sábado, 19 de julho de 2014

Relações Afetivas

Por Rosangela Brunet

Se a gente não tivesse feito tanta coisa,se não tivesse dito tanta coisa,se não tivesse inventado tanto podia ter vivido um amor Grand' Hotel.
Se a gente não fizesse tudo tão depressa,se não dissesse tudo tão depressa,se não tivesse exagerado a dose,podia ter vivido um grande amor. Um dia um caminhão atropelou a paixão .Sem teus carinhos e tua atenção .O nosso amor se transformou em "Bom Dia"... " Kid Abelha

 Somos seres relacionais e apesar de termos nascido sozinhos, ao longo da vida vamos estabelecendo vínculos, e alguns se tornam tão vitais que seu rompimento pode se tornar uma fonte de profunda tristeza podendo evoluir para uma depressão .
"Um relacionamento é uma intercessão:Um na vida do outro e não um contendo o outro"Tereza Cristina Martins.
Apesar de estarmos mais modernos , e vivermos numa sociedade altamente evoluída tecnologicamente , ainda nos escapa o saber viver uma relação afetiva plena , ainda estamos desenhando o projeto de um modelo de convivência com o outro sem nos tornamos reféns . Há gatilhos que ainda detonam nossas lembranças mais escuras e sombrias, nos deixando,algumas vezes, na mão do outro, ou até mesmo desejando o outro como objeto de posse. 
O mundo moderno esta longe de aprender a experiência do luto necessário.Estamos evitando viver a dor e o sofrimento que é tão essencial a construção da felicidade e realização. Haja visto a necessidade do imediatismo tão cultuado em complacente acordo com a superficialidade dos "Amores líquidos".
Ninguém tem mais tempo de cultuar o presente, de investir nas necessidades legítimas, de se abandonar em suas ousadas aventuras de ser o que se verdadeiramente é. A dificuldade de virar página ainda se sustenta na busca de não abandonar o passado, "mudar o disco" e largar a velha canção ainda é um desafio. "Sair pra vida e tomar a cidade" depois de um vínculo rompido oscila entre o imediatismo prazeroso e a depressão pela incapacidade de elaborar do luto.A ansiedade esta tomando o lugar do prazer pelo simples e pelo verdadeiro. Ainda se paga preços altíssimos para se obter o afeto de alguém .Sabe-se que no fundo tudo que precisamos mais é sermos amados,mesmo que esse amor venha disfarçado de carro importado, de mulheres bonitas e um status social alto.No final do túnel a luz que acende é aquela que nos faz descansar no colo de quem a gente ama. Falei "descansar no colo"? Não foi ato falho.É a nossa mais confortável emoção e desejo inconsciente, porque esse afeto que nos assombra e nos desmonta todo, a todo custo esta relacionado com nossas primeiras experiência afetivas: O colo da mãe, sua atenção seu toque. Ainda que pareça uma teoria psicológica barata essa é a base de todos os nossos relacionamentos:Nossos pais. Ainda que a gente complexifique tudo,ainda que a gente explore todas as teorias,a base dos nossos afetos é a nossa relação maternal/paternal.Dessa matriz reproduzimos nossos futuros ,e muitas vezes fatídicos, vínculos.
Não vou me aprofundar neste tema. Apenas me utilizarei desse principio básico para desenvolver minha reflexão, e tentar discutir sobre essa questão que me inquieta. Porque ainda há tanta fragilidade nas relações afetivas? Porque é tão difícil se relacionar de forma íntima?Porque sofremos tanto num rompimento amoroso?
Jamais conseguiria responder tudo isso...mas tem algumas coisas que me ajudam e me acalmam nessas incertezas. Algumas "verdades" benditas que aprendi coma experiência ás duras penas.Muitas vezes a teoria não nos ensinam tanto quanto a prática .Eu li uma frase que dizia..."na juventude a gente aprende, na fase adulta a gente entende" Uma desse aprendizado é a respeito da necessidade que o indivíduo tem de aprender a viver numa relação de intimidade.Isso é uma prática desafiadoras em nossa época. Essa dificuldade é muito bem retratada num texto da Martha Medeiros: "Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um"
A intimidade é uma terra pouco habitada porque ela exige muito de nós. Nos cabe ali nos desnudar inteiros diante de um "estranho" que um dia pode nos abandonar. E é ai que se trava verdadeiras batalhas que pode se desaguar nos mares da depressão e desespero.
Em alguns casos há os que não temem a intimidade , e são abandonados sem certezas e respostas claras. Desse pode nascer os futuros amantes decepcionados e despreparados para o novo amor.
