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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Uma Reflexão Sobre o Filme : "Ele Não Esta Tão á Fim de Você"

Por Rosangela Brunet

"Ensinam muitas coisas  para as garotas:Se um cara lhe  machuca, ele gosta de você.Nunca tente aparar a própria franja.E um dia, vai conhecer um cara incrível e ser feliz para sempre.Todo filme e toda história implora para esperarmos por isso:A reviravolta no terceiro ato, a declaração de amor inesperada, a exceção à regra. Mas as vezes focamos tanto em achar nosso final feliz que não aprendemos a ler os sinais, a diferenciar entre quem nos quer e quem não nos quer, entre os que vão ficar e os que vão te deixar.E talvez esse final feliz não inclua um cara incrível.Talvez seja você sozinha recolhendo os cacos e recomeçando, ficando livre para algo melhor no futuro.Talvez o final feliz seja só seguir em frente.Ou talvez o final feliz seja isso:Saber que mesmo com ligações sem retorno e corações partidos, com todos os erros estúpidos e sinais mal interpretados, com toda a vergonha e todo constrangimento, você nunca perdeu a esperança."Ele Não está Tão Afim de Você
Sinopse do Filme: Gigi (Ginnifer Goodwin) é uma menina romântica incurável que um dia resolve sair com Conor (Kevin Connolly).Ela espera que ele ligue no dia seguinte, o que não acontece. Gigi resolve ir até o bar onde se conheceram, na esperança de reencontrá-lo. Lá ela conhece Alex (Justin Long), amigo de Conor. Ele tem uma visão bastante realista sobre os relacionamentos amorosos e tenta apresentá-la a Gigi através de seu ponto de vista masculino. Por sua vez, Conor é apaixonado por Anna (Scalett Johansson), uma cantora que o trata apenas como amigo (objeto) e que se interessa por Ben (Bradley Cooper), casado com Janine (Jennifer Connelly).O casamento deles está em crise, o que não impede que Janine dê conselhos amorosos a Gigi, com quem trabalha. Outra colega de serviço é Beth (Jennifer Aniston), que namora Neil (Ben Affleck) há sete anos e sonha um dia em se casar, apesar de ele ser contrário à ideia”.[1]

O filme aborda o tema : Relações Afetivas , utilizando as relações amorosas como matéria prima desta obra cinematográfica.
Gigi (Ginnifer Goodwin) , uma pessoa romântica que sonha em encontrar seu Príncipe Encantado, mas em cada encontro se torna mais claro e evidente que ela esta em busca de uma pessoa idealizada. Após se tornar amiga de Alex , adquire um novo olhar a respeito de suas relações amorosas ,porém este olhar esta sob a perspectiva de um homem que não quer se comprometer e tem medo de intimidade.Ela, uma pessoa insegura, ansiosa, carente, sonhadora, com tendência a se apaixonar e se entregar facilmente, inicia uma relação de amizade inocente , sem considerar Alex como um candidato potencial ao cargo de homem perfeito;e, então, ele passa a ajudá-la a "entender" melhor o comportamento masculino. Ele se torna para ela uma espécie de consultor de relações afetivas.
Gigi é o retrato de mulheres com pouco autoconfiança, que idealiza ao invés de lidar com a realidade . Quem busca o ideal não tem facilidade de lidar com a realidade, e por isso não consegue, em seu caso, interpretar os sinais que cada parceiro emite .Por exemplo, Connor, não ligou para ela porque não queria ligar, mas ela não compreendeu a mensagem.De forma compulsiva, ela continua acreditando naquilo que reforça a crença de que ele seria um homem perfeito. Na verdade ela nem o conhece direito ,e seu primeiro encontro não foi grande coisa.Mas a realidade sempre da lugar a sua ilusão. Ela continua esperando Connor.
A dificuldade de lidar com o vazio e com a solidão, em geral, facilita o desvio da energia criativa em direção a objetos desejos com catéxis negativos .
“Ora veja… É o que sempre acontece às pessoas românticas: enfeitam uma criatura, até o último momento, com penas de pavão, e não querem ver, nela, senão o que é bom, muito embora sentindo tudo ao contrário. Jamais querem, antecipadamente, dar às coisas o seu devido nome. Essa simples ideia lhes parece insuportável. A verdade, repelem-na com todas as forças até o momento em que aquela pessoa, engalamada por elas próprias, lhes mete um murro na cara.”Dostoiévski
Fritz Perls diz que se o indivíduo “não pode decidir por si mesmo quando participar e quando fugir porque todas as suas vivências inacabadas de sua vida, todas as interrupções do processo contínuo, perturbaram seu sentido de orientação e ele não é mais capaz de distinguir entre objeto ou pessoas do meio que tenha uma catexis positiva e os que tem uma catexis negativa ;não sabe como ou do que fugir.Perdeu a liberdade de escolha, não pode selecionar meios apropriados para "sues objetivos fiais" porque não tem a capacidade de ver opções que lhes estão abertas.” [2].
Para Gestalt , esse é um caso clássico de neurose,onde o indivíduo não pôde encontrar no meio o objeto que o satisfaz, e direciona sua catéxis para um objeto que lhe proporciona dor e sofrimento. Ao invés dela ter um sentido de orientação na direção do objeto de catéxis positiva, ela não só erra seu objeto, como falha na hora de se afastar-se do mesmo. O indivíduo neurótico não sabe quando fugir ou quando ter contato com um objeto no meio .Fritz Perl diz que “Nem todo contato é saudável, e nem toda fuga é doentia.” No caso de Gigi , fugir de Connor seria uma atitude saudável.
Por outro lado, o próprio Connor, esta apaixonado por Anna e não percebe que esta sendo usado por ela, a qual esta apaixonada por um homem casado, que por conseguinte esta insatisfeito com seu casamento por desejar outras mulheres.
Enfim, depois dessa teia sofrida , complexa e tão conhecida por todos nós, algumas perguntas me vem a cabeça: qual o critério de escolha numa relação amorosa? E depois de encontrar essa pessoa, o que realmente faz essa relação durar?
Obviamente que a resposta esta longe de ser desvendada,mas eu desconfio de algumas coisas, as quais gostaria de compartilhar.
Uma questão importante a se discutir antes de responder e refletir sobre estas perguntas é o conceito de desejo e de necessidade. Em geral, o indivíduo tem muita dificuldade de entender a diferença entre necessidade, desejo, e fantasia(ilusão).
Para falar sobre necessidade gostaria de apresentar a Teoria da Motivação de Abraham Maslow (1908-1970)
A teoria da motivação de Maslow nos ajuda a entender um pouco sobre a diferença entre Necessidade e Desejo.Nos ajuda também a esclarecer esta dinâmica da Motivação.Ou seja, como e porque um indivíduo escolhe um objeto de desejo e abandona o outro, que pode ser tão agradável e tão positivo quanto o escolhido. Uma das teorias da motivação que mais me identifico é a de Abraham Maslow (1908-1970).
Esta teoria acredita que todo ser humano possui diversas necessidades hierarquizadas como uma pirâmide. Uma pessoa se sente motivada em função desta hierarquia .É necessário e fundamental identificarmos em qual categoria estamos para que possamos refletir e trabalhar em direção daquilo que desejamos alcançar. Ela serve como orientação para as escolhas que fazemos não somente no cotidiano, como em situações extremamente importantes de nossa vida.Veja esta tabela abaixo:



                                         Apesar do quadro acima estar lindamente sistematizado, o processo não acontece da mesma forma tão organizada e tão estática. Nem sempre esta hierarquia se manifesta para nós com tanta clareza e de forma consciente. Esta hierarquia com muita frequência se encontra misturada e disfarçadas de desejos ou fantasia. Eu gosto muito de um exemplo que nos ajuda bastante a entender este processo.Por exemplo, se estou com sede,minha necessidade é a água.A homeostase , que é a busca de um equilíbrio orgânico e emocional, prepara o organismo no sentido de ir em busca de um copo de água. Corpo e mente trabalham juntos nesse sentido. Por outro lado, o condicionamento, a aprendizagem e a o processo simbólico desenvolve em nós uma busca mais elaborada que fará com nessa hora, uns comprem uma lata de coca-cola,outro tomem um cerveja gelada, outros vá em direção a água de coco. É nessa hora que o sentido de orientação, como citado por Fritz entra em ação. O exemplo que dei,obviamente é bem simplório,mas a adulteração dessa necessidade acontece no processo da interação entre indivíduo e meio.Por isso, muitos desvios de escolha e orientação atravessa o fenômeno da percepção obstruindo nossos sentidos e subvertendo a capacidade de escolha. É necessário trabalhar arduamente pra entender esta dinâmica , e muita vezes é necessário obter ajuda profissional pra entender melhor e tornar isso consciente.

