quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Auto Conhecimento : Organizando O Lado de Dentro

Por Rosangela Brunet 
"Cada um precisa organizar o caos em si, de tal modo que se concentre nas suas necessidades autênticas. Sua sinceridade, seu caráter vigoroso e verdadeiro precisa se opor algum dia ao que apenas sempre repete o já dito, o já aprendido, o já copiado. (…) o conceito de cultura com uma physis nova e aprimorada, sem dentro e sem fora, sem dissimulação e convenção, como uma unanimidade entre vida, pensamento, aparência e querer.”Friedrich Nietzsche
Uma das importâncias de se preservar a individualidade é pelo fato do  comportamento de um indivíduo estar  diretamente ligado  ao comportamento coletivo.A sociedade como grupo constituído de indivíduos organizados vivendo em comunidade é o reflexo do comportamento desses indivíduos. Por isso, pode-se dizer que um país se comporta em função do comportamento dos indivíduos que vivem nele ; e desse modo cada indivíduo também age da mesma forma que sua cultura ou sociedade determina .Á partir dessa premissa, pode-se concluir que primeiramente é necessário a transformação da atitude dos indivíduo para se começar a esperar a transformação de uma sociedade .As transformações pessoais acontecem de dentro para fora, assim como as transformações sociais começam dos indivíduos em direção ao coletivo.Não se pode resolver nenhum problemas na humanidade através de imposições ou decretos coletivos. A mudança se inicia dentro de cada um de nós. Cada atitude transformada provoca uma onda de mudança coletiva   produzindo um "Tsunami Social”.Toda transformação acontece pela aprendizagem de novo mode de ser , esta aprendizagem acontece pela disseminação do conhecimento e pelo estabelecimento de modelos positivos. 
"Suas atitudes falam tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz"
Ralph Emerson
Obra de Alfonso Maggiolo Peirano
 Chile El Kito de Sísifo

A palavra orienta e serve de referência enquanto discurso,mas o processo de aprendizagem se da  através da observação de um modelo significativo e representante de afetos positivos   .A transforação acontece pelo amor como disse Paulo Freire e Rubem Alves .Benjamin Franklin cita que "Um bom exemplo é o melhor sermão. E François La Rochefoucauld complementa dizendo "Nada é tão contagioso como o exemplo. É preciso promover a transformação social através da nossas própria transformação.E, obviamente, este não é um processo fácil,mas não tem como evitá-lo se desejarmos alcançar a satisfação e realização pessoal e profissional produzindo impacto no social.Mas porque essa travessia é tão difícil ,dolorosa, assustadora e muitas vezes, até impossível de acontecer ?
Há múltiplas respostas,mas me arriscarei a refletir sobre algumas questões importantes.
Em primeiro lugar todos sabemos que olhar por dentro de nossas máscaras é um processo difícil e profundo, pois teremos que enfrentar conteúdos dolorosos de se lidar, os quais durante a vida toda rejeitamos ver. São conteúdos que foram recalcados, reprimidos, "esquecidos", jogados no porão, para não serem enfrentado. É importante dizer que esse enfrentamento não pode acontecer sem a presença do outro , e, é nesse instante que este processo se torna mais difícil e complexo ainda,pois exige coragem e disposição de se expor e se denudar.
Essa coragem e disposição se torna necessária devido aos sentimento gerados pelas dificuldade nas relações Interpessoais e afetivas,  tais como: ansiedade, angústia, medo, culpa, vergonha, alegria , confusão, etc.
Cada pessoa, com sua história de vida vai vivenciar esta experiência com sua particularidade. Mas o fenômeno mais comum diante desse enfrentamento é a ansiedade. Uma das causas da ansiedade é o medo que se sente quando se esta enfrentando algo desconhecido.(Leia Mais sobre o tema no Link abaixo).A ansiedade de enfrentar o novo e este novo gerar rejeição é o eixo do desvio que leva muitas pessoas a adotarem comportamentos superficiais.No entanto, como disse Rubem Alves: "A vida não comporta a mesmice. ´Temos que nascer, crescer, reproduzir. Nenhuma planta é igual a si mesma num momento subsequente de tempo. As pedras,sim,  não nascem, nem crescem, nem envelhecem, nem se reproduzem. São sempre as mesmas. Mortas."
Fernando Pessoa em de seus poemas faz alusão a necessidade que o indivíduo tem de  se desapegar para que ele possar viver  plenamente e longe da legitimidade de ser.Ele diz que:  "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."  
Este poema retrata exatamente este momento em que é necessário atravessarmos alinha da zona de conforto, o tal "Status Quo" . á fim de sermos nós mesmos e podermos desfrutar da maior autenticidade e plenitude. Pessoa  se utiliza de  metáforas perfeitas,pois lança mão de certos símbolos extremamente adequados  para falar da necessidade que o sujeito tem de se transformar e enfrentar as mudanças.Ele usa a  roupa e o corpo, os quais fazem parte deste  processo de travessia  de transformação.