Há aqueles que não se desnudam jamais. Casos claro de nunca terem vivido nessa terra cálida e sólida do afeto maternal seguro,dedicado e constante.
Esses são os que enxergam os monstros em jardins floridos porque não aprenderam a descansar .Quem não viveu a segurança do colo e da presença dificilmente conseguirá experimentar a segurança de uma relação. Raramente conseguirá sonhar,sair do chão, pois a solidão em sua infância foi solo de desesperança e não o permitiu que houvesse estrelinhas e nuvens cor de rosa em seus jardim de infância. 
Mas há uma terceira categoria oriunda desses desacerto que mais me chama a atenção. É o sonhador compulsivo, o eterno apaixonado. Aquele cujos pés não podem tocar o chão. O sofrimento da realidade lhe foi como um bombardeio em Chernobyl, vivendo um desastre que reverbera adentrando seu futuro. São amantes que não sabem amar porque não podem viver novamente sua tragédia , não poderiam sobreviver ao enfrentamento da "mesma" ironia do abandono , e vivem pra sempre reproduzindo seus sofrimentos. 
Há uma lista de frentes explicativas que eu poderia conduzir neste tema, mas esta última para mim é a mais delicada. É neste palco que as grandes tragédias das relações estreiam, é nesta ring que as violências domésticas travam as maiores batalhas; é neste campo que se concentram as grandes decepções amorosas. 
Há alguns textos legais que ajudam a gente entender como conduzir uma relação saudável.Mas acho que ainda estamos engatinhando nessa jornada, pois essa não é uma caminhada teórica, mas sim histórica, pessoal e subjetiva de cada indivíduo que foi amado ou não.Indivíduo que agora pode amar ou não.Uma relação a dois é uma jornada de perguntas e respostas diárias que apostamos na sorte do passado, e na reconstrução presente que duas pessoas , que podem ou não estarem dispostas a pagar o preço de um futuro incerto.
E para conviver com o incerto é mister que a gente se ame muito, que haja autoconhecimento construído pela autoestima. E isso é material de estudos profundo ,individual e constante. Isso é tema de vida e existência. Isso não é para todos. Isso se aplica aos corajosos, e aos que se colocam humildes diante do inesperado que a vida nos presenteia.
Deixo para vocês um poema de Carlos Drumond de Andrade para que a poesia celebre esse encontro de sermos todos os dias:
"É preciso abrir todas as portas que fecham o coração. Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo, por amores do passado que foram em vão. É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar. É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós. É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar. É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor, para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura, aparando as arestas que podem machucar. É como lapidar um diamante bruto para fazê-lo brilhar. E quando decidir que chegou a sua hora de amar, lembre-se que é preciso haver identificação de almas, de gostos, de gestos, de pele, no modo de sentir e de pensar. É preciso ver a luz iluminar a aura, dando uma chance para que o amor te encontre na suavidade morna de uma noite calma... É preciso se entregar de corpo e alma. É preciso ter dentro do um sonho, que se acalenta no desejo de amar e de ser
amada. É preciso conhecer no outro o ser tão procurado. É preciso conquistar e se deixar seduzir, entrar no jogo da sedução e deixar fluir. Amar com emoção para se saber sentir a sensação do momento em que o amor te devora. E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão, que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas, que foi seu grande desafio e o passo mais acertado de todos os caminhos de sua vida trilhados. Mas se assim não for, que nunca te arrependas pelo amor dado. Faz parte da vida arriscar-se por um sonho. Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado. Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado, ele se chama tempo, seu melhor amigo. Só ele pode dar todas as certezas do amanhã: a certeza que realmente você amou, a certeza que realmente você foi amada!... "

Sugestão: Três Vídeos da Etrevista sobre Relação Afetiva: Fale Mais sobre Isso :http://www.youtube.com/watch?v=6hY_adbC2To&feature=youtu.be

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Reflexão Sobre Filme Solteiros Com Filhos