Em função dessa premissa de Maslow pode-se entender a complexidade que existe no processo de escolha e permanência de objetivos na vida. Eu posso fazer uma escolha acertada e feliz numa determinada época da minha vida, mas eu posso me perder pelo caminho e não saber mais conservar e permanecer nesta escolha.Por outro lado, posso fazer uma escolha desacertada e no meio do caminho ,no processo de amadurecimento descobrir qual era exatamente a minha verdadeira necessidade.E em ambos os casos o objeto escolhido será trocado ou abandonado por ter se tornado uma catéxis negativa.
O fato é que atualmente estamos presenciando literalmente um “mal estar” onde o indivíduo se sente inadequado ao seu meio,mas não por falta de liberdade,mas por incapacidade de escolha.É como se ele não estivesse onde deveria estar, como se ele não fosse aquilo que ele deseja ser .É o ideal em constante conflito com o essencial.Um desacordo entre o Ter e Ser. Uma desarmonia de valores , uma insatisfação permanente entre desejo insaciável e ofertas de consumo inalcançáveis . O corpo em conflito com a mente, a alma se distanciando do espírito .A família depois do prazer; o trabalho sendo utilizado a serviço da ganância. Relacionamento íntimo em desconexão com o sagrado. Sintomas cada vez mais desconhecidos; o adoecimento na prateleira da ciência que não acompanha sua evolução.Em todas as áreas o ser humano esta á margem de seu transitar no mundo.A doença se apresenta como incapacidade de amar , e a sociedade não consegue   atender essas novas demandas.
Enfim, o alvo nem sempre é o que parece ser, e o motivo nem sempre esta de acordo com a real necessidade. O caminho é longo, e o futuro chegará com certeza. Mas os desvios estão por toda a parte, em cada esquina que dobramos na vida que escolhemos ter .Por isso, trabalhe suas escolhas, permaneça com o que te faz feliz Não deixe ir embora aquilo que fez você saber quem você verdade verdade.

Referência:
[1] Site AdoroCinema
[2]1]Abordagem Gestaltica e Testemunha Ocular da Terapia. PERLS,Fritz.Pag.38

sábado, 30 de janeiro de 2016

Filme Perfect Sense (O Sentido do Amor)


Por Rosangela Brunet, In; Arte & Psicologia


Sinopse

"Susan (Eva Green) é uma epidemiologista que está tentando se restabelecer de um relacionamento passado e através de um paciente com um caso particular, que perdeu todo o olfato depois de ter uma crise emocional, acaba descobrindo um novo tipo de doença. Dia após dia, outras pessoas são relatadas com o mesmo problema em vários lugares da Europa, em seguida, do mundo, até transformar-se numa epidemia. Michael (Ewan McGregor) é chef de um restaurante vizinho do prédio onde Susan mora. Eles se conhecem neste mundo fictício onde o caos parece estar cada vez mais próximo. Logo após ter outra crise emocional, a população global perde mais um sentido, até lhes sobrarem somente a visão e o tato.

O uso da narração pelo olhar atento de Susan dá um aspecto poético e reflexivo em cenas que ficarão guardadas na memória por um bom tempo. O roteiro é competente em não enrolar, dando as informações necessárias, e somente. Não há indicação de culpados, apenas suposições, e como este não é o motivo da obra, realmente não era preciso discorrer tanto. É interessante pois o espectador acaba se focando no romance entre o casal e como eles estão lidando com a perda dos sentidos, que a epidemia em si acaba ficando em segundo plano, mesmo ela sendo a causadora de tantos problemas.

É importante salientar como a direção de som tem um aspecto muito importante no decorrer da obra. Não somente a banda sonora, mas em momentos de total silêncio onde podemos sentir o desconforto e desespero que os personagens sofreram ao perder a audição. A fotografia desempenha um papel um tanto depressivo no contexto. A própria Londres é uma cidade nublada e escura, e aqui, os tons negros parecem acentuam ainda mais as características da cidade.
O filme nos faz refletir sobre como seriam nossas vidas a partir do momento em que perdemos algum sentido, como falei no começo do texto. Mas indo ainda mais além, nos faz refletir sobre como nos relacionamos com as outras pessoas, sobre a nossa capacidade de poder amar o outro sem sentir. Michael, depois de perder o olfato, cheira Susan, e percebe que nunca chegou a sequer lembrar qual era o odor dela. Uma cena simples e impactante." :HIAN LIMA [1]
Um filme brilhante.Uma narrativa do sentido do Amor a respeito de quando tudo fará sentido...acho que foi isso que eu entendi


Um chefe de cozinha 



















 Uma cientista















O sentido de vida aparece quando parece que mundo acabou.













" .... Em primeiro lugar, fomos dominado pela tristeza, ódio ,ressentimento e rancor, e então todos os sentidos se foram. Essa é a doença. A vida continua. ... Você se acostuma com isso; e todas as memórias desaparecem desencadeadas pela falta dos sentidos , pois eles estão ligados ao cérebro....E você descobre que as maiores perdas são as memórias que nunca mais serão evocadas...sem os sentidos um oceanos de imagens desaparecem , e você pensa que o mundo acabou;...mas um dia tudo fará sentido,mas enquanto isso se divirta com a confusão,sorria em meio às lagrimas, e continue lembrando que tudo acontece por alguma razão e o maior sentido é o Amor "( Kim Fupz Aakeson,In: " Perfect Sense")
O filme não é um melodrama nem um romance clichê. O nome em português é bem medíocre.O filme não é comercial. O filme tem base na filosofia e na ciência. A gestalt , a física quantica, a mecância quântica e a neurociência falam sobre este tema, mas lembrei de uma frase de Paulo de Tarso, apóstolo de Cristo , que diz " Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.Agora, pois,permanecem a fé,a esperança e o amor,destes três, o maior é o amor." O sentido de vida aparece quando parece que mundo acabou.



Filme completo dublado
https://www.youtube.com/watch?v=HM8xx_hvfJY




[1] https://cinemacinefilo.wordpress.com/author/hianlima/

domingo, 17 de janeiro de 2016

Filme Shadows in the Sun / De encontro com amor - filme inspirador

Por Rosangela Brunet


Sinopse: 

Jeremy (Joshua Jackson), um editor do livro britânico, é um aspirante  escritor à procura de um novo sopro de vida. Ele é enviado pelo seu  editor chefe  para Toscana para  convencer Weldon 

Weldon Parrish (Harvey Keitel)  a escrever um um novo livro  depois de mais de 20 anos , o qual a depois de  ter feito muito sucesso no passado  se tornou  uma pessoa rabugenta e exilada . Jeremy  se apaixona pela filha de Weldon .
Só mais tarde, depois de muitas dificuldades, Jeremy  consegue se aproximar do verdadeiro   Weldon do passado que se torna seu mentor. O filme mostra os dois lado a lado trocando de experiências e pensamentos sobre vida. 
No final, depois de um diálogo apaixonante entre Weldon e Jeremy,  Weldon decide voltar a escrever. Ele encontra  novamente  inspiração e admite que seu bloqueio era o medo do fracasso. Jeremy  decide  fazer uma  grande e profunda transformação em sua vida . Deixa de ser  apenas um escritor  aspirate e  descobre sua  verdadeira  vocação: escrever. Ele diz: quero escrever porque   não consigo me ver fao outra coisa.O filme é provocante, inspirador, apaixonante e cheio de diálogos inesquecíveis.Foi escrito por Brad Mirman. A trilha sonora de Mark Thomas foi feita para filme e  faz jus ao cenário,, enredo  e proposta dessa obra de arte      
"A trilha sonora original do filme está agora disponível da MovieScore Mídia e iTunes.A música é composta e regida pelo  prolífico compositor britânico Mark Thomas .A música de Mark Thomas é uma orquestra poética e comovente fundindo elementos que ressaltam o romântico e muitas partes de solo italiano " [1]

