del 2010 con el inicio de la primavera, arropada por las flores, los sueños, el amor.....

Angels Seduce para despertar emociones, poner alas al alma, abrir tu corazón......
Angel~· no es sólo parte de mí, si miras hacia adentro también está en tu interior....
Todos somos canales de Luz.....Los artistas a veces sin saberlo son poseedores de este gran canal de información y sensibilidad, esto es plasmado en sus obras, en su creación.Toda esta Luz creada por ellos ha de ser extendida y recibida adecuadamente.
El ARTE es AMOR y el AMOR es la energía más poderosa que existe. Quien ama el Arte abre de par en par las ventanas de su corazón....
Si PromocionaS "ARTE" PromocionaS "AMOR" !!
* GRACIAS A TODOS LOS GRANDES ARTISTAS POR COMPARTIR SUS OBRAS, A TODOS LOS AMIGOS QUE LLEGÁIS A ANGEL~·, A AQUELLOS QUE SIN SABERLO FUERON LOS MAESTROS DE MI VIDA, Y A MI MI HIJA CARLA, UN ALMA DE MUCHA LUZ QUE NACIÓ A TRAVÉS DE MÍ......

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Pina Bausch

"É a via de acesso à sensibilidade. Latente, chega a incomodar. Não por acaso, a dança, em Pina, é um efeito à contramão da linguagem comum. A começar pela própria história não mostrada da bailarina morta, da fuga de Wenders do documentário “convencional”. Ele não quer revelar detalhes da vida dela – onde nasceu, o que fez até formar uma escola em torno de si e seus últimos dias – e sim sua dança, sua expressão, e, com elas, a grande artista.A experiência cinematográfica é única. Bailarinos que trabalharam com a coreógrafa e criadora relatam – mais em movimentos, menos em palavras – esse tal vocabulário do corpo, esse legado. Em um momento entre tantos, uma bailarina está presa a uma corda e, à luz, tenta alcançar a escuridão. Em cena, a noção de liberdade é questionada: poderá ela chegar àquele ponto de liberdade almejado sem mergulhar nas sombras? Em todo caso, o corpo movimenta-se e a dança carrega desespero.Em outro momento, a terra é lançada sobre o corpo da bailarina. A câmera aproxima-se da mulher que dança e, depois, coloca-se a distância, o que revela várias camadas – as grandes portas – em um único cenário. O efeito visual, para ficar apenas em um exemplo, é difícil de descrever. O que pode ser visto, sempre, é a necessidade de tocar a sensibilidade, tão cara – e invisível – à sociedade bruta.Por isso, um dos grandes trunfos de Pina é justamente colocar a dança em locais inimagináveis. Um deles, um parque sem sol, é o ambiente perfeito às quedas do corpo de uma mulher, sempre segurado por um homem. É a leveza da queda, como se ainda fosse possível encontrá-la em um ato brusco e aparentemente irracional. A aparência do acaso dá ainda novos contornos à arte de Pina: quanto mais parece louca ou improvisada, mais encontra sentido ao questionar a normalidade que sepulta a beleza.Wenders, também, não se desvia nunca dos palcos. Os bailarinos são sempre peças que dão forma ao todo. Não há preocupação em perder a humanidade, em ser vítima da distância. Há sempre os efeitos do cinema, ainda antes dos efeitos da dança: o controle dos cortes, da luz, dos movimentos de câmera que selecionam corpos à frente, corpos ao fundo. O documentário dito “convencional” escapa dali. Resta uma experiência.Os corpos são partículas. Em um determinado momento, artistas enxergam outros artistas em um palco em miniatura. As vidas estão por ali, a dançar. Parecem pequenas quando observadas do alto, mas não são. As partículas, unidas, dão forma ao mundo de Pina, seja ele o do documentário, seja o da artista. Várias vidas dão vez a uma só, não o contrário. A homenagem de Wenders – por meio da dança, do teatro, do movimento – fornece um contraponto às fábricas, aos carros, aos trens. Também às pessoas, imobilizadas e ligadas no piloto automático. A frase final não poderia ser outra senão aquela em que Pina clama pela dança. Caso contrário, “estamos perdidos”.[4]