Por exemplo, para a Psicologia Analítica de C.G. Jung , a roupa é um símbolo que esta ligado ao arquétipo "persona" , que se manifesta na forma como nos apresentamos em sociedade.A nossa aparência. Segundo Ana Cristina Curi "Persona ,como arquétipo, é uma predisposição psíquica universal que estrutura a experiência da adaptação ao meio. A Persona é a forma pela qual nos apresentamos ao mundo.A origem dessa palavra é um termo grego que Jung introduziu em sua obra psicológica e designa a máscara, a forma como nos apresentamos socialmente. Esse termo, utilizado pelo fundador da Psicologia Analítica, tem sua origem nas máscaras utilizadas pelos atores gregos em encenações das tragédias."
E, nessa linha de pensamento, nas tramas de vida que vamos vivendo e tecendo nossa história, essas roupas vão ficando velhas, inadequadas e sujas. Por isso, é fundamental não deixarmos de acompanhar as mudanças sociais, porém sempre respeitando a individualidade e o espaço vital de cada um. O ponto crítico nesse processo é saber exatamente a hora de mudar, o que mudar, e substituir pelo o que? Ainda que essa jornada seja uma aventura,muitas vezes assustadora, essa mudança é essencial à  qualidade de vida e à saúde emocional. Veja o que diz Whitmont:  "Em sociedade, é importante desenvolvermos nossas personas assim como um ego adequado para que possamos nos relacionar com o coletivo. Devemos ter em mente, a necessidade dessa exigência, não deixando de lado, porém, aquilo que realmente somos. "Temos de descobrir que usamos nossas vestimentas representacionais para proteção e aparência, mas que também podemos nos trocar e vestir algo mais confortável quando é apropriado, e que podemos ficar nus em outros momentos. Se as nossas vestes grudam em nós ou parecem substituir a nossa pele é bem provável que nos tornemos doentes"[2] 
Persona tem uma ligação semântica com a palavra personalidade, que significa máscara. C.G. Jung dizia que a psique tem uma recurso muito próprio que possibilita o indivíduo esconder ou revelar os pensamentos e sentimentos conscientes . Esse recurso é uma defesa do ego. A máscara, ou a persona é essa utilização egoica utilizada para isso, pois permite o indivíduo ao mesmo tempo que observa o outro, se protege dele e de si mesmo. O problema é que enquanto nos defendemos do outro, ficamos cegos para nos ver também. Por isso, Fernando Pessoa se utilizou bem da metáfora quando se refere a trocar a roupa usada , pois só assim será possível enfrentar o fundo de nossas mascaras. Por um tempo, pode ser saudável se utilizar de máscaras ou se vestir com roupagens pouco confortáveis , mas fora de tempo essas roupas correm o risco de se "tornarem nossa pele" ou se esgarçarem.
A pele é o maior órgão de nossos corpo, e ela tem uma grande função de defesa , expressão e aparência. Muitas doenças psicossomáticas aparecem na pele, pois é um dos lugares mais suscetível a tensão psíquica justamente por seu simbolismo de defesa. As doenças psicossomáticas seguem esses traços do simbólico e se instalam enviando mensagens existenciais através destes símbolos. Segundo Fritz Perls "Lidar de forma isolada com os diferentes aspectos da personalidade humana ajuda a reforçar a crença de que o corpo e a alma são partes isoladas e conjugadas de forma misteriosa e desconectada.O indivíduo é um organismo vivo e dentro dessa dinâmica ,existem aspectos que são chamados de corpo, mente e alma .O corpo é a soma das células, a mente é a soma de percepções e pensamentos , e a alma é a soma de emoções. Tudo isso fazendo parte de uma estrutura dinamicamente integrada .São partes de um todo "
O corpo fala e sua comunicação é complexa e delicada. É importante para nossa saúde mental e física aprender sua linguagem e saber interpretar seus sinais. A dor,por exemplo, é um alerta nos chamando a atenção de que algo não esta bem.Não ignore os sinais do teu corpo .O que calamos e o que experimentamos ficará registrado no nosso corpo.Uma linha história se escreverá. Se a dor que a gente sente não puder ser expressada ela poderá vir em forma de aflição.O resfriado que pegamos insistentemente pode ser nosso corpo chorando a falta de afeto ardendo em febre .Quem sabe se a gastrite não é a ácida raiva corroendo nossa vida; ou então, vai ver se nosso coração estiver querendo parar pode ser a esperança de futuro que a gente deixou de alimentar . Como disse George Groddeck " todas as doenças têm um propósito...as pessoas criam suas doenças, não de forma arbitrária, mas sob a influência de uma compulsão interior.