LISTA DE MÚSICAS

1 títulos de abertura 3:20
2 para a Itália 1:32
3 caça por Weldon 01:48
4 Sombras Beguine 02:58
5 Weldon Drives 01:16
6 Um Lugar no Coração 01:30
7 Daydreams Romântico 1:52
8 Isabella: Love Theme 02:36
9 de Weldon Escritório 04:36
10 parasitismo 01:42
11 Santa Lucia 02:
13 Going Home 01:40
14 O escritor acorda 2:32
15 Farewell 02:12

Vou colocando aos poucos algumas frases e diálogos fascinante  que pude desfrutar ao assistir este filme 

Frases

"Na vida temos que agarrar o momento, e este você deixou passar

Diálogos entre Welton e Jeremy :


 Jeremy : Você sabia que eu não faria aquilo,né? 
Welton: É Claro que sabia.Você se preocupa demaiss com o que os outros vão pensar ao te verem fazendo  alguma coisa tola ou espontânea
Jeremy:Bom isso se chama prudência
Welton : Isso se chama chatice 
Jeremy: Talvez,mas é bem melhor do que ser louco
Welton: Todos precisam de um pouco de loucura .É  o que nos livra da dor deste mundo.Há um homem selvagem dentro de você, Jeremy.Eu o vejo nos seus olhos...Porque não deixa sair, voce pode gostar dele ? 
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Welton: Descreva para mim  o que você esta vendo? 
Jeremy:  BOm, eu vejo o sol esta se pondo ,vejo verde das colinas... 
Welton: Não, descreva como se você estivesse escrevendo.
Jeremy: Ah...o sol desceu atrás....
Welton: o sol desceu? Você conhece bem seu idioma, não é? Jeremy, qualquer um pode usar as palavras.Isso se chama conversar,mas os escritores as organizam de um jeito que tenham beleza e forma.Pense nas palavras como cores e o papel como uma tela.
Jeremy: Então,tá! Se e´tão fácil assim porque você não tenta pintá-la? 
Welton: ...eu talvez dissesse algo como  ...o sol se põe devagar incendiando o céu com faiscantes sombreados de vermelho e laranja.à distância nuvens escura sobre o horizonte , os ventos mornos do verão.Em breve o sol dará passagem á noite e com ela virá o silêncio que passa sobre tudo
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Welton: como vai o livro?
Jeremy: não sei . Não verdade  estou começando a  questionar se tenho ou não o que é necessário
Welton : , sim.Duvidar de si mesmo  é uma coisa comum em pessoas criativas.
Jeremy: você acha que muitas pessoas criativas são loucas?
Welton: é claro que são loucas.Para milhares de artistas os sonhos nunca serão realidade. Você tem que ser louco.....isso é a realidade,Jeremy. Arte não é o que escolhemos fazer. É algo que escolhe a gente. Porque você quis ser escritor? 
Jeremy: Sei,la eu penso que...
Welton: Não é algo que você pensa.É algo que você sabe...diga-se quando souber a resposta .

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Welton: Descreva Isabella para mim...

Jeremy: A luz do sol emoldura seu corpo num brilho de luz adocicada enquanto o vento dança suavemente  através dos fios de seus cabelos.Seu rosto é forte e altivo com olhos que não mostram facilmente seus segredos. É um rosto que não grita,ms suavemente acena




Uma cena linda quando Jeremy e Isabella Parish  dançam  linda a apaixonadamente

Abaixo o link do filme completo dublado

 



[1] M Movie Scorre Midia http://moviescoremedia.com/shadows-in-the-sun-mark-thomas/No
[2] googleplay le encontramos as canções do filme Vide link https://play.google.com/music/preview/T7m52ybby647aiwbck6i7khc6nq?preview=AE9vGKru4SlVf_o-RAEuJCUiegQKDXK0_9kpy3zr6JZYdA37bs79qqd1-cBoXo0_LtIbuXdk-Pg5_p2bxXSoJJoGU5LO-GxOMT2dEjku_zSwd5MrZHpF71U%3D

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Hannah Arendt - Banalidade do Mal

Banalidade do Mal


No ano de 1961, 15 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, inicia-se em Israel o julgamento de Adolf Eichmann por crimes de genocídio contra os judeus, durante a guerra. O julgamento intensamente mediatizado, é envolvido por muita polêmica e controvérsia. Quase todos os jornais do mundo enviam correspondentes para cobrirem as sessões, tornadas públicas pelo governo israelense. Uma das correspondentes presentes ao julgamento, como enviada da revista The New Yorker, é a filósofa alemã, naturalizada norte-americana, Hannah Arendt.

Além de crimes contra o povo judeu, Adolf Eichmann foi acusado de crimes contra a Humanidade e de pertencer a uma organização com fins criminosos. O réu se declarou "inocente no sentido das acusações". No entanto, foi condenado por todas as quinze acusações que pesavam contra ele e enforcado em 1962, nas proximidades de Tel Aviv.[1]





Em 1963, com base em seus relatos escritos para The New Yorker, sobre o julgamento, Arendt publica um livro - Eichmann em Jerusalém. Nele, ela descreve não somente o desenrolar das sessões, mas faz uma análise do "indivíduo Eichmann". Segundo ela, Adolf Eichmann não possuía um histórico ou traços antissemitas e não apresentava características de um caráter distorcido ou doentio. Ele agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questioná-las, com o maior zelo e eficiência, sem refletir sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar.

Em Eichmann em Jerusalém, Arendt retoma a questão do mal radical kantiano, politizando-o (ver: ponerologia). Analisa o mal quando este atinge grupos sociais ou o próprio Estado. Segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, nem metafísica. É político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaçoinstitucional para isso - em razão de uma escolha política. A trivialização da violência corresponde, para Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalidade do mal se instala.[2] [3]


Hannah Arendt
Nós, o Brasil e a banalidade do mal



Por Marcia Tiburi

Hannah Arendt, filósofa que dá nome ao filme de Margarethe von Trotta, é autora de uma das obras filosóficas mais importantes do século 20. A diretora opta por retratar a filósofa como uma pessoa comum, a professora envolvida com seu trabalho acadêmico, suas aulas e pesquisas. Fixa o enredo do filme no período em que Hannah Arendt escreveu seu polêmico Eichmann em Jerusalém. Tenta mostrar o que se passava com a filósofa, o cenário que a motivou a escrever o livro cujo conteúdo foi tomado por muitos como um escândalo. O motivo era a análise desmitificatória de Adolf Eichmann, o carrasco nazista capturado na Argentina e julgado em Jerusalém em 1962. Esperava–se desse homem que fosse um monstro, um ser maligno, um louco, cruel e perverso. A percepção de Arendt acerca do caráter desse personagem histórico, de sua postura comum que o fazia igual à tanta gente, causou mal estar.

Foi justamente a postura de Eichmann que permitiu a Arendt cunhar a ideia tão curiosa quanto crítica relativa à “banalidade do mal”. Por banalidade do mal, ela se referia ao mal praticado no cotidiano como um ato qualquer. Muitas pessoas interpretaram a visão de Arendt como uma afronta à desgraça judaica, enquanto ela – filósofa descomprometida com qualquer tipo de facção, religião, partido ou ideologia – tentava entender o que realmente se passava com a subjetividade de um homem como Eichmann.