Escândalo em Wuppertal
Cia. das Artes retrata  "Philippine Bausch, como   uma coreógrafa,dançarina, pedagoga de dança e diretora de balé alemã.Conhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente. Diz-se que várias delas são relacionadas a cidades de todo o mundo, já que a coreógrafa retirava de suas turnês ideias para seu trabalho.Entre os seus temas recorrentes estavam as interações entre masculino e feminino – uma inspiração para Pedro Almodóvar, em cujo filme, Fale com ela, Pina aparece em uma bela sequência de dança.
Acrescentou que ela foi diretora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, localizada em Wuppertal. A companhia tem um grande repertório de peças originais e viaja regularmente por vários países.
Destacou que os dançarinos em cena não dançam. Correm. Gritam e riem, contam piadas. Alguém derrama água e joga terra no chão do palco. Talvez até cresça grama ali. Piruetas velozes e pernas esticadas para o alto são coisas inexistentes numa encenação dessas. Mas seres humanos – pessoas vivas com medos, amor, tristeza e fúria. “O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move”, resume Pina Bausch o propósito de seu trabalho. A artista que se veste permanentemente de preto e calça número 41 é considerada uma das coreógrafas mais importantes do século 20."[3]

Abaixo confira um vídeo que mostra como é a proposta de Pina Bauch:

Já, no relato de  Aya Bach assinala que a " legendária coreógrafa Pina Bausch trabalhava apenas com bailarinos que considerava extraordinários. Em 1973, ela fundou a companhia "Tanztheater Wuppertal", que é, até hoje, mundialmente conhecida por sua dança expressionista radical. Poucos bailarinos são capazes de executar as peças de Bausch. Suas coreografias eram elaboradas de acordo com a personalidade dos membros da companhia. Ela diz que Pina era um Ícone da dança contemporânea, a qual  fundou a companhia Tanztheater Wuppertal em 1973. Quatro anos após a morte de Bausch, grupo celebra aniversário revendo o passado e ainda se preparando para um difícil recomeço.Pina Bausch nunca planejou liderar a divisão de dança da companhia de teatro de Wuppertal, mas foi convencida a assumir o cargo. Assim, ela transformou o balé de um teatro municipal em uma revolucionária companhia de dança. O Tanztheater Wuppertal se tornou um dos mais renomados patrimônios culturais de exportação da Alemanha.
Hoje, a companhia é dirigida por Lutz Förster, aos 60 anos. Ele também teve dificuldades em aceitar o cargo. Sua tarefa é mais do que complexa: manter o legado lendário da companhia e, ao mesmo tempo, criar espaço para o novo. "Primeiramente, eu rejeitei completamente a ideia", disse. "Mas não porque estava com medo, mas porque nunca tinha considerado essa hipótese".
Förster, que também atua como professor na Universidade de Arte de Folkwang, em Essen, se juntou à companhia como bailarino em 1975. Agora, é responsável pela temporada de aniversário da companhia, que inclui uma retrospectiva do trabalho de Pina Bausch. A temporada começou comPalermo Palermo, de 1989, uma das muitas peças que Bausch criou no exterior. O espetáculo foi inspirado na cidade italiana de Palermo e em seus habitantes.""[2]
Cena de "Wiesenland" de Pina Bausch, que teve sua estreia em Wuppertal em 2000

"Não estou interessada na maneira como as pessoas se movem, mas no que move as pessoas".
 (Uma das frases mais famosas de Pina Bausch )
 Aya Bach continua dizendo que com um trabalho sempre muito distante da elegância artificial do balé clássico, Bausch sempre buscou o que inspirava ou deprimia as pessoas. Quando os bailarinos marcham curvados ao longo dos escombros de um muro no palco, dá para perceber que a peça fala mais sobre a deformação interna do que externa, dos corpos dos indivíduos. 


Do início da companhia: "Café Müller" foi encenada pela primeira vez em 1978

Como bailarino, Förster foi testemunha de como a esbelta e contida Pina Bausch liderou sua revolução artística. Ela era persistente em apresentar seu trabalho inovador para a plateia conservadora de Wuppertal. Ela provocou escândalos, como na encenação de Blaubart (Barba Azul), uma orgia de pesadelo e destruição, que aparecia no programa do teatro ao lado de dignas óperas e inofensivas operetas. "Era um escândalo. Levou tempo até que um tipo de público diferente viesse ver os espetáculos – um público da área do teatro", lembra Förster.

