Depressão: A dor de viver e Sintoma Social

Por Rosangela Brunet

"A depressão caracteriza-se como uma doença em que ocorrem desequilíbrios químicos dos chamados neurotransmissores. Essas substâncias são responsáveis por transportar as informações pela rede de neurônios de nosso cérebro - incluindo as sensações de prazer, serenidade, disposição e bem estar. "A depressão irá afetar neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina e melatonina, que interferem justamente nesses sentimentos", afirma o psiquiatra Luis Gustavo Brasil, da Clínica Maia. Esse desequilíbrio químico pode desencadear uma série de respostas e em diversas funções do organismo, e as consequências são os sintomas que já conhecemos: tristeza, apatia, falta de motivação, dificuldade de concentração, pessimismo, insegurança e muitos outros" Blog "Falando sobre Depressão" [1]

Segundo (Kaplan, Sadock, Grebb, 1997) “ a depressão está inclusa no Bloco do CID-10 como um Transtornos de Humor(...)Essa alteração do humor é normalmente acompanhada por uma alteração no nível global de atividade e a maioria dos outros sintomas é secundária ou facilmente compreendida no contexto de tais alterações. A maioria desses transtornos tende a ser recorrente e o início dos episódios individuais é freqüentemente relacionado com eventos ou situações estressantes. Os sintomas mais comumente percebidos partem tanto de alterações fisiológicas quanto de mudanças de estados emocionais e cognitivos. (...)Os transtornos de humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela de controle desse humor ou das expressões afetivas e de uma experiência subjetiva de grande sofrimento”


Claudio Pfeil, um Psicanalista [2] abordou a depressão de uma forma bem interessante.Ele disse: “ Depressão é de-pressão: o prefixo “de” indica perda de pressão na existência. Perda de energia, de vitalidade, de desejo, de apetite, de sono, de esperança, de tempo, de prazer. No estado depressivo, a pessoa se confronta com uma falta que, em vez de ser suporte de um desejo, provoca a abdicação do desejo. Trata-se de uma falta articulada a uma perda que não consegue ser simbolizada pela linguagem. Depressão não é doença, não existe como tal: é efeito da linguagem na sua dificuldade de nomear a falta, o objeto sexual.
Ferida aberta pede urgência,não sabe se pulsa por vida ou morte, se sangra ou permite-se estancar. Há sim dimensões, embora pouco se sabe de que dor ou que prazer, 
(sobre)vive.... Evelyn Grilli

A identificação da depressão.
Segundo Renato Dias Martino “ Entristecer-se é fundamental na tarefa do pensar.;aquele que não encontra-se capaz disso , ou escapa para a euforia , ou mergulha na depressão" ,mas para exemplificar este quadro depressivo em sua variação de humor vejamos o caso de uma pessoa com humor elevado, a qual se torna expansiva , com fuga de idéias, sono diminuído, auto-estima elevada, e idéias grandiosas.Por outro lado, o paciente com humor deprimido possui “ perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldade para concentrar-se; alterações nos níveis de atividade, capacidades cognitivas, linguagem e funções vegetativas (perda de peso, perda de sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos); dificuldade para começar a realizar tarefas , dificuldade de terminar as coisas que começou; sensações crônica de tristeza (se sente triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava) ;choro sem motivo aparente ou dificuldade para chorar; dificuldade em tomar decisões, Persistência de pensamentos negativos (Pessimismo/ Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança); pensamentos sobre morte e suicídio (Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer. Apesar da depressão não ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio); autocomiseração (sentimento de pena de si mesmo) , sentimentos de culpa injustificáveis, irritabilidade ou impaciência,inquietação , alterações da sensação corporal como dores e enjoos, boca ressecada e constipação

"A depressão pode ser causada por 1 desses fatores ou pela associação de vários fatores biológicos, psicológicos, sociais e ainda acrescentaria a essa lista fatores externos como uso de drogas e medicação sem orientação médica.Diversas vezes tratamos 1 fator e deixamos outro (s) de lado. A depressão pode ser multifatorial. Fique atento. Não tenha vergonha, ou preconceito!
Procure ajuda! " [3]

No caso dos sintomas corporais podem acontecer com alguma freqüência a sensação de desconforto no
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batimento cardíaco, a constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. O desaparecimento de alguns desses sintomas e/ou sensações não significa melhora do quadro, pois os mesmos não acontecem todos ao mesmo tempo. O indivíduo deprimido tem uma oscilação dos sintomas, e isso pode dar a falsa sensação de estar bem.Por isso um diagnóstico diferenciado é essencial.
Por isso, para fazer um diagnóstico eficaz é necessário levar em conta alguns sintomas específicos: Perda de energia ou interesse, Humor deprimido, Dificuldade de concentração, Alterações do apetite e do sono, Lentificação das atividades físicas e mentais(não consegue ficar parado ou pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. ) e Sentimento de pesar ou fracasso , sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa , se culpa pela doença ou pelos problemas dos outros, sentindo-se um peso para a família. É importante ressaltar que esse quadro precisa estar se repetindo durante pelo menos duas semanas para que se possa dizer que o paciente está deprimido.
Segundo o CID-10 no episódio depressivo o indivíduo perde de interesse, prazer e energia levando- o a uma fatigabilidade aumentada e atividade diminuída. Cansaço marcante após esforços leves é comum.