Obra de Danny O'Connor
Por isso, trocar a pele natural por uma roupa ou máscara pode nos tornar um artefato social incapaz de enxergar o mundo e, até mesmo nos tornar um indivíduo incapaz de viver de forma espontânea até chegar no limite de produzir sintomas físicos. Essa mesma pele que protege também pode influenciar a nossa visão de mundo e, nos impedir de ver a dimensão invisível que existe dentro de nós e além de nós. Por isso, é tão fundamental esse processo de trabalhar essas personas no tempo certo de cada um ,pois o processo de adaptação é como um recurso de defesa psíquica, e funciona como um sensor que não pode ser desregulado. Nessa regulação que o organismo vai se desenvolvendo e buscando sua integração e plenitude. Mas o grande vilão dessa história são as demandas sociais que quase nos engolem diariamente , e esta sempre nos enfrentando tentando nos tirar desse equilíbrio, nos seduzindo a nos mascarar no nosso dia-a-dia mais do que o necessário.E nesses traços desviantes da rotina corremos o risco de nos apegarmos a papéis que acabamos priorizando e deixando nossa maior missão de lado : viver na vasta amplitude do Ser que existe me nós ,ainda que desconhecido.
"...se não ousarmos fazer esta travessia teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
Mas porque essa travessia é tão difícil ,dolorosa, assustadora e muitas vezes, até impossível de acontecer ?Há múltiplas respostas,mas me arriscarei a refletir sobre algumas questões importantes.
Em primeiro lugar já explicamos que enxergar o interior de nossas máscaras é um processo difícil e profundo,pois teremos que enfrentar conteúdos dolorosos de lidar, os quais durante a vida toda rejeitamos ver. São conteúdos que foram recalcados, reprimidos, "esquecidos", jogados no porão, para não ser enfrentado. E, é importante dizer que esse enfrentamento não pode acontecer sem a presença do outro , e, é nesse instante que este processo se trona mais difícil e complexo ainda,pois exige coragem e disposição de se expor e se denudar. Essa coragem e disposição se torna necessária devido aos sentimento que se apresentam a nós neste momento tais como: ansiedade, angústia, medo, culpa, vergonha, alegria , confusão, etc.Cada pessoa, com sua história de vida vai vivenciar esta experiência com sua particularidade. Mas o fenômeno mais comum diante desse enfrentamento é a ansiedade.Uma das causas da ansiedade é medo que se sente quando se esta enfrentando algo desconhecido. 
A ansiedade é uma agitação provocada pelo medo, que faz a pessoa agir impulsivamente, sem organização e disciplina. Uma pessoa ansiosa costuma lidar com as coisas de maneira precipitada, movimentando-se freneticamente quando deveria manter a calma. O medo e a ansiedade são os grandes inimigos da transformação.Causam estagnação ou desvios perigosos e, de uma forma ou de outra, impedem o fluxo natural da vida, afastando você da sua capacidade de crescimento pessoal " Roberto Shinyashiki
E não ha nada mais desconhecido do que nossas sombras *. Essa ansiedade citada Shinyashiki realmente impede a expansão do pensamento e o crescimento, mas também nos chega diante desse mesmo processo. Nessa ampliação de horizontes em direção a uma nova visão de mundo o medo do novo e do desconhecido vem nos afrontar. Neste momento é essencial que a pessoa não se renda e fuja desse caminho de autoconhecimento. O trabalho de tornar-se consciente de si mesmo é uma caminho para sair desse ciclo de energia desperdiçada.

Não podemos mudar nada sem que primeiro a aceitemos.
Carl Gustav Jung

Quando olho para dentro passo a me ver, a me conhecer e abre-se, então, a possibilidade de aprendizagem e expansão de pensamento. Sair do lado de fora em direção a introspecção me leva a ser um ser ativo no mundo agindo de forma responsável, ou seja, passo a ter a capacidade de responder aos estímulos externos e internos que me chegam .Abandono todo o silêncio de um espectador para me tornar um agente transformador. E,nessas tentativas de (des)mascarar-se ou despir-se o que esta velado pode produzir uma ansiedade insuportável e, é muito comum o indivíduo correr desesperadamente em direção a alguma atividade que possa aliviar essa tensão, expectativa,angústias, culpas , medos,etc.
Há algumas atividades bem importantes que ajudam transferir nessa hora energias deslocadas erroneamente para alvos mais produtivos. Mas estas atividades não serão citadas aqui agora. Neste artigo eu gostaria de exemplificar uma atividade muito interessante que encontro em muitos pacientes que relatam ser mais relaxante e confortantes para eles neste momento : a arrumação de seus armários .Escolhi esta atividade em parceria com aquele trecho de Fernando Pessoa, pois ambos contém uma forma simbólica de configurar o que esta acontecendo naquele momento com a pessoa que precisa encontrar uma saída para tanta tensão e sofrimentos diante de uma ameaça no enfrentamento do desconhecido.