Por Rosangela Brunet
“A misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos” (BAUMAN, 2004, p. 8)
"Friends with Kids", o nome original dessa comédia romântica , aborda um tema super complexo e abrangente: a problemática das relações geradas pelo compromisso de estar vivendo com a mesma pessoa durante anos. Ao assistir este filme o que me saltou os olhos foi a dificuldade que os casais tem encontrado em se adaptarem com as transformações derivadas de uma relação onde o comprometimento e a tolerância com a rotina se tornou um ponto decisivo de divórcios .Após anos de convivência as pessoas tem encontrado dificuldades de lidar com o tédio e com a rotina, gerando conflitos que poderão acabar em divórcio O filme parece querer mostrar as varias formas de se lidar com isso.E na medida em que os dramas vão se desenrolando, os desfeches acabam sendo os mais variados possível .Há os que se ajustam, há os que se divorciam, há os que se encontram em relações atípicas tentando evitar o inevitável.Me parece que a maior dificuldade que o ser humano tem encontrado é encontrar um equilíbrio entre a realização pessoal , o amor e um casamento feliz.Um desafio e tanto para uma época onde a liberdade é um objeto de desejo, e ao mesmo tempo um conceito tão indefinido e desconhecido.
A trama se desenrola entre Jason (um executivo de publicidade) e Julie(um consultor de investimentos de caridade), os quais são amigos de longa data , e se tornarão pais de uma criança num novo estilo de Relação Amorosa baseada apenas na amizade , deixando de lado a atração física e o envolvimento romântico .O conflito se inicia quando ambos começam a ter relacionamentos separadamente, pondo a prova a consistência e a confiabilidade dessa proposta de relação aberta.
O mundo contemporâneo tem se transformado num cenário onde a liberdade, a paz e o amor andam sendo aclamados em alta voz em cada esquina, nas travessias das redes sociais e nas paredes do becos sem saída. Os "muros de Berlins" já caíram, as ditaduras tem sido derrubadas , a mídia e as leis andam favorecendo a liberdade do cidadão;e a gente continua clamando por ela. Que liberdade é essa que tanto ansiamos? Que clamor é esse que não se cala?
Acredita-se que a liberdade esteja na capacidade de se fazer o que se quer. Uma geração de "desgovernados " loucos pela liberdade,mas sem nenhuma disposição de assumir suas escolhas. Um fenômeno que pode estar nascendo,entre outras razões, em função de uma educação que impôs limites, e agora esse individuo se depara com as leis naturais da vida e a necessidade de encontrar equilíbrios entre suas necessidades e desejos, e as demandas sociais .Como el não aprendeu a se comprometer e respeitar o outro ele vive uma constante sensação de estar sendo cerceado e reprimido.Com isso, levanta bandeiras que defendem a "Liberdade" , sem entender o real significado da mesma.
Minha reflexão nesta postagem não tem compromisso com o falso moralismo.Não sou moralista, mas pela minha experiência tenho assistido de arquibancada um cenário lamentável,onde os relacionamentos estão sendo impactados por um conceito errôneo de liberdade. Não há mais durabilidade nas relações.O "Amor Líquido" tomou o lugar do amor seguro que tem uma história pra contar, porque suportou as tempestades, e foi corajoso para vencer o medo de se comprometer.O preço dessa liberdade tão reivindicada tem sido a solidão, a depressão e o vazio.O vazio existencial poderia ser um caminho de criação de grandes construções sociais, mas nessa cultura da imagem , gerada pela sociedade do espetáculo ,materialista e de consumo, relações superficiais são fortalecidas nessa busca incessante de liberdade desgovernada.
"Na origem de sua existência, o homem se viu como um estranho no mundo; sentiu-se solitário e temeroso. Compelido para fora da Natureza, ele rompeu com as determinações biológicas do puro instinto, permitindo que a vida tomasse consciência de si mesma através da possibilidade de desenvolvimento da razão. Segundo Erich Fromm, num momento qualquer da Natureza, essa nova espécie animal, o homem, perdeu sua plástica capacidade de adaptar-se ao ambiente selvagem, e tornou-se biologicamente o ser mais inerme e desamparado do gênero. Se, em princípio, o homem se encontrava na totalidade com a Natureza, tornou-se fragmentado e carente do sentimento de união ao afastar-se dela. Devido à sua consciência imaginativa, capaz de transcender o instante presente, ele também descobriu o involuntário fato de que sua vida termina com a morte. A razão, uma vez deduzindo a finitude humana, viu-se presa à dicotomia irresolúvel entre vida e morte. E pressentindo jamais haver tempo suficiente para concretizar todas as suas ambições de vida, então experimentou a sensação fatídica da