Arendt não tomava sua condição de judia como superior à sua posição como pensadora comprometida com a compreensão de seu tempo. A condição judaica era, para ela, condição humana. Não menos, não mais. O problema da subjetividade, das escolhas éticas que implicam liberdade e responsabilidade, era a questão central no momento em que se tratava de pensar e realizar a política.

A performatividade da tese

No filme, fica claro que aqueles que se manifestaram furiosos ou ofendidos contra a tese de Arendt de fato não a compreenderam. Isso porque a tese da banalidade do mal é uma tese difícil, não por sua lógica, mas por seu caráter performativo. Aquele que é confrontado com ela precisa fazer um exame de sua consciência particular em relação ao geral e, portanto, de seus atos enquanto participante da condição humana. A banalidade do mal significa que o mal não é praticado como atitude deliberadamente maligna. O praticante do mal banal é o ser humano comum, aquele que ao receber ordens não se responsabiliza pelo que faz, não reflete, não pensa. Eichmann foi caracterizado por Arendt como uma pessoa tomada pelo “vazio do pensamento”, como um imbecil que não pensava, que repetia clichês e era incapaz de um exame de consciência. Heidegger, o filósofo nazista que diz ter se arrependido de aderir ao regime, era, no entanto, um gênio da filosofia e, contudo, não era diferente de Eichmann.

Aterrador, no entanto, é que entre Eichmann, o imbecil, e Heidegger, o gênio, esteja o ser humano comum. Eichmann não era diferente de qualquer pessoa, era um simples burocrata que recebia ordens e que punha em funcionamento a “máquina” do sistema, do mesmo modo que cada um de nós pode fazê-lo a cada momento em que, liberado da reflexão que une, em nossa capacidade de discernimento e julgamento, a teoria e a prática, seguimos as “tendências dominantes” como escravos livres, contudo, de si mesmos. Sair da banalidade do mal é fazer a opção ética e responsável na contramão da tendência à destruição que convida constantemente cada um a aderir.

A banalidade do mal é, portanto, uma característica de uma cultura carente de pensamento crítico, em que qualquer um – seja judeu, cristão, alemão, brasileiro, mulher, homem, não importa – pode exercer a negação do outro e de si mesmo.

Em um país como o Brasil, em que a banalidade do mal realiza-se na corrupção autorizada, na homofobia, no consumismo e no assassinato de todos aqueles que não têm poder, seja Amarildo de Souza, seja Celso Rodrigues Guarani–Kaiowá, uma parada para pensar pode significar o bom começo de um crime a menos na sociedade e no Estado transformados em máquina mortífera.[1]

[1] Enciclopédia Wikpédia
[2]Revista Cult


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Aprendam o SIlêncio

Por Rosangela Brunet
(Uma pesquisa sobre o Tema Solidão e o Cinema de Andrei Tarkovsk)
"Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar." (Rainer Rilke)
A palavra que nos falta esta sempre negociando nossa existência, nos tornando sujeito do que não conhecemos , nos constituindo e nos transformando naquilo que o outro nos determina. Que palavra é essa que não pronunciamos,indizível pelo que que nos falta ser...O que importa é o inominável; o que ansiamos é o impronunciável. Isso é o que nos define. Bem(dita) seja a palavra,mas "Mas preste atenção no que eu não digo."No "não dito" é onde habita o silêncio fértil , ali no entrecorte da comunicação, que fundamenta o que realmente importa . Por trás dos nosso "nadas" a palavra se esconde disfarçando universos temidos ....por isso, tanta gente tem dificuldade de conviver com o silêncio do outro e até do seu próprio. O poeta José Inácio Vieira de Melo disse: "As Palavras estão Grávidas " , e Livia Garcia Roza acrescenta " Estamos sempre no limite do impronunciável".
O silêncio é cheio de paisagens.Por isso , eles são tão caros, não suportam o barulho dos signos previstos no dicionários. O que não falo tem que ser dito sem formas e (de)formas des(conhecidas) ; ausentes das falácias cheias de rotinas nos olhos.As palavras são distrações. O que me importa é o inominável , o que eu anseio mesmo é o impronunciável. O silêncio, o não-dito, os entrecortes da fala, o significante do desejo , os desvios anunciando o vazio , o "não-saber' se estruturando sobre o inesperado. Que seja bem(dita) a palavra!! "Mas "preste atenção no que eu não digo" Quando a cena é muda a alegria é bonita só de existir, e a coragem espontânea se apresenta enxergando o paraíso , e visitando paisagens cheia de felicidades sonhadas,demolida pelas esperas aflitas de tanto falar.Ali os meus olhos tem todos os sonhos que não cabem em mim , e cintilam surpresas anunciando futuros; porque ali moram os que ousam calar,ali habitam os que amam.
O silêncio é composto de muitas palavras,mas elas necessitam de paz para entendê-as.Elas só falam a quem esta disposto a ouvir. O Silêncio só Fala quando Silenciamos em Paz. O silêncio vibra no Inatingível e habita no inominável.Como um véu ladeando o impronunciável não há quem o interprete. Pois é ausência dos ruído das certezas . Noite de palavras. Sossego do pensamento repousando sobre a impossibilidade do dizer. Experimentando a inação dos movimentos , atravessando os dias sombrios, fazendo nascer o milagre e desvendando o desconhecido.A paixão sempre será sua aliada, pois quando tudo termina , somente ela se sustenta nessa dimensão. O silêncio é um misterioso oceano submerso no infinito.O segredo da criação.É a terra fertilizando . Ali nos encontramos com o que somos. Somos livres dos mortais porque no silêncio ele subsistem .É Música da cor de céu.Longa interrupção sinestésica forçando pausas na existência. Sinal de que é hora de deitar as angústias, representar as esperanças,guardar o futuro improvável do incorrigível.Ali , livre do fracasso das prisões, silenciamos nossas armas, lavamos nossa alma, calamos nossas falhas.Silêncio: O berço dos significados.É isso...o silêncio é um lugar de encontro e auto descoberta .Um espaço de renascimento . O inominável habita ali.É ali que a fonte de alegria, felicidade, e força pode ser liberada. A ausência de certeza se encontra no silêncio .Então, eu sossego, repouso e descanso, esperando e calando toda dor e sofrimento .E, enquanto isso a Luz vai nascendo em mim , sussurrando em meu ouvido , dizendo: Você esta se desvendando e sua existência é infinitamente feliz.Viva agora!!
"...assim como o espaço em branco é importante no poema, assim como a pausa organiza a música, o saber pode brotar do silêncio. O jorro contínuo de palavra pode ostentar apenas ansiedade. O conhecimento pode se instalar no entreato.O silêncio também fala. É isto que se aprende durante as ditaduras. E por outro lado, durante as democracias se aprende que o discurso nem sempre diz. Portanto à audácia de desaprender o aprendido, soma-se a astúcia do silêncio." (Affonso Romano Sant’Anna Em Um "Discurso proferido no Palácio Capanema )
"O silêncio numa vibração Inatingível é habitação do inominável.Como um véu ladeando o impronunciável , não há quem o interprete. Pois, é ausência dos ruído das certezas .Noite de palavras.Sossego do pensamento repousando sobre a impossibilidade do dizer .Conhece a inação dos movimentos atravessando os dias sombrios, fazendo nascer ,assim, o desconhecido. E a paixão sempre será sua aliada, pois quando tudo termina , somente ela se sustenta nessa dimensão.O silêncio é misterioso oceano submerso.As palavras são distrações. É preciso se livrar delas .O que me importa é o inominável , o que eu anseio mesmo é o impronunciável. O silêncio, o não-dito, os entrecortes da fala, o significante do desejo , os desvios anunciando o vazio , o "não-saber' se estruturando sobre o inesperado. Que seja bem(dita) a palavra!! "Mas preste atenção no que eu não digo"
Quando a cena é muda a alegria é bonita só de existir, e a coragem espontânea se apresenta , visitando a paisagem cheia de felicidades antigas. Ali os meus olhos tem todos os sonhos que não cabem em mim , e cintilam surpresas anunciando futuros, porque ali habitam os que ousam amar enquanto não falam.
" Toda arte é uma forma de literatura, porque toda arte é dizer qualquer coisa. Há duas formas de dizer - falar e estar calado. As artes que não são a literatura são as projeções de um silêncio expressivo. Há que procurar em toda a arte que não é literatura a frase silenciosa que ela contém, ou o poema, ou o romance, ou o drama."Fernando Pessoa

