Mostrando postagens com marcador Escultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escultura. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Dependência Afetiva no caso Camille Claudel e Rodin
O Caso Camille Claudel e Rodin
"Alguns amores nos ensinam eternidades. (Mas) em poucos segundos entendi que, em mim, as suas não ficariam. Você não foi feito pra ficar. Você é vento. Vento que murmura. Vento que mistura. Vento que deixa. Você é o beco mais difícil do meu poema. Poema com saída. Não aprendi o ponto que te finaliza. Acendo uns atalhos. Te abrigo nas asas desse abraço. Te escrevo alguma liberdade. Tua ausência é o meu mormaço. Danço pra te ver nascer" Priscila Rôde
A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso. Camille Claudel, sua fortepersonalidade, sua intransigência, seu gênio criativo que ultrapassou a compreensão de sua época, como afirma o personagem de Eugène Blot no filme, permanecerá ainda e sempre um Sumo Mistério." Por iniciativa de seu irmão mais novo, é internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos.
![]() |
Obra de Camille Claudel. (08/12/1864 – 19/10/1943)
Sakountala ou L'Abandon.
Escultora francesa de uma sensibilidade fora do comum, que produziu obras de incomparável beleza e delicadeza.
|
Com apenas 17 anos, Camille conhece um dos maiores artistas de seu tempo, Auguste Rodin, de quem se tornou assistente, musa e amante. Depois de 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e seu sofrimento psíquico se acelera. Camille decide deixar Rodin. Em 1898 rompem definitivamente o romance, e passa a morar em seu estúdio, passando por problemas financeiros e psicológicos, ela acreditava que havia um complô de Rodin contra ela. Depois de 1906 ela destrói tudo que esculpe, joga no rio Senna ou enterra, acredita que Rodin a persegue e quer destruí-la. Após a morte de seu pai, sua família arranjou uma certidão médica (ela foi diagnosticada como portadora de delírio paranóico), e Camille foi levada à força para um hospício, onde passou os últimos 30 anos de sua vida e jamais voltou a esculpir. Camille Claudel morreu em Paris, 19 de outubro de 1943. ”
Essa fase da vida de ambos é marcada por obras de intensa .Essa relação foi marcada por sofrimento e abandono , a qual pode ser entendida como uma dependência afetiva e ouso dizer que era como um um tamponamento de sua, sofrimento e vazio. O abandono é um sentimento que pode remeter a fases mais primitivas de uma vida pessoa.Lembro-me de uma frase de Livia Garcia Roza que diz:: " Não sei se nos curamos do sentimento de abandono."
Camille Claudel, tinha uma personalidade forte e , sua intransigência, seu gênio criativo ultrapassou a compreensão de sua época, permanecerá ainda e sempre em um Sumo Mistério. Camille acaba internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos. . Elizabeth da Rocha Miranda , In: "Camille Claudel : "A arte de ser mulher" relata que ela morreu deixando uma frase que pode representar o inominável de sua "falta a ser ". Canille deixa escrito: "Há sempre algo de uma ausência que me inquieta."
Em um trecho de Carmen Silvia Cervelatti ,ela explica um pouco o fenômeno desta falta a que se refere Camille .Carmen diz “Da posição de não-toda, a demanda de amor (que tem potência de infinitude) é endereçada ao Outro barrado e retorna ao parceiro feminino como devastação, porque este lugar é um lugar não cerceado, não há limite, tende ao infinito. O parceiro-sintoma da mulher torna-se, assim, o parceiro-devastação(...) A criação artística revela o impossível de dizer, ou seja , a relação com o vazio do Outro, com o furo, que tanto o artista quanto o feminino podem experienciar e dar testemunho dele(...) A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. Camille Claudel Mais tarde, ela torna-se amante do mestre e cai em desgraça perante a sociedade parisiense. Após 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e mergulha cada vez mais na loucura e na solidão. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille. Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso.[2]
"Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, quando precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como que roupa vai usar, ou, até as mais difíceis, como que profissão escolher, se muda de emprego ou não, se continua namorando ou não, se casa ou não, enfim, em diversas situações.