impotência.Há, pois, conflitos existenciais filosoficamente inerentes à condição humana. E a necessidade de encontrar soluções para essas dicotomias congênitas, tanto da espécie quanto do indivíduo, é a causa original de todas as motivações psicológicas do homem. Reagindo àquelas contradições ontológicas do nascimento da consciência, a auto sobrevivência psíquica busca uma direção humana que somente se desenvolve durante o crescimento da cultura, valendo-se dos poderes imanentes a si mesma: a capacidade de amar e trabalhar numa atividade produtiva, reintegrando-se espiritualmente com a unidade cósmica, viva, da Natureza; e a capacidade de imaginação e razão, de conhecer objetivamente a realidade, a fim de tornar o espaço do mundo significativo e habitável para o homem. A bem dizer, o homem nunca deixará de tentar desfazer-se, fugir, da sua existencial inquietação interior que o impele a ser si próprio e por si próprio, ou a concluir o processo evolutivo de nascer-se humano.Essa necessidade básica de reintegração e unidade encontra, na psique, duas alternativas de solução. Numa delas, pode-se querer inconscientemente regredir à vida animal pré-humana anterior à racionalidade, com o propósito de apaziguar a insuportável sensação de isolamento. De que maneira? Abolindo a consciência de si mesmo, de suas qualidades humanas intrínsecas a serem desenvolvidas; fugindo às responsabilidades e esforços do crescimento e da liberdade. Nessa intenção regressiva de sedar os conflitos internos da mente, os indivíduos podem criar ideologias, socialmente aceitas, e prazeres narcisistas que recalquem a angústia ontológica do sentimento de solidão. Além de evitarem a percepção racional, também falseiam uma relação harmônica e integradora com o mundo. É o caso da violência urbana coletiva, num quadro de folie a millions, quando milhões de pessoas compartilham consensualmente dos mesmos vícios, de uma maneira não-problemática; numa sociedade “neurótica” igualmente regressiva. O mesmo acontece com as graves psicopatologias individuais, sendo estas as fugas regressivas que não foram culturalmente assimiladas como “normalidade”. Como revela o título da obra, é o medo à liberdade."Will Goya 
Vivemos num ritmo de vida onde não há mais lugar de descanso para a alma;o psiquismo não comporta a quantidade de pressão externa e interna que estamos sofrendo, e esta entrando em colapso devido a grande quantidade de energia gasta pra resolver conflitos. A ansiedade,o estresse , a depressão, a síndrome de Pânico, o TOC, etc são exemplos de falta de paz. A OMS (Organização Mundial de Saúde), tem estudos que afirmam que até 2020 a depressão será a doença mais incapacitante em todo o mundo. 
Sabe-se que n época da juventude as pessoas conseguem conviver com mais facilidade com a instabilidade e com as incertezas que o desgoverno promove,mas mesmo estes jovens estão adoecendo mais.O frisson da aventura tem se transformado em necessidade de terror.O medo se tornou paralisador para alguns, e o foco de outros.Os esportes radicais se tornaram mais procurados, o consumo de droga aumentou ;e o amor tem se tornado uma desilusão para muitos.Nunca se amou tão pouco e nunca se experimentou com tanta intensidade a rejeição e o abandono pelas relações facilmente descartadas.
Para Erick From em " O Medo á Liberdade",a liberdade exige responsabilidade pelas escolhas que se faz .Nada passa desapercebido.O que decidimos fazer vai nos custar um preço ou um prêmio.E é nesse viés que a liberdade se constrói. A liberdade anda de braços dado com o amor, pois eu sou livre até eu me esbarrar no outro. Esse é o limite da minha liberdade. E nesse confronto as relações tem se transformado, a sociedade tem se perdido em conceitos fantasiosos , e a vida tem sido banalizada.Tudo se tornou rápido demais porque o indivíduo é livre para fazer o que quer ,mas não consegue se satisfazer com o resultado das escolhas.Então continua em busca insaciável pelo próximo prazer e pela próxima aventura,pois não aprendeu a suportar frustração e não conhece o valor das coisas, e sim o preço.
"Erick Fromm faz assim uma análise da patologia da alienação psíquica inconsciente da sociedade industrial, que se caracteriza pelo comportamento social consumista e pelo sistema patriarcalista autoritário, reclamando uma necessidade ética urgente de mudanças nas determinações sócio-econômicas. Do ponto de vista psicopatológico, segundo ele, o centro gravitacional da cultura capitalista é o consumismo passivo. O consumo, no entanto, é próprio da vida, do crescimento biológico e das relações humanas; afinal, precisa-se comer, vestir, trocar valores de uso econômico e outros. Todavia, há uma espécie compulsiva de consumo que unicamente visa aliviar a ansiedade, a insegurança ou mesmo o desespero subjacentes à nossa época. Ironicamente, constata ele, o homem contemporâneo, com seu avançado conhecimento intelectual, desconhece-se enquanto totalidade espiritual, não sabe bem o que deseja e por isso não consegue satisfazer-se plenamente, sentindo-se vazio de realização"[1]