Sucesso internacional

Segundo Förster, a recepção da companhia era muito diferente no exterior. "Era emocionante! Éramos incrivelmente bem recebidos e presenciamos reações bonitas e emocionantes da plateia". A companhia era convidada para os mais importantes festivais internacionais, onde artistas de vanguarda se encontravam e onde o público era mais aberto a experimentos.
Mas essa não era a única razão pela qual o mundo além das fronteiras alemãs se tornou tão importante para Pina Bausch. "Ela se interessava em conhecer outras culturas", diz Förster. "Ela se interessava nas pessoas de um modo geral e, por isso, se interessava também por todas as pessoas, em diversos contextos culturais. Ela tinha menos necessidade de visitar museus ou teatros do que de ir a lugares onde pudesse ver as pessoas".


"Le Sacre du Printemps" foi uma das peças mais bem sucedidas coreografadas por Bausch

Bausch desenvolveu uma série de peças ligadas a locais fora da Alemanha: Palermo, Roma, São Paulo, Santiago, Saitama, Istambul, Hong Kong e Los Angeles. Isso também contribuiu para seu sucesso internacional. "Eu admiro Pina cada vez mais. Ela criou algo universal que cativa o público de todo o mundo", afirma Förster.

Também durante a temporada de aniversário, o Tanztheater Wuppertal vai excursionar pelo mundo: diversos países europeus, Japão, Coreia, Hong Kong, Canadá. Quatro anos após a morte de Bausch, vítima de câncer, a companhia da pequena cidade de Wuppertal ainda é tão popular internacionalmente, que não dá conta de atender todas as solicitações ao redor do globo.

Bailarinos dos 20 aos 60 anos

Isso é, ao mesmo tempo, uma maldição e uma benção. A companhia poderia continuar a excursionar pelo mundo, por anos, com as peças criadas por Pina Bausch, sem ver a demanda diminuir. Mas eles não querem manter a companhia apenas como um santuário para o trabalho da artista. A temporada de aniversário, sob o título de Pina 40, mantém o foco no legado de Bausch. Mas o futuro não pode se limitar apenas a retrabalhar antigas peças.

"Temos bailarinos de 20, 30, 40, 50 e 60 anos. Isso não acontece em nenhuma outra companhia", ressalta o diretor. "Isso é fantástico em muitos aspectos, mas também traz problemas". A companhia tem que se rejuvenescer para os novos bailarinos, mas não há verba suficiente.
Orçamento apertado

Uma reorientação artística é um grande desafio. Förster não gosta de dizer publicamente como ela será realizada, mas apenas que seu objetivo é "encontrar o equilíbrio entre manter o legado de Pina e ao mesmo tempo levar a companhia por um novo caminho, não se esquecendo do começo de Pina e de sua coragem em inovar".
Mas isso também exige coragem político-cultural. Quando Pina Bausch começou, ela tinha um apoio que hoje parece impensável: tempo e recursos para convencer as pessoas certas. Agora, a cidade de Wuppertal não tem mais fundos suficientes para dedicar à companhia, e hoje há quem cobre que o governo federal destine fundos à companhia. Considerando tudo que o Tanztheater Wuppertal já fez pela reputação da arte alemã ao redor do globo, não deveria ser difícil que isso acontecesse.

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Fonte:
[1] http://www.dw.de/companhia-de-dan%C3%A7a-de-pina-bausch-completa-40-anos/a-17072396
[2] http://www.dw.de/a-companhia-de-dan%C3%A7a-de-pina-bausch/g-16757343
[3]http://www.ciadasartes.com.br/noticias/um-pouco-sobre-pina-bausch/#sthash.3ZLmixSf.dpuf
[4] Win Wum Wenders https://palavrasdecinema.wordpress.com/tag/pina/

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dança Pina Bausch

Coreógrafa Pina Bausch -Londres
Dança , em seu sentido original,é o movimento vivencial.. É movimento de vida,´ritmo biológico do coração, da respiração,impulso de vinculação à espécie , é movimento de intimidade..." Rolando Toro

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Cisne Branco :Canto e (Re) nascimento