Normalmente na psicoterapia o paciente vive este processo de autoconhecimento intensamente produz , muitas vezes, ansiedade, angústia , agitação e descontrole. Alguns pacientes relatam que arrumar o armário o ajuda a organizar seus pensamentos e colocar em perspectivas o que eles ainda não conseguem enxergar em sua totalidade . Então eles arrumam seus armários, suas gavetas, seus documentos ou qualquer coisa pendente que "deixou para depois". e, é justamente essas "pendências" que estão cobrando e pesando no processo de integração. 
Tem coisas que todos nós deixamos para fazer outra hora porque não consideramos tão essencial assim; mas ,se formos postergando depois, e abrindo uma caixa 2, numa gaveta, numa das partes do armário, ou até mesmo um quartinho inteiro de bagunça , esse "depois" poder-se-á tornar-se horas, dias e até anos de atraso de qualidade de vida e saúde mental.Observo que sempre que as pessoas recorrem a este artifício de "arrumar suas bagunças" e "coisas pendentes" , elas vão ficando mais calmas.Na medida que vão organizando os papéis, colocando-os em pastas separadas, arrumando as roupas de forma mais prática, eles vão descobrindo que sempre tem algumas coisas que sobrou , que estava pesando mais e eles não percebiam;sempre descobrem que eles não tinham mais necessidade de guardar tanta coisa assim; que aquelas coisas estavam ali por puro apego.
Quando alguém me traz esse tipo de questão eu faço dela um exercício , levando-a a vivenciar essa prática na vida real. Levo a pessoa "para frente" do guarda-roupa, e procuro fazê-la vivenciar esse processo de "arrumação de bagunça" na prática levando-a a relacionar esses objetos que serão arrumados aos conteúdos esquecidos, reprimidos e recalcados. Peço que ela jogue fora tudo que não serve mais, tudo que esta pesando , que a prende, que a atrasa, que cega ela pro dentro. Nessa hora sempre existe aqueles papéis que nunca foram lido mas a pessoa guardou porque achava que iria ler um dia; tem as notinhas de compras que ficaram no fundo da bolsa e já faz meses que o produto acabou ; tem as roupas que já não cabem mais nelas,mas elas insistem em esperar emagrecer.Tem as roupas que já se acostumaram muito com o corpo da pessoa e perdeu o caimento,mas o paciente continua usando as mesmas roupas para ir a lugares novos. Tem as bolsas que saíram de moda ou ficaram velhas ,mas a pessoa não faz nenhuma questão de se atualizar; tem aqueles bilhetinhos do chefe que sempre se guarda pra não esquecer a tarefa importante que priorizou,mas a tarefa foi cumprida com êxito e pessoa ainda fica com ele ; tem os bilhetes de teatro ou algum show que ficaram lá como lembrança daqueles dias maravilhosos que foram vividos ,mas a pessoa nunca consegue guardar ;tem os cartões de aniversário que ficaram registrados na memória,mas a pessoa esqueceu no fundo da bolsa ; tem as sujeirinhas e as pedras que caíram do colar,mas a pessoa insiste em manter aqueles resíduos do passado; tem os papéis com telefones anotados que se esqueceu de passar para a agenda,e o indivíduo ainda nem conseguiu se livrar da agenda da anterior. Enfim, nessa hora a pessoa tem que decidir se vai se livrar de tudo isso ou não. Será um processo de priorizar, de luto e resignificação de conceitos, reconstrução de caminho e descobrimento de novos espaços e terras .Mas para isso será fundamental o indivíduo aprender discernir o que é essencial do inútil. Do contrário, o lixo e objetos continuarão se acumulando e pesando desnecessariamente.A vida da gente é bem assim mesmo .Se a gente não tomar cuidado, ás vezes, tem coisas demais sobrando dentro de nós , ou atrás nos puxando , ou pesando em cima .Ainda tem aquelas coisas roubando a nossa esperança e tirando a nossa fé; e, tudo isso nos impede de vivenciar novas experiências. O fato é que o equilíbrio entre o apego e o desapego e, a capacidade de gerenciar nossas vidas são questões fundamentais para nossa saúde mental e qualidade de vida.Todo excesso de peso e lixo guardado dentro de nós nos faz mal emocionalmente.É uma ameaça para nossa qualidade de vida.