Um dos fenômenos responsável pelo vazio é a psico-adaptação. A psico-adaptação atua no inconsciente, em harmonia com a inteligência , e influencia a história de uma pessoa no que se refere a satisfação e realização. Esse fenômeno é um fator determinante que conduz o ser humano a ser constantemente insatisfeito.Por um lado é uma mola propulsora de ação que faz uma pessoas busca novas experiências e garantir prazer de viver. 
"A repetição do mesmo elogio, da mesma ofensa, mesma paisagem, tela de pintura ... faz com que a emoção se psicoadapte e perca a capacidade de reação. Com o decorrer do tempo, ficamos insensíveis. As mulheres sabem bem disso. Quando compram uma roupa e a usam pela primeira vez, elas experimentam um grande prazer. Entretanto, após usá-la algumas vezes, perdem o encanto por ela. O mundo da moda surge pela atuação traiçoeira do fenômeno da psicoa-daptação. A maior parte das mulheres não sabe por que tem uma necessidade compulsiva de estar no rigor da moda. Na base dessa necessidade cada vez mais comum em nossos dias está o que poucos enxergam, uma exacerbação da atuação do fenômeno da psicoadaptação, que provoca um alto grau de ansiedade e insatisfação.
A primeira vez que colocamos um quadro de pintura na parede, extraímos o prazer de cada detalhe dele. Após um mês, talvez passemos por ele sem sequer notá-lo. Podemos psicoadaptar-nos a tudo o que está ao nosso redor. Até mesmo à nossa própria miséria. Os que se adaptam à sua miséria psíquica e social nunca conseguirão fazer uma “faxina” em suas vidas.
Quanto mais uma pessoa tiver dificuldade em extrair prazer daquilo que possui, mais infeliz e angustiada será, ainda que tenha privilégios financeiros. É possível ter muito e ser pobre no cerne da emoção. Por isso, sempre digo que há ricos que moram em favelas e miseráveis que moram em palácios.
A psicoadaptação nem sempre é ruim. Há situações em que ela é extremamente útil, pois pode aliviar-nos as dores e frustrações. Ao passarmos por um fracasso, podemos ficar muito angustiados. Todavia, com o passar do tempo nos psi-coadaptamos a ele e, conseqüentemente, podemos superá-lo, bem como a angústia dele decorrente.
Do lado negativo, o fenômeno da psi-coadaptação contribui decisivamente para gerar no palco da psique humana experiências de tédio, rotina, mesmice e solidão. Porém, mesmo em tais situações, podemos vislumbrar algo positivo na atuação desse fenômeno. O tédio e a rotina geram uma insatisfação oculta que nos impele a superá-la. Dessa busca inconsciente de superação, surge toda forma de criatividade humana. Por que a arquitetura, a literatura, a música e todas as formas de artes estão em contínuo processo de transformação? Olhem para o estilo dos carros, o design está sempre sendo modificado. Muitos filósofos e pensadores da Psicologia não compreenderam, mas o fenômeno da psico-adaptação gera uma angústia existencial que impulsiona o homem a buscar novas formas de prazer, novos estímulos que o animem.Apesar de esse fenômeno ter força para alavancar a criatividade, se ele produzir uma insatisfação contínua e acentuada, que não é superada, pode conduzir à instabilidade emocional e à angústia crônica. Os que nunca terminam o que fazem e sempre reclamam de tudo o que têm, padecem desse transtorno. Se aprenderem a ser amigos da perseverança, a lidar com a angústia existencial e a contemplar os pequenos detalhes da vida, é possível que resolvam esse transtorno emocional."[3]
A interação com o meio e aprender a estar no aqui e agora, á fim de extrair prazer daquilo que esta ao seu redor e admirar o que se tem é uma condição essencial para a saúde mental e realização pessoal, pois não há satisfação legítima de necessidade se não considerarmos que o que desejamos esta na maior parte das vezes no ambiente em que vivemos, e que para isso a inter-relação é um meio indispensável para se obter o objeto de desejo.Mas para se obter o que se deseja há uma necessidade de identificar onde esta o objeto de desejo, como consegui-lo e depois aprender a apreciá-lo .Este é um antídoto contra a psico-adaptação que que promove a angústia e o vazio.
Enfim, pra mim a Liberdade é a dádiva de realizar tudo o que nos faz realmente feliz, e aprender sempre nova formas de prazeres paralelos que não interfiram na felicidade do outro. E é nesse momento que a Paz da felicidade é a grande Panaceia das relações. Deixo um texto sobre "Amores Líquidos" para reflexão.