Andrei Tarkovsk

Segundo Rejane Borges "O Cinema de Andrei Tarkovsky é complexo. Andrei Tarkovsky era complexo. Afirmou que "por meio do Cinema era necessário apontar os problemas mais complexos do mundo". E ele, de fato, situou os problemas do mundo em seus trabalhos. Era um existencialista, queria conhecer a fundo a consciência do Homem. Assistir a um filme de Tarkovsky é como dialogar com a filosofia. Intimista, detalhista, racional. Entretanto, este excesso de racionalismo é, por vezes, compensado por uma dose de fantasia, o que deixa seus filmes ainda mais intrigantes. . Começou sua carreira com o renomado "Andrey Rublev" (1966), sobre a vida do pintor russo de ícones religiosos. Considerado por muitos críticos sua obra-prima, o filme trata sobre fé e espiritualidade. Logo após veio Solaris (1972), uma profunda análise existencial que mistura ficção científica e filosofia. Em 1974 lançou "O espelho", quase um diário de memórias do diretor, com uma narrativa amparada nas poesias do próprio pai, o que confere um ar romântico ao enredo. É neste filme que Tarkovsky atiça todos os sentidos com uma originalidade surpreendente para a época. Em 1979 lançou "Stalker", também com traços autobiográficos, e venceu o "Prêmio da Crítica do Festival de Cannes", em 1980. "Stalker" trata, com maestria, as relações entre os indivíduos. A sede pelo autoconhecimento levou o cineasta a produzir uma obra que pode ser considerada uma das mais pessoais de todo o Cinema, uma obra quase que inteiramente autobiográfica, a qual buscava conceitos absolutos como a Verdade, o Amor, a Liberdade, a Consciência.Por ser inspirador foi chamado de "Dostoievski do Cinema". ...seus trabalhos continuaram com a mesma temática e em 1983 lançou "Nostalgia", com o qual regressa à infância em uma verdadeira odisséia de lembranças. Seu último filme foi "O Sacrifício", de 1986, permeando temas como determinação e esperança, levando quatro prêmios em Cannes. À época, o cineasta já estava combatendo um cancêr de pulmão que o levou à morte naquele mesmo ano.O cineasta exige de seu público certa introspecção, por serem seus temas sempre enigmáticos e apoiados em correntes filosóficas"[1]
Andrei Tarkovsk filmando "The Mirror" 


Segundo ABATE ALEPH " A solidão é, talvez, o exercício mais natural do nosso poder. Isso é quando nós crescemos alguns dos estado mais nutritivo para a mente eo espírito, quando experimentamos as tempestades mais substanciais e quietude mais reconfortante A pratica da solidão saudável é um veículo requintado. Nosso diálogo interno tem corantes especiais e nós temos que nos confrontar, auto-regular sem intermediários. No entanto, em muitos contextos, isso não é valorizado . É menosprezado , por suspeita ou mesmo por medo; é evitada a todo custo e está associada com a ideia de derrota social ou de tédio. E essa aversão cultural à solidão acaba privando milhões de pessoas a aproveitar, os benefícios que só ela fornece.

The Mirror (Зеркало)

Um entrevistador perguntou para Tarkovsky, placidamente no cimo de uma árvore. Para que o cineasta russo, cuja obra certamente comunga com elementos tais como pausa, silêncio e solidão, Ele responde que todos deveriam aprender a cultivar a solidão:"Eu não sei, eu acho que eu só gostaria de dizer : aprendam a estar sozinho e tentar passar o máximo de tempo possível com  vocês mesmos. Eu acho que uma das falhas entre as pessoas  é que elas tentam  ficar no meio de  eventos que são barulhentos, quase agressivo. Em minha opinião, esse desejo  e   evitar  de   sentir sozinho é um sintoma de se sentir  infeliz. Cada pessoa precisa aprender desde a infância como passar o tempo cosigo mesmas. Isso não significa que a pessoa deve estar sozinho, mas não deve ficar entediado com você mesmo, porque as pessoas entediadas com sua companhia pode estar em perigo no que diz respeito à auto-estima ." [1]
The Mirror (Зеркало)

The Mirror (Зеркало)

The Mirror (Зеркало)

Andrei Tarkovsky, Sculpting in Time


Rubem Alves diz :É preciso educar os ouvidos a ouvir, e ouvir frequentemente as coisas que não são ditas(...)Há uma voz, há alguma coisa que é dita nos interstícios "

Esta reflexão me fez lembrar de texto de Everton Behenck sobre Solidão e Silêncio




"Se você se encontra sozinho, só olhe para si e espere calado.Não interrompa o silêncio.Ele é um mundo falando .E é tanto.Não importune sua solidão com agendas de telefone ,com mensagens

antigas. Elas agora são sala vazia.E uma visita seria dolorida.É gratuita.Deixe que a solidão se assente.Espere paciente que ela encontre seu lugar em você.Provavelmente levará algum tempo,e o primeiro ímpeto.Será buscar abrigo no primeiro amigo que passar a porta.Mas é provável que seja inútil . Então, não faça .Deixe sua solidão descansar .Leve-a até a janela para que possa ver a rua ,e s sentir o vento no rosto.(A ausência precisa respirar).Pode acontecer uma certa vertigem pela violência com que se impõe de súbito.Esse novo e amplo espaço ao redor de você é a solidão.O desterro de pés no chão .Não saberá jamais se ela o perdeu ou você a ela.Mas isso já não será importante.Permita que sua solidão lhe conte o que tem guardado há tanto tempo enquanto você escondia-se dela nela.Escute atentamente e seja forte e calmo.E esteja pronto para algum choro quem sabe.Uma vontade de deitar.Uma sensação de que é tarde .A solidão sabe seu limite.E não fará nada em nome de uma dor deliberada .Entenda sua solidão e a nobreza do que ela traz. Nas mãos.Torne seu olhar brando e as mãos leves .Deixe que sua solidão lhe apresente, finalmente ,ao que eventualmente ,pode vir a ser você "


"E mesmo quando o barulho de fora for alto demais, confuso e estridente,Continue a tocar sua própria melodia no seu ritmo, calma e tranquilamente...Gabriela Saad


Referências :

[1]© obvious: http://obviousmag.org/archives/2010/09/o_cinema_poetico_de_andrei_tarkovsky.html#ixzz3lS4YW8E6
[2] PUBLICAÇÃO em Vital dicas [1] em 06 de abril de 2015 por ABATE ALEPH http://www.saludypsicologia.com/posts/view/619/name:Un-mensaje-de-Tarkovsky-para-los-jovenes-APRENDAN-A-ESTAR-SOLOS
Fonte de Fotografias 
http://madmuseum.org/series/andrei-tarkovsky-sculpting-time
http://www.blogsoestado.com/emcartaz/2014/07/09/grandes-diretores-andrei-tarkovsky/
http://www.madmuseum.org/events/mirror-%D0%B7%D0%B5%D1%80%D0%BA%D0%B0%D0%BB%D0%BE

domingo, 6 de setembro de 2015

CAKE, UMA RAZÃO PARA VIVER Uma análise psicodramática do luto


Por Edgar Weslei Santos Aragão¹
Natan Reis Gomes²

O filme aborda o drama de Claire Simmons (Jennifer Aniston), uma mulher vivenciando o luto da morte do filho que busca ajuda em um grupo de apoio a pessoas com dores crônicas. Durante o processo, ela se vincula com a história de vida de uma participante do grupo que acabou se suicidando. Tentando descobrir um pouco mais sobre a vida da colega de grupo e como se encontra a família da mesma após a perda, Claire, inconscientemente, inicia o enfrentamento do próprio luto. Embora a morte seja um processo inerente à vida, aceitar esta condição é sempre uma tarefa difícil. Neste contexto, Perazzo faz referência à parábola do grão de mostarda, ilustrando esta realidade:
A parábola da doutrina budista conta que uma mulher, tendo aos braços o filho morto, acorre a Buda e suplica que o faça reviver. Buda lhe diz que consiga em qualquer casa alguns grãos de mostarda que devolverão a vida à criança. No entanto esses grãos terão que ser obtidos numa casa onde nunca morreu ninguém. Esta casa não é encontrada pela mãe e ela compreende uma das lições fundamentais do budismo: a de ter que contar sempre com a morte. (Perazzo, 1995, p. 58).