Desapegar é uma dificuldade para muitas pessoas. A capacidade de organização e estabelecimento de prioridades e, o equilíbrio para lidar com as angústias, ansiedades e culpas que são geradas nesta hora do desapego é como enfrentar uma batalha armada que evitamos desesperadamente.Organizar nossas "bagunças" é um caminho para a harmonia interna e o equilíbrio sistêmico do indivíduo. E nele a pessoa vai arrumando seu quarto,organizando sua vida,revendo seus conceitos, repensando suas escolhas, resignificando seus pensamentos, e reparando seus erros. E, no fim, pode acreditar ,você sempre acabará encontrando coisas lindas, brilhantes e preciosas no meio dessa bagunça do guarda-roupa,basta ter coragem e paciência de procurar.
Desde a infância aprendemos a nos apegar,a fazer vínculos, a guardar o que tinha valor e a jogar fora o que não servia. O ódio e o amor por um objeto ou pessoa é um conceito construído desde a tenra infância , na fase oral, quando temos contato com o seio materno. O conceito de organização vai se desenvolvendo mais tarde na fase anal,onde a criança aprende o controle dos esfincteres. Nestas duas fases estão canalizadas energias importantes para que o adulto conquiste uma vida mais saudável em suas relações com o outro e com o gerenciamento da vida em geral.Por isso, para quem é pai ou mãe sugiro investir uma atenção especial para seus bebês nesse período. Pois, se o indivíduo ficou fixado numa destas fases ele voltará sempre nelas para obter prazer na hora da ansiedade,angústia ou culpa. Vai buscar um tamponamento qualquer para se livrar das mesmas angústias das quais se escondeu na tenra infância, e por isso, continua a se esconder se apegando demais ao que é desnecessário ou ao que é ofensivo a saúde mental e física, ou organizando demais de forma sistemática . 
“Parece perfeitamente normal que aos quatro anos de idade uma menina chore penosamente se sua boneca se quebrar, ou aos seis anos se a governanta reprova-la, ou aos dezesseis se ela for desprezada pelo namorado, ou aos vinte e cinco, talvez, se um filho dela morrer. Cada um desses determinantes da dor tem sua própria época e cada um desaparece quando essa época terminar. Somente os determinantes finais e definitivos permanecem definitivos. Devemos julgar estranho se essa mesma menina, depois de ter crescido e se tornado esposa e mãe, fosse chorar por algum objeto sem valor que tivesse sido danificado. Contudo é exatamente assim que se comporta o neurótico” – S. Freud: “Inibição, Sintoma e Angústia”. E completa Quinet: Isto porque todas essas perdas têm um significado: castração, que resume os “determinantes finais e definitivos”. Eis por que são dolorosas, e o sujeito, PARA SAIR DA DOR, DEVE FAZER O LUTO DO QUE PERDEU."[5]
Claro que este exemplo de arrumar armários é um caso simples e cotidiano , mas pode ser o reflexo do que esta acontecendo dentro da pessoa. Por isso, me utilizo dele para tentar comentar sobre a dificuldade que muitos indivíduos possuem de se desapegar de objetos ou pessoas causando transtornos falta de direcionamento na hora de se sentir realizado e pleno enquanto sujeito no mundo. 
O hábito que muitos possuem de exigir tudo arrumado compulsivamente, ou em outro extremo, não conseguir organizar nada na sua vida compromete a qualidade de vida de uma pessoa produzindo impacto
em seu ambiente familiar ou ambiente de trabalho. No primeiro caso a pessoa esta tão apegada a coisas ou objeto exigindo perfeição, que perde a capacidade de criação e espontaneidade . No segundo caso ,o indivíduo se torna tão confuso e sem critério de ação que não consegue atingir meta alguma, pois não consegue planejar nada e, não enxergar nenhuma estratégica na hora de elaborar um plano de vida. 
Para clarear um um pouco mais este assunto gostaria de refletir sobre o que Freud e Fritz falam sobre pensamento.Porque não tem como separar o processo de reconstrução, resignificação e transformação do processo de pensar
Nosso querido Sigmund Freud diz,por exemplo, que "O pensamento é o ensaio da ação".Mais tarde Fritz Perls vai afirmar que a "A ação é inimiga do pensamento"Porque? Você pensa antes sua ação para antecipar, planejar, e prever soluções possíveis. Aqui o pensamento pode ser incluir também a ilusão onde a "verdade" de cada uma esta sem experimentação. Ou você pensa para agir, ou você age e sofre as consequências de ações mal planejadas.Há uma grande importância em se abrir para o processo de pensamento para que possamos conhecer a diferença entre o que é legítimo para mim mesmo, e o que é demandando pelo social ou pelo outro.