Todos precisamos de uma opinião, em algum momento, a diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu objetivo se não for aprovado.
A dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, para ser amparada, ocupa um espaço vazio. Ela pode ser de uma pessoa específica, para lhe dizer o que precisa ser feito ou uma droga, um vicio, uma atitude de carinho excessiva.
Na verdade essas pessoas ou objetos tem uma única função para o dependente afetivo, dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional, no caso do dependente emocional elas estão prejudicadas.
Nascemos dependentes e ao longo de nosso desenvolvimento humano nos tornamos independentes, o vinculo criado entre os pais, vai dando lugar ao aprendizado e o crescimento emocional, quando isso não acontece o indivíduo se torna dependente emocional da mãe, cônjuge, amigos ou qualquer pessoa que possa suprir este vazio. Levy Moreno diz, que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos, primeiro por nossa família de origem, em segundo através das demais relações que vivenciamos durante a vida.
Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A dependência afetiva , muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no sistema familiar, pelos conflitos pessoais.Ninguém é dependente sozinho, DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente da mãe, com certeza a mãe também o é, ambos alimentam essa relação.A família é quem estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a auto estima e a sensação de segurança pessoal.
Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado, se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.Quando crianças aprendemos com nossos pais a termos responsabilidades e a superar frustrações, isto é realizado através dos limites e das responsabilidades impostas por eles, uma falha neste processo, podemos modificar nossa condição inata."[1]
Deixo com vocês uma vídeo lindo sobre as obras Rodin
Musee Rodin, Paris - the best online documentary
e uma outra leitura mais completa sobre "Amor ou Dependência Afetiva" : http://psicologiareflexaobrunet.blogspot.com.br/2015/08/dependencia-afetiva-ou-amor.html
Fonte :
[1] http://psicofaces.com/2015/04/14/dependencia-afetiva/
[2]http://artepsihefzibabrunet.blogspot.com.br/2013/12/sofrimento-psiquico.html
sábado, 22 de agosto de 2015
Aquele abraço que nos salva do fim do mundo
Por Eduardo Benesi
Todo abraço tem a calmaria da camomila e o sorriso de um Girassol. Não desconfie. Deixe que os peitos se encostem. Abraços neutralizam a dor que aponta rumo ao sul. O encontro dos corações é a mais linda das simbioses. “Só não vale economizar amor pra se proteger.”
Abraço desajeitado e brusco, de quem quer mãe e pai, porque um dia faltou toque. Espeta por fora e carece por dentro. Agarra o amor e não quer soltar, não pode soltar, carência hiperbólica. Nunca julguem alguém carente. Nem todos tiveram a cor vermelha do lápis de cor.
Abraço de fim de jogo. Aquele mal entendido daquela jogada em que uma inocente canela levou a pior. Inimigos. Um jura o outro de morte, mas o juiz apita pra encerrar. E pronto, abraço de “foi treta do jogo”, valeu, falou, zerou.
![]() |
| A Sweet Hug _Life size terracotta by BrunoTorf.Australia |
Abraço de quem não tinha uma palavra melhor. De quem não sabe o que dizer, e então abraça, dizendo muito de tudo aquilo que cala. Tem gente que não tem palavras pra dar e então abraça. Aceite quem não tem palavras, mas tem abraço. Aceite quem não tem palavra, mas tem um like.
Abraço de despedida. A gente sente o adeus, sem que algum profeta nos entregue. O coração nos avisa em um disparo incontrolável. A gente apenas sabe, sem ninguém dizer. Não existe adeus, existem últimos abraços . Por isso, sempre demore pra abraçar, garanto que não dói.
Abraço de aeroporto. Um aperto. Morte em avião é manchete de jornal, então venha cá antes de virar pecinhas de um quebra cabeça de carbono. Por via das dúvidas, me de um adeus preventivo, para caso você desparecer pelo mar e eu não te achar pelo azul estilhaçado.
Abraçaço. Coisa de Caetano. Deve ser da intensidade de gente que um dia não pode voltar e “dar um laço no espaço”. A saudade era um abraço faltando entre camisas florais. Abraçaço vem com exagero, quase que quebra as vértebras. Desmonta, despenteia, desmanteiga. Quem disse que a memória não é carente?