"A modernidade foi marcada por relacionamentos frágeis e efêmeros. " (BAUMAN, 2004, p. 8). diz : " a fragilidade dos vínculos humanos são misteriosos, conflitantes e inseguros na medida em que o homem contemporâneo está abandonado ao seu próprio aparelho de sentido, de modo que tal aparelho tem, ao mesmo tempo, grande facilidade de conceder e descartar sentido nas “relações amorosas”. 
O homem moderno, ávido por relacionar-se, ao mesmo tempo em que busca uma relação, e desta maneira repudia a solidão, não abre mão de sua liberdade, e para manter a liberdade mantêm a relação, entretanto com uma outra configuração . 
Desta maneira, temos um novo modelo de relação amorosa: é a relação líquida, frouxa. 
O homem moderno busca o outro pelo horror à solidão, mas mantêm este outro a uma distância que permita o exercício da liberdade. Diante da dúvida é que o outro e o eu se relacionam, toda relação oscila “entre sonho e o pesadelo e não há como determinar quando um se transforma no outro”.
A co-presença da satisfação e insatisfação da relação traz mais uma vez a dúvida à baila: devemos escolher sabendo dos riscos do nosso investimento, todavia, os casais “estão sozinhos em seus solitários esforços para enfrentar a incerteza.Bauman deixa claro que a relação pode acabar numa manhã de sol que o outro – este que um dia antes disse “eu te amo – levanta-se da cama e exclama: acabou!Como entender tal mistério? Quais idéias que se auto-organizaram para tal catástrofe? – catástrofe para aquele que perde o objeto de amor “garantido”. Como sobreviver depois deste salto, ou melhor, do céu ao inferno em uma noite? “O amor, dirá Bauman, pode ser, e freqüentemente é, tão atemorizante quanto a morte. [...] Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar.” (BAUMAN, 2004, p.23). Diante desta atração e medo o homem faz suas escolhas e Bauman as analisa.
O relacionamento passa a ser um investimento: a satisfação e a dor são proporcionais ao investimento. “Um dilema, de fato: você reluta em cortar seus gastos, mas abomina a perspectiva de perder ainda mais dinheiro na tentativa de recuperá-los. Um relacionamento, como lhe dirá o especialista, é um investimento como todos os outros: você entrou com tempo, dinheiro, esforços que poderia empregar para outros fins, mas não empregou, esperando estar fazendo a coisa certa e esperando também que aquilo que perdeu ou deixou de desfrutar acabaria, de alguma forma, sendo-lhe devolvido – com lucro.” (BAUMAN, 2004, p. 28). O investimento pressupõe “lucro” – uma relação firme e feliz capaz de gerar satisfação para sempre –, todavia, não tendo este como resultado o que resta é uma desolação de tempo perdido e trabalho desperdiçado como esforço inútil. Baumam salienta que um relacionamento ocasionará muita “dor de cabeça” (BAUMAN, 2004, p.8), mas antes de qualquer coisa e acima de qualquer estância “uma incerteza permanente”. (BAUMAN, 2004, p. 29). O ar pessimista da obra mostra que a mesma dificuldade que se tem para amar pode ser transposta para a morte, pois é tão difícil aprender a amar quanto a morrer.
Os “insights” de Bauman na obra “Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos” são inúmeros e destacam comportamentos do nosso dia a dia, do que há de mais concreto na vida do homem moderno com suas relações de amor: seus acessórios tecnológicos – que alimenta a crença de um mundo melhor e tranqüilo –, a busca ensandecia pelo sentido, a crença no amor como oasis em um mundo trágico e violento, as relações como uma rede computacional, a imprevisibilidade das relações, a queda da distinção entre o regular e o contingente, a traição, os relacionamentos de bolso – que podem ser usados quando as partes bem entenderem –, o cartão de crédito como forma de antecipação da satisfação, a subordinação do amante e a opressão do amado, etc. “Todos os amantes desejam suavizar, extirpar e expugnar a exasperadora e irritante alteridade que os separa daqueles a que amam. Separar-se do ser amado é o maior medo do amante, e muitos fariam qualquer coisa para se livrarem de uma vez por todas do espectro da despedida. Que melhor maneira de atingir este objetivo do que transformar o amado numa parte inseparável do amante? Aonde eu for você também vai; o que eu faço você também faz; o que eu aceito você também aceita; o que me ofende também ofende você. Se você não é nem pode ser meu gêmeo siamês, seja o meu clone!” (BAUMAN, 2004, p. 29). O relacionamento na pós-modernidade seria mais uma forma de massificação e obliteração da subjetividade? A crítica filosófica – diante deste ataque à capacidade humana de pensar, refletir e entender as relações – seria uma forma de voltar à caverna para trazer à luz os casais presos e encantados com as sombras da caverna? Bauman dá os primeiros passos neste resgate." [4]