Por isso , o investimento no processo de pensar nos poupa de erros na hora de agir. O neurótico falha no agir porque sua forma de pensar esta engessada , robotizada ou desorganizada incapacitando -o a ser espontâneo e criativo .Sua forma de ver o mundo e se ver o impede de estar em contato consigo mesmo e com o mundo de forma eficaz, e assim ele não consegue atuar no meio para obter satisfação plena .Quando estamos pensando, estamos economizando energia futura de ação, pois estamos planejando o que fazer com critério, ordem e perspectiva. Sem isso sairíamos sem direção e desperdiçaríamos muito tempo e energia para chegar onde queremos e atingir algum objetivo.Por exemplo, quando estamos planejando uma viagem primeiro pensamos no que vamos precisar para que a viagem seja um sucesso.Depois começamos a traçar planos de ação em direção aquilo que planejamos e depois entramos a ação .Organizamos as roupas, compramos as passagens, reservamos o hotel,fazemos as malas, deixamos a casa preparada para ficar vazia, deixamos o cachorro com a vovó, etc.E ,então partimos para o sucesso de nosso empreendimento. 
Nesse processo de pensar explica a dificuldade que algumas pessoas possuem de lidar com suas "bagunças" . Nesse exercício de "arrumação" observa-se o quanto é possível projetar os objetos internos na atividade ou nas ações que ela executa. O reflexo do pensamento é a ação. O nível de organização e desapego reflete o estado emocional de cada um nas ações do dia-a-dia.
Se um dia você estiver passando por esta experiência observe se tem alguma coisa que te dói se desfazer, que te custa doar. Se pergunte quais as tarefas você procrastinou por tanto tempo e porque ? É muito comum também cair na armadilha de arrumar uma "caixa extra" para as coisas "diversas" que não se sabe nomear, dar sentido, ou encontrar uma função. Então elas ficam lá naquela caixa por anos a fio porque não se consegue desapegar ou organizar. Porque não se encontra lugar para aquilo? Porque se valoriza demais aquilo outro?
Tem um trecho da música da Tina Turner que diz: "você tem que deixar tudo ir embora -se limpar. Se você está infeliz com alguma coisa que faz você ficar pra baixo,livre-se disso. Você verá que quando você estiver livre, sua verdadeira criatividade e seu verdadeiro eu virá para fora "
Esse trecho é um exemplo de prática incentivadora que gosto de ter.Mas sabe-se que nem sempre isso é tão fácil assim, pois na vida os sapatos e bolsas podem ter adquirido cargas carregadas de afetos que demoram anos para se gerenciar. Muitas vezes um objeto nem sempre poderá ser substituídos tão rapidamente por outro . Há bilhetes rasgados que podem custar a uma fortuna , até a assinatura de um divórcio. Há roupas velhas que podem se tornar preciosas e confortáveis para um recomeço , pois diminuem a ansiedade na hora de pagar a conta.
No entanto, segundo Renato Dias Martino: "Desapegar-se da realidade é uma tarefa simples comparada à empreitada de desfazer-se de uma ilusão(...)A ilusão é tão importante quanto a realidade, para aquele que se dedica ao exercício do pensar" 
Se eu me desapego devo saber que tenho que deixar para trás muitos afetos, ilusões e sentimentos desconhecidos não elaborados juntamento com o objeto ou pessoa abandonada .Apesar da bolsa estar velha , ela fez parte um momento importante que deve ser deixado para trás, mas isso inclui enfrentar o medo do novo , encarar a ansiedade e se encorajar a vivenciar culpa disfarçada de amor e de apego até que ela seja desmascarada.É essencial que possamos aprender a reconhecer raivas pelas dores que foram registradas, as angústias de não se saber como viver sem aquilo ou sem a pessoa agora. O fato é, que o desapego deve ser tomado na dose certa sempre que for necessário!E isso é uma arte marcial,mas um caminho de saída em direção a vida saudável. Essa atitude vai ajudar você a andar com mais força e firmeza .É um ato decisivo para o crescimento e maturidade.
O trecho de Pessoa é incontestável."Tire o velho para que venha o novo".Mas o que se faz com os afetos que também deverão ser abandonados ? O que fazer com a angústia gerada pela dúvida e medo do desconhecido, o que fazer com a dor do luto,da perda. Mesmo o menor dos objeto carregam com ele sua importância.Como refazer um caminho quando ainda não conseguimos entender o que estamos deixando para trás?
Não há uma resposta pronta para ensinar alguém a arrumar suas " bagunças " sem que ela sofra e viva o luto necessário. Mas há algumas direções que se pode sugerir .
A primeira é aprender a aquilatar o valor de cada objeto, bem como sua função. Claro, que não existe nehuma praticidade nessa hora , mas é possível aprender a colocar cada roupa em seu devido lugar mesmo que não seja mais do nosso lado .Em segundo lugar, é mister redirecionar nossas energias para os objetos necessários para a nossa legítima necessidade e desejo. E nesse momento há uma gatilho fundamental que precisa ser acionado.O autoconhecimento. Do contrário não se pode saber o que se deseja ,o que se necessita, o que não tem mais valor ou o que é útil , se não houver o mínimo de introspecção e autoconhecimento
A questão importante e essencial contida nessas prática me remete a quarta direção: saber reconhecer em nós os sentimentos que realmente devem ser perpetuados e outros que devem ser extintos.