Sintomas 

· Concentração e atenção reduzidas;
· auto-estima e autoconfiança reduzidas;
· idéias de culpa e inutilidade;
· visões desoladas e pessimistas do futuro
· idéias ou atos autolesivos ou suicídio;
· sono perturbado;
· apetite diminuído

Encontrei no Blog "Falando sobre depressão"[1] alguns sintomas  físicos que podem estar presntes na depressão.Veja no texto abaixo 

"Além dos sintomas psicológicos tão conhecidos da depressão existe um grupo de sensações físicas que também cursam com a doença. Se não for tratada, a depressão se agrava, causando sintomas que nem sempre são relacionados à doença. Confira algumas sensações físicas que podem acompanhar o quadro depressivo e quando buscar ajuda:  

Problemas digestivos

Quando o individuo está em depressão, há uma baixa na produção dos neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina. "Esses mediadores são responsáveis pela modulação da dor e também pelo equilíbrio emocional, portanto um paciente depressivo apresenta maior sensibilidade à dor", explica a psicóloga e psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, da Universidade de São Paulo (USP).
A dor na parte gastrointestinal é muito comum em depressivos. Segundo a especialista, há muitas vezes a ocorrência da síndrome do intestino irritável, que causa dores abdominais, flatulência e mudanças do hábito intestinal. "Pacientes podem chegar ao gastroenterologista com esses sintomas e, após vários exames clínicos, são diagnosticados como de fundo emocional."


Dor de cabeça



A depressão também pode motivar dores do tipo cefaleia. "Há o cenário que chamamos de somatização, no qual o indivíduo com depressão acumula sintomas emocionais, frustrações, medos e inseguranças e descarrega no corpo", afirma a psicóloga Priscila. "Vale ressaltar que é um processo inconsciente, ou seja, o individuo não tem controle sobre isso, e deve procurar ajuda profissional."
Distúrbios do sono
Distúrbios do sono são bem comuns: ou o paciente dorme demais, buscando no sono uma fuga da realidade, ou não consegue dormir, por não conseguir se desligar dos problemas que o levaram a depressão. Em ambos os casos, o resultado é um sono de má qualidade. "O paciente não se recupera o suficiente para as atividades que deve exercer, o que explica a piora da do rendimento e da produtividade", lembra o psiquiatra Luis Gustavo Brasil, da Clínica Maia.
Tensão na nuca e nos ombros
Como consequência do processo de somatização, o paciente depressivo fica constantemente em estado de alerta - e isso se reflete em tensão na musculatura, principalmente da nuca e ombros. "A ansiedade e nervosismo para resolver as questões emocionais estão frequentemente associadas a esses sintomas", diz a psicóloga Priscila.
Cansaço ou fadiga
"A falta da produção adequada dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina gera uma prostração muito grande em pacientes", conta Priscila Gasparini Fernandes. O resultado são sintomas como fraqueza, cansaço, falta de ânimo e falta de iniciativa para executar qualquer atividade.
Mudanças no apetite e no peso
A depressão é frequentemente associada a transtornos alimentares. Isso porque a doença leva a alterações no apetite, podendo ocorrer a falta ou o excesso deste, culminando em perda ou ganho de peso. "As reações são individuais, é necessário apenas observar que o comportamento não está normal para aquela pessoa e orientá-la a buscar ajuda", explica a psicóloga Patricia.
A especialista ressalta ainda que quadros de anorexia e bulimia são diferentes de depressão, e como tal devem ser tratados separadamente. Há casos em que o paciente já diagnosticado com transtornos alimentares desenvolve um quadro depressivo, mas não se sabe quais são os gatilhos para essa relação. Portanto, é necessário prestar atenção tanto nas mudanças de apetite do paciente com suspeita de depressão quanto em sinais depressivos nas pessoas que já tratam transtornos alimentares.