Refrências:

[1] http://www.filosofia.com.br/vi_classic.php?id=9
[2] Fromm, E. O Medo à Liberdade. 14ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1983.
[3]Trecho do Livro A pior prisão do mundo, de Augusto Cury
[4]Por Andrei Venturini Martins. Livro: Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos.Autor: Zigmund BAUMAN. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2006. Trad. Carlos Alberto Medeiros.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Jan Banning

MORADORES DE RUA / ALÉM DOS ESTEREÓTIPOS
Fotografia de Jan Banning

O fotógrafo holandês Jan Banning sempre se interessou em assuntos sociais e políticos e sua habilidade como fotógrafo de retratos fez dele a pessoa perfeita para uma série com os moradores de rua, mas para quebrar com alguns paradigmas, ele resolveu fazer as fotos em um estúdio fotográfico.


Banning ficou um pouco preocupado em assumir o projeto porque essa população muitas vezes ignorada foi, paradoxalmente, sempre presente no mundo da fotografia documental. As imagens vistas eram normalmente da mesma forma: em preto-e-branco, dormindo na rua, e, geralmente, com uma sensação de desespero.


“Eu queria fotografá-los em um ambiente de estúdio, contra um pano de fundo neutro, concentrando-se em sua individualidade, em vez de estereótipos,” Banning escreveu em seu site. “Em essência, eu quero mostrar quem eles são e não o que eles são rotulados”.


Com a ajuda de um assistente de fotografia, ele montou um estúdio móvel e fez uma breve entrevista com os moradores de rua, antes de tirar as suas fotos. Banning disse que o processo ajudou a criar um retrato mais íntimo.
“Acho que a entrevista serviu a um propósito, porque eu queria entender o que estava acontecendo… e também para criar um laço, para não tê-los como animais em um parque de safári, mas ter uma relação com eles, para estabelecer a confiança e intimidade.”


As primeiras perguntas foram: Como você se tornou morador de rua? O que aconteceu na sua vida? E o resto foi intuição. Alguns responderam sobre suas origens e históricos familiares, outros sobre históricos de doenças mentais e drogas.



No total, Banning fotografou cerca de 100 retratos para a série e incluiu 42 no respectivo livro ”Down and Out in the South”.

Fonte : Mistura Urbana : http://misturaurbana.com/2013/06/moradores-de-rua-alem-dos-estereotipos/

Cyril Roland


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Frida Kahlo

Frida Kahlo foi excepcional como mulher, para além dos padrões da sociedade da época e também como artista tardia 
Cenas do Filme 
''Estive doente durante um ano: 1950-1951. Sete operações na coluna. O Dr. Farill salvou-me. Restituiu-me a alegria de viver. Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar 'Ainda estou numa cadeira de rodas e não sei quando poderei voltar a andar de novo. Tenho um colete de gesso que, em vez de ser horrivelmente 'maçador', me ajuda a suportar melhor a coluna. Não sinto dores, só um grande cansaço... e, como é natural, por vezes desespero. Um desespero indescritível. No entanto quero viver. Já comecei o pequeno quadro que vou dar ao Dr. Farill e que estou fazendo com todo meu carinho por ele. (E o que mais dói) é viver num corpo que é um sepulcro que nos aprisiona (segundo Platão) do mesmo modo como a concha aprisiona a ostra.'' Frida Kahlo
Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade....E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.''