Porém, essas direções fatalmente desembocarão em algumas fundamentais questões: Você aprendeu a reconhecer um sentimento quando ele surge? E se reconhece, você sabe lidar com ele? E se sabe lidar , você foi amparado com os afetos essenciais que te sustentaram o suficiente para vivenciar uma perda,por menor que seja? Ir embora, deixar o "objeto mal" e, odiá-lo por ter te pesado é um processo que reproduzem afetos antigos como culpa , angústia e ansiedade diante da perda necessário para o amadurecimento. Mas se no desenvolvimento psíquico você não teve suporte para partir, então você estará ancorado nesse refúgio psíquico como alguém parado numa estação esperando o mesmo trem voltar.Mas o trem nunca volta o mesmo, mesmo que seja o mesmo trem. E a estação também já não é a mais a mesma ainda que você fique parado lá por toda a sua vida. O rio corre e nunca é o mesmo, e a mudança é uma das únicas certezas que temos na vida. Por isso, é necessário ter sempre em mente que toda crise tem em si mesmo a semente de sua solução. Quando uma crise se instala podemos ter duas atitudes: Crescer ou estagnar. Se escolhermos a primeira opção veremos velhas estruturas de pensamento serem demolidas.Tudo que não nos serve mais, tudo que esta em excesso impedindo nosso crescimento será desestruturado para dar lugar ao novo. Virá a desorganização sim, mas para depois chegar o novo solo, o novo espaço apropriado para novas construções criativas. E, então estaremos prontos , pois a expansão de pensamento promove abertura de visão de mundo, faz-nos resignificar nossos conceitos trazendo uma nova mentalidade que servirá de base para novas atitudes nos dando suporte para um recomeço.
Mas você pode estar se perguntando: tudo isso é muito bonito, mas como colocar isso em prática? Realmente passar por este processo é bem complicado e exige muita disposição e energia.Mas além de energia e disposição, é necessário a relação com a verdade do outro para que o pensamento aconteça, as ilusões se desfaçam, e a pessoa consiga reorganizar seus conteúdos de forma legítima, sem base em ilusões ou fantasia. Uma pessoa sozinha dificilmente conseguirá alcançar este estágio de maturidade emocional, pois quando nos dispomos a pensar é necessário que haja duas pessoas refletindo, do contrário acabamos nos perdendo em nossas ilusões,fantasias e imaginações.Veja o que Renato Dias Martino nos explica sobre isso 
"O grande prejuízo da razão é que quanto mais enriquecidos de saberes inquestionáveis ,tanto mais empobrecidos das faculdades de pensar,nos tornamos (...) O pensamento é por assim dizer, a capacitação do ‘eu’ (compreendendo o mundo interno) na ligação afetiva com o mundo (externo). O exercício do pensar só se efetiva na experiência, como já se tomou por entendido. Experiência que compreende a ação junto do outro. Depende-se do outro para se pensar Quando não se inclui o outro, o movimento mental não pode levar o nome de pensar, pois ainda conserva características imaginarias.Ainda se encontra como ilusão que só será quebrada na introdução da verdade externa.Dessa forma, sou forçado a depositar meu descrédito em qualquer tentativa de batizar como pensamento, experiências que não compreendam o outro, ou o encontro com a verdade do outro(...) te desejo a verdade. ... A verdade que nos faz eternos pesquisadores do mundo e da vida. A verdade que não sossega.A que nos acorda de manhã cobrando um tipo de resposta que , talvez, não servirá mais depois de amanhã.A verdade que nos vira a cara a cada encontro.Aquela pela qual só podemos nos ver orientados,mas nunca possuídos "Renato Dias Martino [1]
E essa verdade só me chega se eu for continente para o outro, se estiver disposta a receber a verdade do outro para que seja material de enfrentamento e reflexão para mim.A necessidade da intervenção do outro acontece porque grande parte daquilo que falamos e escutamos passa por nosso inconsciente, e o inconsciente é responsável por construções psíquicas que dão ao seu criador a capacidade de gerar , organizar formas pensamento que interferem diretamente na forma de intervir no mundo. E isso acontece como uma espécie de respostas à partir de demandas e inquietações inconsciente, angústias e medos. Por isso é tão difícil desorganizar nossas bagunças, refazer nossos caminhos já tanto tempo estabelecido. É extremamente complexo repensar alguma ação, reconstruir uma história.E, pior do que estar disposto a vivenciar este processo, o mais difícil ainda é chegar a uma tomada de consciência que nos alavanque para uma atitude de transformação autêntica.Se não houver uma interferência do outro, raramente uma pessoa se da conta de que "suas verdade" necessitam ser revistas. Veja o Mito da Caverna de Platão 