Diante desta temática recorrente, nossa protagonista pode muito bem representar o estado deprimido de homens e mulheres que surgem nos consultórios, buscando respostas e alívio para sua dor diante de uma perda. Um luto que acaba cristalizando o indivíduo, impedindo que o mesmo encontre novas possibilidades, ou use sua criatividade para se adaptar e resignificar a situação na qual se encontra.
Obviamente, nenhuma mãe espera enterrar os seus filhos e Claire tem toda a sua vida transformada diante deste terrível acontecimento. Após o acidente, ela se isola do mundo, tornando-se uma pessoa amarga, intransigente, incapaz de perceber a continuação da vida à sua volta, aprisionando-se dentro de sua própria casa, já que agora o mundo é um lugar injusto e sombrio demais para se viver. Perder o filho foi perder a si mesma, já que aparentemente não há mais ninguém a quem cuidar; a pessoa que representava o centro do seu mundo desaparece, deixando uma lacuna em seu papel complementar de mãe, tornando a tristeza marca adicional que acompanha as cicatrizes deste acidente.
Se o meio em que vivemos facilita o contato com a morte e contribui para a elaboração do luto, as marcas, que sempre existirão, é claro, terão o curso natural de uma cicatriz que se adelgaça e esmaece. Caso contrário, sem esta facilitação e absorção social, tais acidentes permanecerão transferencialmente aprofundados em nossas inter-relações com o outro no mundo dos vivos. (Perazzo, 1995, p. 142-143)
Desse modo, este vazio prejudicou os outros papéis de Claire, seja o de mulher, amiga, advogada, e tantos outros que foram afundados na dor deste luto patológico, tendo em vista que, nossa protagonista se cristalizou no papel de mãe enlutada.
Um papel é uma experiência interpessoal e necessita de dois ou mais indivíduos para ser posto em ação. Todo papel é uma resposta a outro (de outra pessoa). Não existe papel sem contrapapel. (Fonseca Filho, 1980, p. 20)
Ou seja, Claire não tem mais esta vinculação, a troca, o retorno do afeto dirigido a seu filho, assim ela evita a todo o tempo encarar o luto, silenciando a dor de sua perda com o uso de drogas e tornando-se não apenas uma consumidora compulsiva de medicamentos, mas também uma mulher insensível aos sentimentos das pessoas que lhe cercam, sabotando e manipulando suas relações, afinal o conforto do entorpecimento é mais fácil do que encarar a responsabilidade de criar novos papéis ou resignificar papéis antigos. 
Neste casulo que habita, a protagonista ainda conta com o suporte e o cuidado de Silvana (Adriana Barraza), que passa a ser mais do que sua simples secretária. Ela representa para Claire o ponto de equilíbrio no qual pode se apoiar para encarar a sua realidade. É ela quem dirige o carro enquanto Claire, sempre debruçada no banco do carona, resiste ter coragem de olhar para o mundo que existe do lado de fora. Ela é a amiga, a mãe, a protetora, que assume a responsabilidade de suportar a amargura de Claire e lhe fazer companhia, após ela ter abandonando a tudo e a todos, inclusive o seu próprio casamento. Esta cuidadora vem representar o apoio que Claire necessita, possibilitando algumas vezes que a rede de suas relações se reestabeleça.
Outro personagem importante que sempre está contracenando com Claire, contribuindo de algum modo com a elaboração do luto, é Nina (Anna Kendrick). O contato com ela no grupo de apoio e, consequentemente, com o seu suicídio, fez com que Claire se deparasse com os seus próprios conflitos e ideação suicida. A partir daí o suposto “espírito” de Nina passa a atormentá-la em todos os lugares, alfinetando, provocando e questionando algumas atitudes dela, representando simbolicamente o seu inconsciente, a parte mais sombria de sua psique.
Um dos diálogos significativos ocorre quando Nina aparece no hospital levando um bolo de aniversário com cobertura branca e algumas velas amarelas para o quarto de Claire, no tempo 1:14:54’ o diálogo expõe um aspecto importante:
Nina – Faça um pedido.
Claire – Não consigo pensar em nada.
Nina – Isso não importa, assopre as velas.
Jung traz a ideia de sombra como sendo “a parte negativa da personalidade, isto é, a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções mal desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente pessoal” (2007b, p. 58). Ou seja, se tomarmos Nina como a projeção simbólica da sombra de Claire, podemos aferir que, ao assoprar as velas e ver Nina se jogar da janela do hospital com o bolo, Claire entra em contato com a própria ideação suicida. 
O desfecho do filme traz uma representação muito forte da aceitação, o caminho de cura para a protagonista. A cena é bem simples, mas potencialmente simbólica. É quando ela se ergue para a vida, permitindo-se, mesmo diante dos desafios, criar saídas e ser espontânea para conduzir sua vida por novos caminhos.
Só mesmo a elaboração do luto, o enterro interno desses mortos, torna possível sua transformação em apenas memória, de modo que o afeto dela decorrente não se torne um impedimento para o desempenho dos diversos papéis que a vida a todo instante nos oferece. (Perazzo, 1995, p. 126).
Concluindo com esta citação, não poderíamos deixar de dizer que esta obra cinematográfica é cheia de possibilidades para análises diversas, pois possui uma riqueza de temáticas em seu enredo a serem abordadas, seja a relação conjugal, a maternidade, terapia de grupo, suicídio, vícios, depressão, o desempenho de papéis, ou mesmo o luto patológico que foi a temática protagonista desta análise.
Referências:
FONSECA FILHO, J. S. Psicodrama da Loucura. Correlações entre Buber e Moreno. São Paulo: Ágora, 1980.
JUNG, C.G. (2007b) Psicologia do Inconsciente. Petrópolis, Vozes.
PERAZZO, Sérgio. Descansem em paz os nossos mortos dentro de mim. São Paulo: Agora, 1995.


Ficha técnica:
Título original: Cake
Distribuição: California Filmes
País: Estados Unidos
Gênero: drama
Ano de produção: 2014
Duração: 92 minutos
Classificação: 14 anos
Direção: Daniel Barnz
Roteiro: Patrick Tobin
Elenco: 
Jennifer Aniston
Sam Worthington
Anna Kendrick

Fonte da Postagem : http://profintpsicodrama.blogspot.com.br/2015/08/resenha-critica-i-cake.html?m=1

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Filme "Gone Girl" ( A Menina Perfeita )


 