Tem gente que mente olhando nos olhos, mas um abraço nunca mente. A gente sempre percebe a temperatura , a gente sente tudo o que dentro tem. Até a mentira diz a verdade. Abraço é melhor do que lavar roupa suja. Ao invés de remoer o passado com listas e evidências, o abraço às vezes é o melhor “de agora em diante”.
A evidência está sempre por trás de um abraço. Quem dera pudéssemos enxergar a expressão facial de alguém que está nos abraçando. Ali mora o depois do olhar. Lindo é quem abraça de olhos fechados. Mas por trás de alguns abraços existem os piores olhares. Repare no rosto de quem abraça, é cinema puro, não há esconderijo.
Abraço é suco natural. Dizer eu te amo ás vezes é suco Tang sem mexer. Amor não é o que se diz, é o que se faz. Acredite no meu abraço, não no que prometo. Abraço é um bairro como o Bixiga. Abraço é uma cidade como Bruges. Abraço é um filme como “As vantagens de ser invisível”. Abraço é quando o céu promete não chover. Abraço é uma música da Karen’O.
Eu nunca fui o melhor no futebol. Era sempre o penúltimo a ser escolhido. O último estava no banheiro. Mas, já fiz o gol da virada, em plena final. Ganhei troféu revelação. Eu nunca aprendi a dar cambalhota nem jogar truco. Eu nunca acreditei nesse papo de “a gente nunca esquece depois que aprende a andar de bicicleta”. Eu já me esqueci. Da turma, fui o último a beijar, fui criança até o último pé de amora. Eu só passei na minha terceira prova de auto-escola e do vestibular. Eu jamais acertei um número de dança, nem ganhei na loteria esportiva – jamais achei que Senegal venceria a França na Copa de 2002.
Quando brincava de super-herói, ficava sempre com o personagem que tinha menos poderes. Eu nunca enxerguei como alguém sem óculos. Seis graus de hipermetropia sempre me separaram diametralmente da realidade, até por isso nunca achava a letra E de Eduardo na sopa de letrinhas. Mas o melhor que eu tenho é o meu abraço. E mesmo que eu me esforce para ser o melhor em tudo, nada pra mim vai ser tão mágico quanto o meu empenho em abraçar com força e soprar pra longe qualquer dor que o outro tenha.
Quando tudo parece nada, quando o cometa nos parte em pedaços não coláveis, tudo o que precisamos é de uma piscina de bolinhas ou de um abraço que nos salve do fim do mundo.
Fonte http://www.entendaoshomens.com.br/aquele-abraco-que-nos-salva-do-fim-do-mundo/
Indicação :
sábado, 15 de agosto de 2015
Função Catártica da Música
Por Rosangela Brunet
A música age no sujeito de uma maneira intensa, rápida, infalível e possui uma linguagem de aspecto universal que excede os limites da individualidade e atinge o âmago do ser. Por este motivo, Schopenhauer acredita que as demais artes referem-se às sombras, às cópias das ideias; enquanto a música refere-se ao protótipo, à essência que é a própria vontade:De modo algum a música é, como as outras artes, reprodução das ideias, mas reprodução da própria vontade, cuja objetividade também são as ideias; por isso o efeito da música é tão mais poderoso e incisivo do que o das outras artes; pois somente essas se referem à sombra, aquela porém à essência (SCHOPENHAUER, 2000, p.105).