Dores no corpo
Pacientes com depressão muitas vezes se queixam de dores generalizadas e persistentes no corpo todo, principalmente nas costas e peito. "Os sintomas de fadiga e cansaço próprios do quadro depressivo acabam comprometendo uma postura adequada quando o indivíduo tenta realizar suas atividades diárias, piorando a sensação de tensão e dores musculares", explica psiquiatra Luis. Sedentarismo e a falta de atividades físicas podem tornar o quadro ainda mais intenso.
Imunidade baixa
A depressão leva o indivíduo à prostração - ele não se sente bem fisicamente e mentalmente. Isso pode, de maneira indireta, interferir na imunidade. "Ocorre uma liberação descontrolada de hormônios quando não estamos bem emocionalmente, afetando as células de defesa", diz Priscila Gasparini Fernandes. Além disso, a tristeza e falta de iniciativa para realizar atividades pode fazer com que o paciente não tome os devidos cuidados com a saúde, adotando comportamentos de risco como ingestão excessiva de álcool, tabagismo, uso de drogas, má alimentação e sedentarismo - todos fatores que interferem diretamente na imunidade, deixando o indivíduo mais vulnerável a infecções oportunistas, como gripes, resfriados e herpes.


Causa da Depressão

A causa exata da depressão é uma incógnita ainda,mas pode-se dizer que para este quadro esteja presente no indivíduo há o desequilíbrio bioquímico dos neurônios que são responsáveis pelo controle do humor.Há muitos estudos sobre os fatores desencadeantes e entre eles o stress e a ansiedade estão diretamente ligados a depressão. Se formos investigar de perto em geral acontecimentos estressantes ocorreram na vida dessa no início de um episódio depressivo 
Os eventos estressantes como perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades podem provavelmente disparar a depressão nas pessoas que possuem já esta predisposição , mas não se pode dizer que são estes eventos os responsáveis diretos como fortes fonte desencadeadora desta doença. Toda separação dói. O luto é um processo indispensável para a sobrevivência das emoções quando se vivencia uma perda. Ainda que ela seja a perda da ilusão. Quem não se permite sofrer a dor e chorar a lágrima da despedida pagará o imposto do sintoma que mais tarde , talvez o corpo ou a alma nos cobrará .Mas de fato estes não podemos reduzir a causa da depressão a apenas estes fatores.O que para a ciência ainda é um desafio e objeto de mais aprofundados e contínuos são as razões pelas quais uma pessoas se torna vulneráveis ou predisposta. A influência genética é uma das hipóteses mais estudadas pela psiquiatria. Além dos fatores genéticos estudos tem mostrado que o ambiente durante a infância pode ser também um fator preponderante.

"A depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo e não tem preconceito: homens, mulheres, crianças, velhos, jovens, ricos e pobres, todos podem ser afetados por ela.
Apesar de afetar tantas pessoas, o preconceito e a falta de estratégias de prevenção faz com que apenas 10% com o problema tenham acesso ao tratamento.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), em parceria com o escritor e ilustradorMatthew Johnstone, produziu uma animação que mostra de forma simples e direta o que é a depressão e, o mais importante, como é possível se livrar dela.
Usando a metáfora do “grande cão negro”, que é utilizada desde o século 16, o vídeo explica alguns dos sintomas e como a depressão prejudica a vida de uma pessoa. O diálogo, a aceitação, o tratamento e até mesmo o exercício físico são grandes aliados na missão de transformar a assustadora fera em cão domesticado, por mais impossível que isso, às vezes, possa parecer.
A figura de um cão preto foi usada pelo escritor inglês Samuel Johnson, em 1780, para descrever sua própria depressão e popularizada primeiro-ministro britânico Sir Winston Churchill, que também enfrentou o problema." [4]

DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO segundo Drauzio Varella [6]

"Depressão é a tristeza quando não acaba mais. É uma doença que ataca tão subrepticiamente, que a maioria dos que sofrem dela nem percebem que estão doentes. De cada dez pessoas que procuram o médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o diagnóstico de depressão.
Do início insidioso, a depressão evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração. Nos casos mais simples, a pessoa pode curar-se por conta própria em duas a quatro semanas. Passado esse período sem haver melhora, os especialistas recomendam atenção e tratamento, porque a depressão prolongada pode levar a suicídio e mortes por causas naturais.

Para ajudá-lo a identificar os sintomas da depressão acompanhe o algoritmo abaixo, retirado da quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV):

1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?

2) Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?

Se a resposta foi não a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi sim, esteja atento a outros sintomas da doença.

O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.

1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;

2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;

3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;

4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;

5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;

6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;

7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;

8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;

9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:

1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;

2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;

3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.
Veja no vídeo abaixo  a animação  que ajudará a  compreender a depressão



Até aqui falei sobre a depressão sob o aspecto técnico, mas   gostaria agora de acrescentar um outro olhar  utilizando o discurso daquele que sofre - Uma leitura minha sobre tudo que entendi até hoje sobre os que sofrem dessa dor terrível. 
Em primeiro lugar vou fazer aqui uma distinção de depressão. A depressão,como sintoma social e a depressão ,que a dor de não suportar mais viver.