*** David Fincher é um diretor com um  excepcional interesse em explorar as coordenadas da identidade moderna. Esta tendência começou a sério com Fight Club 's exame dos efeitos destrutivos da cultura de consumo, e continuou através de A Rede Social' recente representação do distanciamento emocional causado por imersão em mídia de massa s. A nossa era atual esta no meio de uma crise de identidade, e no mais recente filme o diretor de ido menina joga fora como uma parte de companheiro neo-noir de A Rede Social, com o seu foco mudou de masculino para feminino identidade.
O filme abre com a voz de Nick Dunne (a a encantadoramente passiva Ben Affleck) discutindo seu desejo de abrir a cabeça de sua esposa, Amy Elliot-Dunne (a ravishingly enigmático Rosamund Pike), para que ele possa entender melhor seus pensamentos.
Sua esposa é um mistério impenetrável, o filme inicia-se com esta nota em primeiro plano - o desconhecimento do desejo e da identidade como um kernel temático central para o filme. Amy passou não morreu, ela não foi sequestrada, ela se perdeu , ela é simplesmente se foi. A busca se segue para encontrá-la  com um ritmo medido e uma atmosfera sinistra que trabalham juntos para criar um sentimento de pavor consistente na montagem. A música de Trent Reznor e Atticus Ross é absolutamente impressionante, utilizando uma mistura distinta de sentimentalismo romântico e "portentousness" sinistro que desloca e vai se  construindo ao longo da história. Diretor de Fotografia Jeff Cronenweth pinta suas composições fotográficas com um pincel escuro e desaturado,  e o editor Kirk Baxter corta estas pinturas, juntamente com precisão afiada e dissonante (ambos são colaboradores Fincher frequentes). Paralelemante a  investigação de Nick Amy vai narrando sua história escrita em seu diário. Ali Amy escreve   sobre o seu encontro inicial e uma variedade de outros acontecimentos que levaram ao seu desaparecimento, e da forma como estas cenas são integradas a sugestão da narrativa é  abrangente na desconstrução do filme de uma fantasia romântica. No flashback, os dois pombinhos ainda estão sob  o feitiço   um do outro, mas assim como as ondas das música chega ao seu clímax e concursa-se abruptamente, ela volta cortando os detalhes tranquilos e mundando o processo em curso. Fincher constantemente interrompe o melodrama apaixonado da situação, comprometendo assim o poder fantasmático de seu amor. Girl Gone é completo e ,às vezes, brutalmente honesto-em seu retrato de romance. E a fantasia do amor  romantico  encontra-se banido do mundo frio de Fincher.


Conforme  a busca de Amy continua, mais ela vai aparecendo em cartazes e outdoors , e, é exatamente isso  o que corremos o risco de  fazercom nosso seu verdadeiro eu. Sua ausência é a preocupação central do filme, não só ao nível da narrativa, mas tematicamente também. É como se seu corpo desaparecesse, mas sua imagem permanecesse. Em um mundo onde a identidade é cada vez mais deslocada para o "si mesmo".
 Amy é uma mulher que se "auto-desaparece"  inteiramente. Ela forja os sinais que exigem seu retorno. Ela é, literalmente, uma "Girl Gone", uma menina que só existe como inexistente. A natureza do caráter contraditório de Amy constitui o fundamento da política feminista do filme. Ela vê que todas as opções disponíveis para a identidade feminina estão estruturadas em torno do desejo masculino: ela critica repetidamente a "menina perfeita," a qual faz exclusivamente o que os homens querem que ela faça. Esta é a imagem  que Amy constrói  de si mesma em forma de protesto. Ela se recusa a ceder terreno em relação ao seu desejo. Ela tenta arrancar a identidade feminina da opressão da dominação masculina na sociedade-uma luta que ocasionalmente se torna violenta, mas que no entanto nunca perde de vista o seu propósito. Ela é uma anti-heroina intensamente íntegra, apesar de sua ferocidade cruel,......E é exatamente por isso que Nick quer abrir sua cabeça e examinar seus pensamentos. Este desejo de olhar para dentro de alguém, para ser capaz de ver as aparências externas do passado, é quase tão difundida numa presença no filme como a  notável ausência de Amy. Personagens recitam constantemente clichês e citações como meio, construindo a sua identidade a partir dos restos fragmentários de outros.
Como David Fincher  coloca: "nós criamos uma fachada, uma projeção narcísica do nosso idela de imagem" para mostrar a outras pessoas.  Mas esta criação é sempre falsa, derivada de uma construção de si a partir do outro. Nick é particularmente problemático sobre  este assunto.   Parte da magia da criação de Fincher é que não há nenhum protagonista claro. É não há só aparência, mas   caráter também em questão. Todo mundo é corrupto, e apenas quando você acha que você figurou o caráter de alguém pela aparência, outra camada é retirada.  . Mas   toda essa   loucura de gelar os ossos, há um empate perverso que vai deixar você com fome de  querer voltar  continuar  procurando respostas

Fonte
Listas de David Fincher | Top 10 do 2010 do Adaptações | Girl Power | Digital Cinematografia Rastreamento de 2014: Lançamentos anuais | Novas Descobertas |All Together



Fonte : http://www.screeningnotes.com/2014/10/identity-politics-being-gone-in-gone.html

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Esse Obscuro Objeto de Desejo

Por Leila Oliveira

Certamente, um belo filme de Buñuel, que revela toda a sua relação com o movimento surrealista. O movimento formado por artistas que propunham uma maneira diferente de ver o mundo, uma vanguarda artística que transcende a arte. Uma ampliação da consciência, uma liberdade de expressão, sem exigência da lógica e da razão, assim, como o mundo dos sonhos.
No sonho, sabemos, é a satisfação de desejo embora o desejo só se realiza e não poucas vezes, ás custas do próprio eu. Ele irrompe, chega sem avisar, nos surpreende e entra sem ser convidado. As formações do inconsciente, como os atos falhos, sonhos, lapsos, sintomas, são paradigmas freudianos que nos ensinam sobre o caráter essencial do desejo. Mas que desejo é esse, de Mathieu e Conchita?
Buñuel constrói e desconstrói, na ficção, um dos mecanismos mais caros da teoria de Freud. Vamos então, á nossa viagem de trem para Sevilha construindo as cenas.
No trem, um comportamento inesperado do protagonista, chama a atenção de seus amigos de viagem, e ele procura explica-lo, narrando os motivos que o levaram a tal ato, aparentemente, sem a menor censura.

Mathieu, um homem de meia idade, burguês e solitário, se apaixona desesperadamente por Conchita, uma jovem de 18 anos, meiga, doce, insolente e virgem.
E então se faz aparecer um jogo erótico, de pura sedução, onde pode se perguntar: o que quer a mulher? Qual o desejo de Conchita? E Mathieu, o que espera da mulher? Ele espera que ela lhe dê o que lhe pede, o objeto sexual.
Ele fica siderado por essa mulher, de um certo desejo, desejo do ato sexual.
Mas, Conchita oferece a Mathieu, apenas partes de seu corpo para que ele goze .”Assim, como a histérica, quer deixar insatisfeito o gozo do outro, quer um “mais-ser”, ser alguma coisa para o outro, não um objeto de gozo, mas um objeto precioso que vá sustentar o desejo e o amor. (Colette Soler)
“Se eu lhe der o que me pede, não vai me querer mais”. Ela quer o amor.
Freud em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, diz que: “O que se coloca em lugar do objeto sexual é alguma parte do corpo (tal como o pé, ou os cabelos) que é, em geral, muito inapropriada para finalidades sexuais”. E, Conchita oferece a Mathieu, apenas partes de seu corpo para que ele goze.
Como explicar a atração entre os sexos se existe apenas as pulsões parciais?
Bem, sabemos que as pulsões parciais em si, ignoram a diferença sexual. A orientação do desejo sexuado, é que é passível de ser explicado.
Colette Soler, em seu livro, “O que Lacan dizia das mulheres” pergunta: Como explicar a relação sexual? O que é uma norma heterossexual? Se o macho não basta para constituir o homem, nem a fêmea, a mulher?
Podemos tentar responder então, a partir do Édipo e da descoberta do inconsciente.
“Freud descobriu que, no inconsciente, a diferença anatômica é transformada em significante : ter o falo. E a partir do Édipo, responde a esta pergunta: como pode um homem amar sexualmente uma mulher? Através da renuncia ao objeto primordial, a mãe, e ao gozo referido a ela e através da castração do gozo. Já do lado feminino Freud reconheceu o fracasso de suas tentativas de explicar e daí surgiu o seu famoso: ”que quer a mulher? E conclui que o édipo produz o homem, não produz a mulher”.