"Platão viu a maioria da humanidade condenada a uma infeliz condição. Imaginou (no Livro VII de A República, um diálogo escrito entre 380-370 a.C.) todos presos desde a infância no fundo de uma caverna, imobilizados, obrigados pelas correntes que os atavam a olharem sempre a parede em frente.O que veriam então? Supondo a seguir que existissem algumas pessoas, uns prisioneiros, carregando para lá para cá, sobre suas cabeças, estatuetas de homens, de animais, vasos, bacias e outros vasilhames, por detrás do muro onde os demais estavam encadeados, havendo ainda uma escassa iluminação vindo do fundo do subterrâneo, disse que os habitantes daquele triste lugar só poderiam enxergar o bruxuleio das sombras daqueles objetos, surgindo e se desafazendo diante deles.Era assim que viviam os homens, concluiu ele.Acreditavam que as imagens fantasmagóricas que apareciam aos seus olhos (que Platão chama de ídolos) eram verdadeiras, tomando o espectro pela realidade. A sua existência era pois inteiramente dominada pela ignorância (agnóia). Mas, se por um acaso, segue Platão na sua narrativa, alguém resolvesse libertar um daqueles pobres diabos da sua pesarosa ignorância e o levasse ainda que arrastado para longe daquela caverna, o que poderia então suceder-lhe? Num primeiro momento, chegando do lado de fora, ele nada enxergaria, ofuscado pela extrema luminosidade do exuberante Hélio, o Sol, que tudo pode, que tudo provê e vê.Mas, depois, aclimatado, ele iria desvendando aos poucos, como se fosse alguém que lentamente recuperasse a visão, as manchas, as imagens, e, finalmente, uma infinidade outra de objetos maravilhosos que o cercavam. Assim, ainda estupefato, ele se depararia com a existência de um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que fora criado.O universo da ciência (gnose) e o do conhecimento (espiteme), por inteiro, se escancarava perante ele, podendo então vislumbrar e embevecer-se com o mundo das formas perfeitas."[4]
Nesse Mito da Caverna - Platão deseja mostrar que sempre é doloroso se chegar ao (auto)conhecimento,pois esse processo exige sair do "Status Quo" , do lugar de conforto para romper com tudo que é corrente existencial e inercia da ignorância .Mas se alguém se dispões a pagar este preço o resultado será o prazer da descoberta de tudo que poderá tornar essa pessoa realizada e capacitada a ser aquilo que ela foi constituída para ser.No início o indivíduo pode se deparar ainda com imagens distorcidas.A fase de adaptação pode ser longa e confusa. Atingir as profundezas de suas sombras é uma virtude que se adquire com precisão, persistência, coragem e humildade. Todos que passam por este processo aprendem a conviver como seus "nada, seus vazios e com a falta de explicação, pois entende que nem tudo pode ser explicado,pelo menos, naquela hora.Na verdade, o auto(conhecimento) é uma busca pela vida inteira. É uma Ode existencial à contemplação do Desconhecido tão temido e desejado ao mesmo tempo.É ir além do estabelecido e ultrapassar limites pessoais e sociais se arriscando a rupturas que levará o indivíduo a vivenciar o bem (agathón) , o belo (tokalón) , a verdade e a justiça (dikaiosyne). Sair dessa inconsistência e mergulhar na consciência de si mesmo e do outro , faz a pessoa adquirir novos modos de se apropriarmos de uma forma de vida estéril e alcançar um saber maior .
Para concluir,enfim, meu raciocínio devo admitir que a fantasia, as máscaras e as roupas em excesso podem ser bastante necessárias no carnaval, nas festas de fantasias ou até mesmo num período de adaptação a uma nova situação , pois nos caracterizamos com traços que sustentam e nos defendem de possíveis investidas inapropriadas e fora do tempo . Mas se esconder sempre diante de ameças apenas revela que o indivíduo esta impossibilitado de assumir responsabilidades, de engajar-se numa transformação legítima e não pode,portanto, se adaptar; o que poderá levar esse indivíduo a viver muito abaixo de seu potencial e, em casos extremos, até adquirir hábitos sintomáticos e formas patológicas de viver no mundo. 


Referencias:
[1]Renato Dias Martino,In :
[2] Whitmont,Edward C. p.140).( BOLETIM CLÍNICO - número 20- julho/2005 - PUC-SP)
[3]Isabelle Fernandes Vieira de Matos Rocha - Acadêmica do 6º período do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Betim.
[4]http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2006/05/17/000.htm
[5] Antonio Quinet,In: (Psicose e laço social, p. 37)http://academiafreudiana.wordpress.com/author/academiafreudiana/

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