![]() |
| Fotografia de Henr iManuel ,"Young Musician" Compartilhada Por Sebastião Salgador |
Frieda Teller num artigo sobre o talento musical e a fantasia (1917-19), comparou a emoção musical a um processo regressivo quase alucinatório, que assume a forma de fantasias e lembranças.Como modalidade singular de expressão do psiquismo recalcado, à semelhança do sonho, dos sintomas neuróticos e dos atos falhos, a música levaria quem a ela se entrega a uma espécie de experiência catártica, passível de descarregar suas tensões internas" (Pierre Kaufmann ,In Psicanálise e Música- Dicionário enciclopédico de psicanálise )
domingo, 26 de julho de 2015
Clarice Lispector e o Presente . Clarice ganhará escultura no Leme
Clarice Lispector ganhará escultura no Leme, bairro em que viveu no Rio.Essa é a Maquete da futura escultura da escritora Clarice Lispector, que será inaugurada no Leme
![]() |
| Escultor Edgar Duvivier |
Em geral considerada uma escritora mística e avessa às coisas do mundo, Clarice Lispector (1920-1977) _ a voz mais singular que a literatura brasileira produziu nas últimas décadas _ foi, na verdade, uma sensível intérprete do real. Quase 40 anos após sua morte, sua obra se conserva como um poderoso instrumento de interpretação e de interrogação da realidade. Clarice escrevia para chegar “atrás de detrás do pensamento”. Desconfiava das idéias feitas, dos lugares comuns e dos consensos. Não confiava na primeira leitura, exaltada e apressada, que costumamos fazer da realidade. Também não praticava a ficção com o propósito de espelhar o mundo, mas, ao contrário, de interrogá-lo. As perguntas que nos deixou valem muito mais do que a maior parte das respostas impacientes que ainda hoje formulamos para tentar viver.
São muitas as provas de seu engajamento. Escreveu certa vez: “O escritor não é um ser passivo que se limita a recolher dados da realidade, mas deve estar no mundo como uma presença ativa, em comunicação com o que o cerca”. A literatura teria como função promover um desnudamento do real. Um desmascaramento das crenças e superstições que o encobrem e o desfiguram. A ficção de Clarice se torna muito útil em um mundo atordoado por um grande falatório, um mundo excessivo, inquieto e superficial, que se limita a deslizar _ e a tirar proveito _ sobre a face da verdade. O mundo das pessoas “cheias de si”, que simulam a posse da verdade. Nele, é útil ouvir as palavras perplexas da escritora: “Sem me surpreender, não consigo escrever. E também porque para mim escrever é procurar”. Em vez de achar (de “acreditar”), simplesmente buscar.
Não aceitar rapidamente a verdade _ eis um ensinamento insistente de Clarice. Em um mundo enfático e retórico, regido pelos consensos e pela verdade gritada, apostar nas nuanças, na dúvida, na força da interrogação. Postar-se diante do real com as mãos vazias e a mente disponível para o encontro de novos caminhos e de novas perspectivas. Saber esperar que a verdade – pequena e discreta – finalmente apareça. Clarice chegou a se interessar intensamente pelo jornalismo. Em uma crônica de 1972, ela escreveu: “Hemingway e Camus foram bons jornalistas, sem prejuízo de sua literatura. Guardadas as devidas e significativas proporções, era isso o que eu ambicionaria para mim também, se tivesse fôlego”. Unir verdade e delicadeza. Arrancar os segredos sutis que se escondem atrás da brutalidade dos fatos.
Sua obstinação em chegar ao coração das coisas levou-a a destinos longínquos. Em uma entrevista ao “Correio da Manhã”, no ano de 1972, quando a repórter lhe perguntou por que escrevia, respondeu: “Eu fiz essa pergunta a Alain Robbe-Grillet quando ele veio ao Brasil. Ele me respondeu: _ Escrevo para saber por que escrevo. Minha resposta é diferente: eu escrevo para entender melhor o mundo. É uma lucidez meio nebulosa, porque a gente não tem direito consciência dela”. Mas talvez só essa “consciência nebulosa” nos sirva para interpretar um mundo igualmente complexo e nevoento, que parece avançar muito mais rápido do que nós.
A tecnologia dá saltos. O desenrolar dos acontecimentos é atordoante. Nossas mentes parecem pequenas demais para conter o real. Ele nos perturba e nos oprime com sua estridência. Não se enganem: a literatura de Clarice não nos oferecerá respostas prontas e imediatas. Tampouco nos trará afirmações. Estas são, em geral, enganosas e arriscadas. Pouco antes de morrer, o roqueiro Cazuza declarou ter lido Água viva, um de seus mais densos romances, 111 vezes _ e ainda não tinha chegado ao coração do livro. As respostas que Clarice oferece _ se é que podemos chamá-las assim _ são muito diferentes de soluções. Elas se limitam a lançar novas luzes, dissonantes e desconcertantes, sobre um mundo cada vez mais tenso e contraditório. Daí, provavelmente, a marginalidade de Clarice Lispector dentro de nosso sistema literário. Uns a vêem como uma filósofa. Outros, como uma bruxa. Clarice se tornou, na verdade, uma escritora inclassificável. É difícil aceitar as respostas que Clarice nos dá. Ela nos ensina que mundo é muito mais difuso, imperfeito e insano do que em geral consideramos. E que, por isso, devemos sempre pisá-lo com muito cuidado.