 A Depressão como Sintoma Social


Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade:solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar."(Erich Fromm)
O contexto em que se vive ,onde consumismo , pessoas centradas em si mesmas ,ganância, perfeccionismo, a busca frenética pela perfeição, investimento no empreendedorismo,satisfazer a vontade do outro para ser amado, corresponder às expectativas do outro ou do grupo para ser aceito, cultura da imagem x introspecção, etc...Isso te lembra alguma coisa? 
A existência mudou de nome e endereço. Perdemos o GPS do destino. O google map não pode nos ajudar a nos encontrar. Ser quem realmente se é, hoje,é um ato de coragem. As pessoas exigem que sejamos bonitos, ricos, bem sucedido e que possamos aproveitar todos os prazeres possíveis da vida. Temos que ser felizes para as pessoas ficarem do nosso lado, mas o prazer mudou de endereço. O desejo não possui habitação, ele é um andarilho. Não sabemos mais qual será sua próxima parada. A drogadição se tornou um problema mundial.
A dopamina e a serotonina são produtos que encontramos em prateleiras da indústria farmacêutica que se alimenta do vazio existencial de nosso tempo.

Veja a visão psicanalítica de Maria Rita Khel a respeito desse assunto 


Mas até agora ainda não falei sobre a verdadeira do de viver.

Depressão como A Dor de Viver

Paul DardéEternelle douleuren 1913

Essa dor é insuportável. Não tem remédio que possa anestesiar. Ela lateja dia e noite, e não tem hora de parar. Nasce não sei onde nem porque,mas habita na alma dos sensíveis. 
A verdadeira e permanente depressão é essa dor de viver. É não ser capaz de conter os sentimentos que nascem ao olhar o mundo. E não ter chão pra pisar porque os pés estão feridos de caminhar sobre cacos de vidros. É olhar o mundo nublado e ver o sol indo embora todos os dias. 
Essa dor não cessa. Ela vem da impotência, da intransigência da vida,pois a pessoa que sofre acha que não nasceu para viver. Sua forma não cabe no mundo. Ele e incompreensível e doloroso demais para ser assimilada. A dor pulsa, corta ,sangra, grita ,mas não há audiência ou acolhida que a sustente.
Para esses que sofrem, a vida é uma afronta, não há sentido nela. A morte é a saída da vida,mas não explica nada. Está ali apenas esperando sua hora de ceifar. Na dor de viver, a morte é a unica pulsão que vibra. A dor de quere morrer,aquela que leva ao suicídio.Algumas pessoas que desejam se a livrar dela se suicidando,não porque desejo de morrer,mas porque não suportam mas essa dor de viver.Veja um relato muito pertinente sobre  o olhar de Isloany Machado  que descreve o sofrimento  de quem olha de fora alguém que preferiu morrer de tanta dor .
" Ninguém nunca soube exatamente o porquê. Ele não deixou nenhum bilhete, nenhuma carta. Nós nos sentimos culpados porque alguém que amamos decide morrer, como se tudo dependesse de nós. O que fizemos de errado? Por que nosso amor não foi capaz de fisgar o outro dos braços da morte? É que esse nosso Ego às vezes não entende que existe algo para além dele que está fora do alcance. Ele acha que pode salvar o mundo.... somos impotentes diante de uma dor de existir avassaladora. Isso expõe nossas fraquezas, nossas feridas. Isso faz com que, diante do olhar do outro, nos sintamos culpados. Aceitar que o outro, amado ou não, queira morrer, traz uma dor de morte ao nosso Ego. Onde foi que erramos? Mas e se ele quis morrer sem deixar carta? Te parece absurdo isso enquanto lê esse texto? E é. A morte é absurda. “A morte é íngreme”, como diria Manoel de Barros. O que se faz com a libido, ou amor, que antes era dirigido a esse objeto/pessoa e agora está solto. No mar infinito à deriva. Pode ser que fique à deriva por muito tempo, misturada à dor e culpa. Talvez a culpa se amorteça, talvez não. Talvez a libido escorra e se deite sobre o papel, como no meu" 

Comportamentos comuns no quadro depressivo [5]










Referências:


[1]Blog "Falando Sobre Depressão" O autor não se identifica: http://falandosobreadepressao.blogspot.com.br/2015/11/muito-alem-da-tristeza.html?spref=fb
[2] (Diário de um Analisando)
[4] Catraca Livre: https://queminova.catracalivre.com.br/2014/09/01/animacao-comovente-ajuda-a-compreender-a-depressao/
[5] http://adrogadonaoamor.tumblr.com/
[6] http://drauziovarella.com.br/drauzio/diagnostico-de-depressao/

Fontes 

http://www.psicologianaactualidade.com/depressao.html
Psicologado:http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/depressao#ixzz2MmLX4hLE.
Kaplan, Sadock, Grebb, 1997

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