Por Rosangela Brunet


"Ópios, Édens, analgésicos.  Não me toquem nessa dor.Ela é tudo o que me restou
Sofrer vai ser a minha última obra" Paulo Leminsk,In:" Dor 
Elegante"

"Não obstante, a lenda, que foi prenunciado por Sócrates no seu último discurso1 , permaneceu através dos séculos e aparece em vários trabalhos artísticos.Por extensão, canção do cisne ou "canto do cisne" tornou-se uma metáfora, referindo-se a uma aparição final teatral e dramática, ou qualquer trabalho final ou conclusão. "[1]
DAVID Jacques Louis 1748-1825 - SÒCRATES

Segundo Sonia Darthou " O “canto do cisne” é o último testemunho de um homem, a última obra de um artista, a declaração final de um poeta antes de morrer. Essa expressão tem sua origem na Antiguidade, com o filósofo Platão, que põe em palavras os últimos instantes da vida de Sócrates, por meio do diálogo Fédon. Condenado à morte pela cidade de Atenas em 399 a.C., sob a acusação de “corromper a juventude e introduzir novos deuses”, Sócrates foi chamado por seus discípulos para tomar a palavra.
O grande filósofo, com 70 anos de idade, teria declarado, antes de tomar o veneno mortal – a tristemente famosa cicuta –, que ele desejava realmente responder uma última vez, pois não se sentia invadido por pensamentos sombrios. Sócrates se compara aos cisnes que lançam um último canto antes de sua morte: “Quando sentem a hora da morte se aproximar, essas aves, que durante a vida já cantavam, exibem então o canto mais esplêndido, o mais belo; eles estão felizes de ir ao encontro do deus do qual são os servidores. (...) Eu, pessoalmente, não acredito que eles cantem de tristeza; acredito, ao contrário, que, sendo as aves de Apolo, os cisnes possuam um dom divinatório e, como pressentem as alegrias que gozariam no Hades, cantam, nesse dia, mais alegremente do que nunca”.
A metáfora já se encontrava em 1604 em Otelo, de Shakespeare, quando Emília, sua heroína trágica, no momento da morte, grita: “Ouça! Você pode me ouvir? Vou fazer como o cisne e morrer cantando...”.
Othello, The Moor of Venice, 1604

No início do século XIX, o editor de Schubert deu o título O canto do cisne a uma coletânea póstuma de 14 Lieder de tonalidade bastante melancólica, pois ele os considerava o testamento musical do artista. Quanto a Tchekhov, ele escolheu esse mesmo título para sua peça publicada em 1886. Ele coloca em cena o personagem de Svetlovidov, corroído pela doença e pela nostalgia, propondo uma última interpretação magistral dos papéis principais de sua vida para encerrar a carreira de ator.
Essa expressão, que permite imaginar as últimas palavras ou os últimos instantes de criação artística, se apossou em seguida de outros universos; ela foi retomada particularmente pelos jornalistas para qualificar as reformas de um homem político em fim de mandato ou a última invenção tecnológica de uma empresa ultrapassada pelos concorrentes."[2]