“A vida se me é e eu não entendo o que digo”, se lamenta, em certo momento, sua personagem G. H. Não aceita as ilusões do Eu – cheio de certezas, de empáfia, de insolência. Acredita que a humanidade está “ensopada de humanização” _ gêneros, modas, tendências, griffes _ , e isso impede o homem de chegar a si. A humanidade é risco _ e não retórica. É delicadeza _ e não intolerância. O homem não pode tudo e, por isso, deve considerar os limites estreitos de seu saber. Contudo, vivemos em um mundo repleto de “donos do saber”. Temos um grande temor à imperfeição e à limitação. A literatura de Clarice nos devolve, assim, o que perdemos em matéria de humildade e de brandura.
A aceitação da ignorância pode ser muito útil em um mundo no qual os saberes (e os poderes) se chocam, em busca de uma supremacia absoluta, na qual todas as divergências seriam anuladas. Diante dessa zoeira, Clarice propunha, é bem melhor calar-se. A amiga Olga Borelli, em um livro delicado de memórias, escreveu: “Ela possuía a dignidade do silêncio”. Calar-se, esperar, escutar _ eis a lição simples, mas dolorosa, que a ficção de Clarice nos transmite. Atitudes que parecem quase impossíveis em um mundo de falatório interminável.
Em nosso mundo de prepotência e de violência _ sobretudo verbal _, cabe pensar na inesquecível Macabea, a protagonista de A hora da estrela, seu romance de despedida. Uma mulher não só afastada da língua, a que tem um acesso precário e turbulento, mas, sobretudo, do mundo dos significados enfáticos e das fórmulas prontas. Das verdades tempestuosas. Seu romance evoca um antigo provérbio chinês: “Diga-me e esquecerei. Mostre-me e talvez em lembre. Envolve-me e entenderei”. No lugar da palavra usada como faca, para rasgar e sangrar, a escuta silenciosa. No lugar do escândalo, a espera. Em um mundo que tende cada vez mais aos saberes pétreos e aos fundamentalismos, a leitura de Clarice se torna uma forma salvadora de respiração.
Fonte: O Globo : http://blogs.oglobo.globo.com/jose-castello/post/clarice-e-o-presente.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo
sábado, 27 de junho de 2015
Auto Descoberta No Encontro Com O Outro
Por Rosângela Brunet
A Psique é a ciência do símbolo. E o símbolo engloba o sujeito e o objeto .A cultura ocidental materialista esta acostumado a viver no subjetivo, no discurso do sujeito.O Ego não é o dono da Psique.Existe o arquétipo Self que aponta para a totalidade e mostra que na consciência há o sujeito e o objeto: O ego e o outro .Ambos são formados pelo símbolo, e o símbolo é formado pelo arquétipo" Carlos Amadeu Botelho Byington do Instituto Sedes Sapientae, São Paulo, SP.
![]() |
| Yves Pires - Sculptures |
Carl Gustav Jung diz: " Conhecer sua própria escuridão é o melhor método de lidar com a escuridão dos outros".Ele nos explica que há muito mais a se conhecer e a se dizer além do que as aparências e o verbal. O inconsciente é uma realidade incontestável, e deve ser levado em conta quando se fala de Psique.
Segundo C.G. Jung " [...] às vezes somos tomados por estados e emoções que despertam em nós impulsos, sentimentos, pensamentos e imagens que nos parecem totalmente estranhos. Frequentemente, tais emoções são diametralmente opostas aos nossos pontos de vista ou intenções, de tal forma que dão a impressão de se tratar de manifestações de um ser com existência própria, diferente de nós.”[1]
A gente tem a mania de não querer ver o que esta na nossa cara. Em geral isso acontece porque temos a tendência de evitar a dor , a frustração e o sofrimento.