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''Frida Kahlo


'Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.

Frida Kahlo pintando o retrato de seu pai, 1951. Foto Gisele Freund. D.R. 2010, Banco de México.Crédito obrigatório: D.R.© 2010 Banco de México en su carácter de Fiduciario en el Fideicomiso relativo a los Museos Diego Rivera y Frida Kahlo
Copyright: Agustin Estrada

 'Meu pai foi para mim um grande exemplo de ternura, de trabalho... e acima de tudo de compreensão de todos os meus problemas.''  


"Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e vc. Vc sem dúvida foi o pior deles."Frida Kahlo



''O México, como sempre, está desorganizado e confuso. A única coisa que lhe resta é a grande beleza da terra e dos índios. Todos os dias, a parte feia dos Estados Unidos rouba um pedaço; é uma lástima, mas as pessoas têm que comer e é inevitável que os peixes grandes devorem os pequenos.''Frida Kalo


Poema do diário de Frida
Diego. princípio 
Diego. construtor 
Diego. meu bebê 
Diego. meu noivo 
Diego. pintor 
Diego. meu amante 
Diego. meu marido
Diego. meu amigo 
Diego. meu pai 
Diego. minha mãe 
Diego. meu filho 
Diego. eu 
Diego. universo 
Diversidade na unidade. 
Porque é que lhe chamo Meu Diego?


Ele nunca foi e nem será meu. 
Ele pertence a si próprio.



Ser-se mulher é algo de tão peculiar, de tão misto, de tão compósito, que nenhum predicado pode por si só exprimi-lo, e os muitos predicados, caso os quiséssemos utilizar, contradir-se-iam mutuamente de tal maneira que só uma mulher seria capaz de suportar tal coisa; aliás, pior ainda, seria capaz de encontrar prazer nisso." Kierkegaard 

Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''
As Duas Fridas 
Frida Kahlo with Granizo, 1939. Photo By Nickolas Muray


Casa de Frida Kahlo, La Casa Azul, agora Museo Frida Kahlo .
Fonte:http://bookporn.tumblr.com/

Gustav Klimt

Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós"
Clarice Lispector
Gustav Klimt O Beijo 

Gustav Klimt O Beijo 
Klimt - Passion

Death and Life, 1910. By Gustav Klimt



Lady with a Muff Gustav Klimt

Claude Monet

O que tanto temos que entender? Acho que padecemos da doença do "entendimento.".
Bendito o nada de tudo ( que entendemos ) . Só assim criamos alguma coisa.
Livia Garcia Roza

Claude Monet (1840-1926) Anglers on the Seine at Poissy,1882

Claude Monet - Evening at Argenteuil, 1876. Oil on canvas. Private Collection

Obra de Claude Monet . Sunset on the seine in winter 1880
Claude Monet "PALAZZO DA MULA AT VENICE" 1908

Obra de Claude Monet beach in pourville
Meadow at Giverny
Claude Monet



Mulheres

Eu acho que ser mulher é a coisa mais bacana que existe. Nós somos complexas. Levemente malucas. Fofas. Temos obsessões por coisas que só nós entendemos. Morremos de frio quando a temperatura desce míseros graus. E viramos onça, quando preciso.
Somos, na verdade, seres completamente hormonais e emocionais. Nós inventamos a doçura (sabia?). E gostamos de criar (e recriar) por natureza"(...) porque nós, mulheres, fazemos coisas insensatas e acreditamos em sinais, homens e propagandas de shampoo."Fernanda de Mello
piú in là dell'universo
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Clarice Lispector.


"Delicadeza é aquilo que nos alcança sem nos tocar. É a melodia que nos embala mesmo em silêncio. É quando a boca empresta um sorriso aos olhos sem que nenhuma cobrança seja feita e os sentidos se misturam sem que ninguém dispute o melhor espaço. Delicadeza é ter pensamentos e atitudes em harmonia. É atingir o outro sem que ninguém saia machucado. É quando você é seduzido por algo que vem de dentro e dividir ajuda a somar!" Fernanda Gaona


Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do
ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo.Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele.Sou inconstante e tal...vez imprevisível.Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras.Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.São poucas as pessoas pra quem eu me explico..." Bob Marley