O Lago dos Cisnes

Companhia: The Royal Swedish Ballet [3]
O canto do cisne é uma lenda que se originou dessa crença de que todo cisne branco é mudo,  e só canta quando  pressente sua morte.
É  uma metáfora que pode ser entendida como a última performance,  a última obra ou  a última atuação  majestosa de alguém, que por definição,  já se subentende que é, ou se tornará um herói ou uma  personalidade que marcará a história.
Acreditava-se que os cisnes brancos eram   mudos  ,mas  antes de morrer cantam sua última linda e triste canção.Como se fosse possível atingir o  último desejo.
O desejo está sempre em obra, sem término e sem fim e, na mesma medida, a narrativa do inconsciente. "Livia G.Roza
 No entanto, esta crença foi refutada,mas a metáfora permanece pela  força do seu simbolismo.
Quem já não sofreu a dor e o  poder da transformação do(re)nascimento ? Todo Nascimento grita, diz Livia Garcia Roza.. Não é suave o movimento que se faz quando atravessamos a via de uma dor existencial, a qual possui duas saídas.A morte ou o (re)nascimento do Ser que vive em nós diariamente gritando para existir.
Abandonando um pouco a história , o discurso poético e psicanalítico, a visão da epigênese muito me atrai quando se fala de transformação,mudança e existência. A vida possui leis que devem ser conhecidas e respeitadas para que a tal "felicidade" subjetiva aconteça.
A teoria da epigênese explicada pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.)  a partir da    observação de um embrião de galinha Ela foi criada    se opondo á mentalidade causalista e determinista da vida. Ele acredita que um organismo que  gradualmente vai se transformando e adquirindo  forma á partir de de seu amorfismo ,assim como  gerado por uma "embrião amorfo" ,ou seja,  "Caos gerando a estrela" 2 .
O filósofo considerava os pais como os "princípios geradores" e que cada organismo, individualmente, começa de novo 3 . Assim, a epigênese acredita que o organismo não esta formado no ovo fertilizado, mas sim, que ele cresce progressivamente a partir de alterações profundas que ocorrem durante a embriogênese." [4]
Baseado nessa premissa  que considero adequada ao tema , a vida é cíclica e passível de transformação, nascimento e renascimento .Ser vítima da existência ou destino é enganoso. Ser fiel si mesmo é viver estes ciclos e respeitá-los como processo de (re)nascimento. Dentro de cada existência ha muitas epigêneses , se não reformulamos e nos transformamos acontece o impasse.Abandonemos a visão linear a causalista  avancemos para a não conformidade  e aceitemos o caos que faz nascer um novo dia.
 "Oh Cisne.Canta tua dor.Expõe teu desalento e consternação das noites que ficarão nas memória dos que te amaram . Nenhuma  desesperança ou  desolação será poupada. A languidez e a  melancolia de teus olhos  já se ajustaram ás tuas melodias de  luto e pesar. Tens que cantar antes de ir.Não há como explicar Apenas anuncias tua ida demonstrando teu fim .Figura de uma nova vida.Porque terminas Dizes que não serás mais mudo mas  tua fala
significa  tua morte cantada.Não podes  morrer o que nunca existiu . A Palavra que faltou dizer nascerá agora de teu pranto, e então viverás.
O não dito em tua mudez se manifestará agora demonstrando nascimento do novo ser.Nada acabou .Tua vida  grita para nascer e este canto é tudo que tens. Os sons apresentando teu nascimento, explicando tuas notas mais altas,manifestando tuas formas mais sublimes, dizendo tudo que não foi dito antes de tua morte. Se apresente, então. Fala agora quem tu és.Revela o mistério de teu silêncio   mantido com teus  acordes mais  altos.Compõe  o teu arranjo  ordenado disposto em dó maior .Que dor é esta? Porque partes assim depois de tanto silêncio.Fica para nascer.Ajusta outras combinações.Encontre outra ordem. Descomponha tua missão e faça
outra obra de arte desdobrada em outros acordes que nos acorde e nos devolva a paz. Cria tua história Germina e brota deste silêncio já que ele se  findou.Deixa emanar tua essência e não desista de romper esta manhã.
Desponta nessa manhã que insistes em deixar. Abra.Apareça. Desabroche.Desponta Que surja uma nova lenda " Rosangela Brunet,In: "O Cisne Branco :Canto e (Re) nascimento" 
BALLET DE L’OPÉRA NATIONAL DE PARIS
"ORPHEUS AND EURYDICE",2006
Um Exemplo do último canto do Cisne .Espero que gostem
"Por exemplo, a coleção de canções de Franz Schubert, publicada no ano de sua morte, 1828, é conhecida como a Schwanengesang (que em alemão significa "canção do cisne"). Isto traz a conotação de que o compositor estava prevendo sua morte iminente e usando suas últimas forças em um magnífico trabalho final"


Referência: 

[1]http://pt.wikipedia.org/wiki/Can%C3%A7%C3%A3o_do_cisne
[2]Sonia Darthou é mestre de conferências da Universidade de Évry-Val-d’Essonne:http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/historia_das_palavras_canto_do_cisne.html
[3] "O Lago do Cisne": Companhia: The Royal Swedish Ballet
Ano: 2002. Bailarinos Principais: Nathalie Nordquist com Odette/Odila,Anders Nordstrôm como Príncipe Siegfried
[4]http://pt.wikipedia.org/wiki/Epig%C3%A9nese