A gente quer mesmo é buscar o prazer.Mas o equilíbrio esta na busca pela verdade e na reflexão dos nossos desejos; aprendendo a diferenciar a fantasia da realidade , saber a diferença entre desejo e necessidade.Os sonhos e desejos que são legítimos contribuirão para uma vida de qualidade . Não se engane com uma
miopia emocional. .O universo não perdoa. Como disse Brena Braz: "Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?”
A neurose pode ser explicada por um conflito entre o desejo e o Eu. Para Lacan, a neurose não é um conjunto de comportamentos inadequados ou fora da ordem, e sim um mito que perdeu sua função coletiva e que se individualiza em uma história na qual o sujeito não se reconhece mais" Christian Dunker
![]() |
| Bernard Kapfer, |
A gente quer mesmo é buscar o prazer.Mas o equilíbrio esta na busca pela verdade e na reflexão dos nossos desejos; aprendendo a diferenciar a fantasia da realidade , saber a diferença entre desejo e necessidade.Os sonhos e desejos que são legítimos contribuirão para uma vida de qualidade . Não se engane com uma
miopia emocional. .O universo não perdoa. Como disse Brena Braz: "Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?”
‘Como disse Renato Dias Martino " Não pode haver superfícies verdadeiramente belas sem compreendermos as enormes profundidades".Enfrentar nossos fantasmas de frente é um desafio,mas nos fará mais fortes e maduros.
"Precisamos resolver nossos monstros secretos,nossas feridas clandestinas,nossas insanidades ocultas" Michel FoucaultComeçamos a crescer quando temos coragem de aceitar aquilo que somos e tememos. Ficamos mais fortes quando temos a coragem de olhar no espelho e enxergar tudo que nos assusta ,os nossos monstros mais secretos.Nossa pior escuridão. O problema nessa busca pelo desconhecido em nós e, pela descoberta da verdade é a dor que isso nos causa. Por isso só existe uma maneira de fazê-lo, e isso será através do encontro com o outro. Isso é o que facilita a autodescoberta, pois segundo Lacan é o outro que nos "nomeia e nos institui"
Conhecer a si mesmo depende diretamente da capacidade de amar o outro.”Renato Dias Martino
Bond of Union (1956)_Homage M.C.Escher.Netherlands
Mas falo de "encontro", não esbarrões .Pois não se pode sentir-se seguramente transparente diante de alguém que não te conforta por você ser quem é .É preciso ser continente , um lugar de acolhimento onde o outro esquece seus medos, descansa dos fardos da solidão e, repousa segura sua escuridão. Li um trecho que gostei muito uma vez e o traduzi do meu jeito:" Não tenha medo de ser fraco e nem seja orgulhoso por ser tão forte. Apenas olhe pra dentro de si mesmo e não se importe com o que os outros dizem Nunca desista e nem desperdice a chance de retornar à inocência..." [2]
Os indivíduos estão em contato com o meio e necessitam de desempenharem papeis na sociedade. Estes papéis são chamados Personas.O arquétipo da aparência .
Referência
Os indivíduos estão em contato com o meio e necessitam de desempenharem papeis na sociedade. Estes papéis são chamados Personas.O arquétipo da aparência .
![]() |
| Obra de Glenys Barton. |
A persona é uma máscara da Psique coletiva que aparenta individualidade, procurando convencer aos outro as e a si mesmo que é individualidade, quando na verdade não passa de um papel no qual fala a psique coletiva. A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara, por um lado, destinada a produzir um determinado efeito sobre os outros,e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo" Carl Gustav Jung ,In: " O.C. Volume XVII/2A Persona vai se dissipando na intimidade. Por isso as relações são fundamentais no processo de individualização em direção a totalidade.
Referência
[1]JUNG,Carl Gustav . Emma - in Animus e Anima.
[2](Tradução modificada de Enigma in Return To Innocence)
[2](Tradução modificada de Enigma in Return To Innocence)
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Dependência Afetiva
O Caso Camille Claudel.
