quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dependência Afetiva

O Caso Camille Claudel. 

Alguns amores nos ensinam eternidades. (Mas) em poucos segundos entendi que, em mim, as suas não ficariam. Você não foi feito pra ficar. Você é vento. Vento que murmura. Vento que mistura. Vento que deixa. Você é o beco mais difícil do meu poema. Poema com saída. Não aprendi o ponto que te finaliza. Acendo uns atalhos. Te abrigo nas asas desse abraço. Te escrevo alguma liberdade. Tua ausência é o meu mormaço. Danço pra te ver nascer" Priscila Rôde
A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso. Camille Claudel, sua fortepersonalidade, sua intransigência, seu gênio criativo que ultrapassou a compreensão de sua época, como afirma o personagem de Eugène Blot no filme, permanecerá ainda e sempre um Sumo Mistério." Por iniciativa de seu irmão mais novo, é internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos. 
Obra de Camille Claudel. (08/12/1864 – 19/10/1943)
Sakountala ou L'Abandon. 
Escultora francesa de uma sensibilidade fora do comum, que produziu obras de incomparável beleza e delicadeza.
Com apenas 17 anos, Camille conhece um dos maiores artistas de seu tempo, Auguste Rodin, de quem se tornou assistente, musa e amante. Depois de 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e seu sofrimento psíquico se acelera. Camille decide deixar Rodin. Em 1898 rompem definitivamente o romance, e passa a morar em seu estúdio, passando por problemas financeiros e psicológicos, ela acreditava que havia um complô de Rodin contra ela. Depois de 1906 ela destrói tudo que esculpe, joga no rio Senna ou enterra, acredita que Rodin a persegue e quer destruí-la. Após a morte de seu pai, sua família arranjou uma certidão médica (ela foi diagnosticada como portadora de delírio paranóico), e Camille foi levada à força para um hospício, onde passou os últimos 30 anos de sua vida e jamais voltou a esculpir. Camille Claudel morreu em Paris, 19 de outubro de 1943. ”
Essa fase da vida de ambos é marcada por obras de intensa .Essa relação foi marcada por sofrimento e abandono , a qual pode ser entendida como uma dependência afetiva e ouso dizer que era como um um tamponamento de sua, sofrimento e vazio. O abandono é um sentimento que pode remeter a fases mais primitivas de uma vida pessoa.Lembro-me de uma frase de Livia Garcia Roza que diz:: " Não sei se nos curamos do sentimento de abandono."
Camille Claudel, tinha uma personalidade forte e , sua intransigência, seu gênio criativo ultrapassou a compreensão de sua época, permanecerá ainda e sempre em um Sumo Mistério. Camille acaba internada em um manicômio, onde passou seus últimos 30 anos, morrendo em 1943, com 78 anos. . Elizabeth da Rocha Miranda , In: "Camille Claudel : "A arte de ser mulher" relata que ela morreu deixando uma frase que pode representar o inominável de sua "falta a ser ". Canille deixa escrito: "Há sempre algo de uma ausência que me inquieta." 
Em um trecho de Carmen Silvia Cervelatti ,ela explica um pouco o fenômeno desta falta a que se refere Camille .Carmen diz “Da posição de não-toda, a demanda de amor (que tem potência de infinitude) é endereçada ao Outro barrado e retorna ao parceiro feminino como devastação, porque este lugar é um lugar não cerceado, não há limite, tende ao infinito. O parceiro-sintoma da mulher torna-se, assim, o parceiro-devastação(...) A criação artística revela o impossível de dizer, ou seja , a relação com o vazio do Outro, com o furo, que tanto o artista quanto o feminino podem experienciar e dar testemunho dele(...) A força e a grandiosidade do talento de Camille Claudel estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. Camille Claudel Mais tarde, ela torna-se amante do mestre e cai em desgraça perante a sociedade parisiense. Após 15 anos de relacionamento, ela rompe o romance e mergulha cada vez mais na loucura e na solidão. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille. Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso.[2]  

Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, quando precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como que roupa vai usar, ou, até as mais difíceis, como que profissão escolher, se muda de emprego ou não, se continua namorando ou não, se casa ou não, enfim, em diversas situações.
Todos precisamos de uma opinião, em algum momento, a diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu objetivo se não for aprovado.
A dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, para ser amparada, ocupa um espaço vazio. Ela pode ser de uma pessoa específica, para lhe dizer o que precisa ser feito ou uma droga, um vicio, uma atitude de carinho excessiva.
Na verdade essas pessoas ou objetos tem uma única função para o dependente afetivo, dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional, no caso do dependente emocional elas estão prejudicadas.
Nascemos dependentes e ao longo de nosso desenvolvimento humano nos tornamos independentes, o vinculo criado entre os pais, vai dando lugar ao aprendizado e o crescimento emocional, quando isso não acontece o indivíduo se torna dependente emocional da mãe, cônjuge, amigos ou qualquer pessoa que possa suprir este vazio. Levy Moreno diz, que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos, primeiro por nossa família de origem, em segundo através das demais relações que vivenciamos durante a vida.
Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A dependência afetiva , muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no sistema familiar, pelos conflitos pessoais.Ninguém é dependente sozinho, DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente da mãe, com certeza a mãe também o é, ambos alimentam essa relação.A família é quem estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a auto estima e a sensação de segurança pessoal.
Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado, se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.Quando crianças aprendemos com nossos pais a termos responsabilidades e a superar frustrações, isto é realizado através dos limites e das responsabilidades impostas por eles, uma falha neste processo, podemos modificar nossa condição inata."[1]

Fonte :
[1] http://psicofaces.com/2015/04/14/dependencia-afetiva/
[2]http://artepsihefzibabrunet.blogspot.com.br/2013/12/sofrimento-psiquico.html

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