Conchita nos demonstra em vários momentos, essa posição de ter e não ter o falo. Ela oscila entre a “Mulher Pobre” que é “aquela que é desprovida de todos os objetos da serie fálica”, mas rica de outros bens, (boa filha, meiga, virgem) que como diz Lacan: nada pede á fantasia do homem. Ela não está preocupada em satisfazer as fantasias, o desejo deMathieu. Conchita pobre de amor, mas rica de outra coisa que é o gozo. E entre a “mulher abstinente”, que é aquela mulher que renuncia a sexualidade, permanecendo “virgem”, e a relação com o gozo do outro, fica indeterminada.
Ela quer apenas gozar na sedução. Serei sua amante. - Quando? Hoje? -Não, depois de amanhã. Em outro momento, ele pede:- Beije-me, ela não permite, diz:- depois. E adia mais uma vez, a se entregar como objeto causa de um desejo.
A quem são endereçadas as perguntas de Mathieu, então? Podemos dizer que á fantasia, á imagem e ao objeto
Conchita não fez a travessia para o feminino, ela recusa a verificar-se numa posição subjetiva da castração. Ser “castrada”, é, de onde parte a feminilidade da mulher que é aquela cuja falta fálica a incita a voltar para o amor de um homem. Primeiro o pai, depois o marido..
“Ao se descobrir privada do pênis, a menina torna-se mulher quando espera o falo- ou seja, o pênis simbolizado daquele que o tem” C.Soler.
Mas deixa seu rastro, embora, não quer saber de nada disso. E Mathieu sempre a encontra, obsessivamente, e ela, sempre recua frente ao seu pedido.
Bem, se olharmos o que acontece nas cenas em que Conchita faz jogo da separação/retorno, presença/ausência, podemos pensar em Freud, em Além do Principio do Prazer, onde aponta a brincadeira do fort-da.
Desenvolvida por uma criança, que fazia desaparecer e aparecer o objeto, um brinquedo, que significava o “ trazer de volta, a mãe”
A criança antecipava a satisfação de um desejo- a mãe poderia estar ausente sem fazer grandes reboliços.
Jogar fora um objeto e trazê-lo de volta, era o que Conchita fazia em sua fantasia de satisfação. O mesmo mecanismo controlador, ilustrando uma ausência a ser buscada por Mathieu. Volta para ele, pra não ter a presença negada e assim continuar o jogo de gato e rato, prazerosamente controlando a situação com promessas que faz e não cumpre.
Investe em uma sensualidade infantil, fala de seus princípios, de seus valores, tendo a mãe como sua aliada, ao mesmo tempo apresenta uma liberdade estranha, dança em cabaré nua para os homens, aceita certas caricias de Mathieu.
Com essa posição, não querendo mais ser criança, mas também não querendo ser adulta, que é uma conveniência, para manter um outro jogo, que é o “negocio amoroso”, Mathieu passa a ser mais um “tesouro” que a fascina do que um objeto de amor a ser possuído. E esse se coloca nesse lugar.
O filme, rico em detalhes e enigmas, como por exemplo: a ratoeira em uma casa de classe alta, mosca no copo, um saco que eventualmente Matthieu carrega nas costas, são detalhes que sugerem uma outra narrativa, um outro momento do filme. As cenas de explosões e de terrorismo, sugerindo um suposto envolvimento de Conchita, mas que parece passar despercebido a Mathieu, são apenas sugeridas, indiciadas sem nenhuma explicação. Ou quem sabe, o explosivo movimento do desejo?
E no final, uma mulher dentro de uma vitrine, tira de um saco, varias camisolas, talvez simbolizando as recusas de Conchita, sugere o mesmo saco que Mathieu carregava, começa a remendar uma camisola suja de sangue. O desejo do ato sexual consumado? Pega suas memórias, suas bagagens, seus desejos e constrói a historia, ou repete a história?
Belo Horizonte, 06/04/2013
link para assistir o filme completo: http://vimeo.com/35092020

Leila de Oliveira é psicanalista, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano- BH /MG
Fonte : http://cinefreudiano.blogspot.com.br/2013/05/esse-obscuro-objeto-do-desejo.html?spref=fb

domingo, 16 de agosto de 2015

Filme “O Duplo” e “O Processo”

Freud, Dostoiévski, Kafka/Welles e Masud Khan nos filmes    “O Duplo” e “O Processo”

Por Psicanálise no Cinema
Filmes especiais discutidos em articulações psicanalíticas, coloquialmente.
Tive uma grata surpresa ao assistir a “O Duplo”, baseado no romance homônimo de Dostoiévski. Adaptação muito interessante, fotografia de ótimo nível em tons cinza escuro. O protagonista começa perdendo seu lugar num metrô vazio para um estranho, q rapidamente vamos percebendo ser seu alter ego, versão proativa e super autoconfiante (oposição imaginária à sua realidade de inércia e apagamento).


Inicialmente, este “outro” personagem soa como um parceiro alvissareiro, estimulando seu crescimento na empresa onde trabalha. O ambiente profissional é surrealisticamente burocrático, lembrando “O Processo” (obra-prima de Kafka, adaptado ao cinema por Orson Welles) e “O Castelo” (também do escritor tcheco), cheio de “pequenos poderes” em forma de labirinto intransponível. Ao alter ego, no entanto, tudo é facilitado, as portas sempre se abrem, as pessoas sorriem e mostram reconhecimento por seus atos.
Portanto, este “outro” inicialmente faz a função de “ideal do eu” (conceito freudiano referente às nossas prospecções e expectativas subjetivas, para dizer de forma sucinta), apresentando um caminho de norteamento evolutivo. Aos poucos, esta alteridade toma a forma de supereutirânico (Freud), massacrando o protagonista, empurrando-o a uma espécie de “zero absoluto”, metaforicamente um suicídio. Novamente, a analogia com o “Sr. K” de “O Processo” é direta. Melanie Klein, q deixou seu nome marcado na história da Psicanálise, falava da “posição esquizo-paranoide”, quando o sujeito teme um aniquilamento proveniente de paradeiro desconhecido, questão bastante patente na angústia do protagonista de “O Duplo”.
Enquanto Freud dizia q o supereu / ideal do eu possui 2 facetas – a positiva, como referência evolutiva, e a negativa, de exigência tirânica -, Daniel Kupermann prefere pensar o supereuapenas como função negativa e opressora, separando-o do ideal do eu, tendo este a positiva função de referencial expansivo. Considero as duas interpretações bastante próximas, porém a de Kupermann me parece mais interessante psicanaliticamente. No filme, o protagonista fica sem espaço diante de seu alter ego desde o início, portanto este esmagamento poderia ser considerado uma projeção de um supereu implacável, mórbido.
A estética lúgubre de “O Duplo” e de “O Processo”, assim como de boa parte dos filmes de Ingmar Bergman, explicita o peso constante e massacrante de uma Lei interna impossível de ser seguida, auditada e punida eternamente através de um sentimento de culpa muitas vezes só dissolvido pelo humor ou pela morte. Ou por um processo de elaboração em sessões de análise ou através da arte.






Por fim, o psicanalista Masud Khan utiliza o conceito de “duplo” (já apresentado por Freud na obra-prima “O Estranho”), como questão clínica observada em muitos de seus analisandos. Ele percebia q era comum q as pessoas chegassem à análise demandando q suas facetas desagradáveis fossem exorcizadas, a fim de q a parte “mais interessante” ou “bem sucedida” prevalecesse com exclusividade. Na contramão desta expectativa, Masud trabalha a coexistência de todas as facetas subjetivas, num paradoxo includente q venha a permitir uma espécie de diálogo entre essas partes, articulando as diferenças sem q uma suprima a outra.






A coexistência em paradoxo de nossas diferentes facetas subjetivas, portanto, seria a única condição demasiadamente humana possível, ainda q dificilmente caiba numa lógica de vitrine “Fakebook” cor de rosa..




Fonte : https://psicanalisenocinema.wordpress.com/2015/08/14/freud-dostoievski-kafkawelles-e-masud-khan-nos-filmes-o-duplo-e-o-processo/