Fonte :
[1] http://psicofaces.com/2015/04/14/dependencia-afetiva/
[2]http://artepsihefzibabrunet.blogspot.com.br/2013/12/sofrimento-psiquico.html
Alguns amores nos ensinam eternidades. (Mas) em poucos segundos entendi que, em mim, as suas não ficariam. Você não foi feito pra ficar. Você é vento. Vento que murmura. Vento que mistura. Vento que deixa. Você é o beco mais difícil do meu poema. Poema com saída. Não aprendi o ponto que te finaliza. Acendo uns atalhos. Te abrigo nas asas desse abraço. Te escrevo alguma liberdade. Tua ausência é o meu mormaço. Danço pra te ver nascer" Priscila Rôde
A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso. Camille Claudel, sua fortepersonalidade, sua intransigência, seu gênio criativo que ultrapassou a compreensão de sua época, como afirma o personagem de Eugène Blot no filme, permanecerá ainda e sempre um Sumo Mistério." Por iniciativa de seu irmão mais novo, é internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos.
![]() |
Obra de Camille Claudel. (08/12/1864 – 19/10/1943)
Sakountala ou L'Abandon.
Escultora francesa de uma sensibilidade fora do comum, que produziu obras de incomparável beleza e delicadeza.
|
Com apenas 17 anos, Camille conhece um dos maiores artistas de seu tempo, Auguste Rodin, de quem se tornou assistente, musa e amante. Depois de 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e seu sofrimento psíquico se acelera. Camille decide deixar Rodin. Em 1898 rompem definitivamente o romance, e passa a morar em seu estúdio, passando por problemas financeiros e psicológicos, ela acreditava que havia um complô de Rodin contra ela. Depois de 1906 ela destrói tudo que esculpe, joga no rio Senna ou enterra, acredita que Rodin a persegue e quer destruí-la. Após a morte de seu pai, sua família arranjou uma certidão médica (ela foi diagnosticada como portadora de delírio paranóico), e Camille foi levada à força para um hospício, onde passou os últimos 30 anos de sua vida e jamais voltou a esculpir. Camille Claudel morreu em Paris, 19 de outubro de 1943. ”
Essa fase da vida de ambos é marcada por obras de intensa .Essa relação foi marcada por sofrimento e abandono , a qual pode ser entendida como uma dependência afetiva e ouso dizer que era como um um tamponamento de sua, sofrimento e vazio. O abandono é um sentimento que pode remeter a fases mais primitivas de uma vida pessoa.Lembro-me de uma frase de Livia Garcia Roza que diz:: " Não sei se nos curamos do sentimento de abandono."
Camille Claudel, tinha uma personalidade forte e , sua intransigência, seu gênio criativo ultrapassou a compreensão de sua época, permanecerá ainda e sempre em um Sumo Mistério. Camille acaba internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos. . Elizabeth da Rocha Miranda , In: "Camille Claudel : "A arte de ser mulher" relata que ela morreu deixando uma frase que pode representar o inominável de sua "falta a ser ". Canille deixa escrito: "Há sempre algo de uma ausência que me inquieta."
Em um trecho de Carmen Silvia Cervelatti ,ela explica um pouco o fenômeno desta falta a que se refere Camille .Carmen diz “Da posição de não-toda, a demanda de amor (que tem potência de infinitude) é endereçada ao Outro barrado e retorna ao parceiro feminino como devastação, porque este lugar é um lugar não cerceado, não há limite, tende ao infinito. O parceiro-sintoma da mulher torna-se, assim, o parceiro-devastação(...) A criação artística revela o impossível de dizer, ou seja , a relação com o vazio do Outro, com o furo, que tanto o artista quanto o feminino podem experienciar e dar testemunho dele(...) A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. Camille Claudel Mais tarde, ela torna-se amante do mestre e cai em desgraça perante a sociedade parisiense. Após 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e mergulha cada vez mais na loucura e na solidão. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille. Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso.[2]
Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, quando precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como que roupa vai usar, ou, até as mais difíceis, como que profissão escolher, se muda de emprego ou não, se continua namorando ou não, se casa ou não, enfim, em diversas situações.
Todos precisamos de uma opinião, em algum momento, a diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu objetivo se não for aprovado.
A dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, para ser amparada, ocupa um espaço vazio. Ela pode ser de uma pessoa específica, para lhe dizer o que precisa ser feito ou uma droga, um vicio, uma atitude de carinho excessiva.
Na verdade essas pessoas ou objetos tem uma única função para o dependente afetivo, dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional, no caso do dependente emocional elas estão prejudicadas.
Nascemos dependentes e ao longo de nosso desenvolvimento humano nos tornamos independentes, o vinculo criado entre os pais, vai dando lugar ao aprendizado e o crescimento emocional, quando isso não acontece o indivíduo se torna dependente emocional da mãe, cônjuge, amigos ou qualquer pessoa que possa suprir este vazio. Levy Moreno diz, que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos, primeiro por nossa família de origem, em segundo através das demais relações que vivenciamos durante a vida.
Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A dependência afetiva , muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no sistema familiar, pelos conflitos pessoais.Ninguém é dependente sozinho, DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente da mãe, com certeza a mãe também o é, ambos alimentam essa relação.A família é quem estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a auto estima e a sensação de segurança pessoal.
Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado, se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.Quando crianças aprendemos com nossos pais a termos responsabilidades e a superar frustrações, isto é realizado através dos limites e das responsabilidades impostas por eles, uma falha neste processo, podemos modificar nossa condição inata."[1]
Fonte :
[1] http://psicofaces.com/2015/04/14/dependencia-afetiva/
[2]http://artepsihefzibabrunet.blogspot.com.br/2013/12/sofrimento-psiquico.html
terça-feira, 2 de junho de 2015
O Homem - escravo da vontade de Arthur Schopenhauer com Richard Westmacott.
Todo o desejo nasce de uma necessidade, de uma privação, de um sofrimento. Satisfazendo-o acalma-se; mas embora se satisfaça um, quantos permanecem insaciados! Demais, o desejo dura muito tempo, as exigências são infinitas, o gozo é curto e avaramente medido. E mesmo esse prazer uma vez obtido é apenas aparente: sucede-lhe outro, o primeiro é uma ilusão dissipada, o segundo uma ilusão que dura ainda. Nada há no mundo capaz de apaziguar a vontade, nem fixá-la de um modo duradouro: o mais que se pode obter do destino parece sempre uma esmola, que se lança aos pés do mendigo, que só conserva a vida hoje para prolongar o seu tormento amanhã. Assim, enquanto estamos sob o domínio dos desejos, sob o império da vontade, enquanto nos abandonamos às esperanças que nos acometem, aos temores que nos perseguem, ele não é para nós nem repouso nem felicidade amável. Quer nos encarnicemos em qualquer perseguição ou fujamos ante qualquer ameaça, agitados pela expectativa ou pela apreensão, no fundo é a mesma coisa: os cuidados que nos causam as exigências da vontade sob todas as formas, não cessam de nos perturbar e atormentar a existência. Assim o homem, escravo da vontade, está continuamente preso à roda de íxion, enche sempre o tonel das Danaides, é o Tântalo devorado de eterna sede.
— Arthur Schopenhauer, in As Dores do Mundo.
![]() |
| The Slave . Richard Westmacott.1775-1856.England_ |
domingo, 31 de maio de 2015
Public Art
![]() |
| Corner of Love Relief by Leonardo Bistolfi.Italy |
![]() |
| Waiting by Nnamdi Okonkwo.Nigeria |
![]() |
| -'Volare'_by_Lorenzo_Quinn,_North_Gardens,_Cadogan_Place_ |
![]() |
| vmotoMother&Child_Public Art_ |
![]() |
Public Art/Quebec. Obra de Pascale Archambault.Canada_Quebec General Hospital_Made in the context of a tribute to the fallen soldiers on the fields of battles, Indian War... |
Assinar:
Postagens (Atom)














































































