terça-feira, 28 de abril de 2015

Cursos de Fotografia

CURSO GRATUITO DE FOTOGRAFIA DA UNIVERSIDADE DE HARVARDPor 
É amante da fotografia, mas não percebe muito sobre questões técnicas? Gosta de tirar fotos e sempre teve vontade de aprender mais sobre o assunto? Se sim, uma excelente oportunidade para entrar no mundo da fotografia digital é através do curso online oferecido pela Universidade de Harvard em parceria com a Alison.com.
O curso tem duração de 10 a 15 horas, é totalmente gratuito e feito à distância. O conteúdo do programa aborda os principais aspectos da fotografia digital, como as configurações de exposição; lentes da câmera; processamento de fotografia utilizando o software de computador, entre outros. Quem completar todo o curso e obter uma pontuação de pelo menos 80% nas avaliações, pode pedir o certificado.Para se inscrever, os interessados devem fazer o cadastro no site da Alison e depois acessar a página oficial da Open Learning Initiative da Escola de Extensão Harvard.


 Graças a uma parceria com a Alison.com, a Universidade de Harvard oferece um curso a distância de fotografia, com duração de 10 a 15 horas, totalmente gratuito.
Não é um curso profissional, porém o programa aborda os principais pontos da fotografia digital: configurações de exposição; lentes da câmera; processamento de fotografia utilizando o software de computador, entre outros.
As video-aulas são disponibilizados pela Open Learning Initiative da Escola de Extensão Harvard. Ao final de todos os módulos, caso o estudante tenha feito uma pontuação de 80% ou mais em cada uma das avaliações, ele poderá solicitar um certificado de conclusão de curso.

Os módulos do curso podem ser acessados na página oficial: www.alison.com/courses/Digital-Photography/content

Porém antes de realizar o primeiro acesso, o estudante deve se cadastrar no site da Alison: www.alison.com/login

Fonte : 
http://www.empregopelomundo.com.br/formacao-2/harvard-tem-curso-gratuito-e-online-de-fotografia/
http://www.revistabrazilcomz.com/curso-gratuito-de-fotografia-da-universidade-de-harvard/

A super lista de documentários e séries sobre fotografia por André Corrêa em 01/08/2013


A super lista de documentários e séries sobre fotografia
por André Corrêa em 01/08/2013




O Bruno Massao achou no PetaPixel, que achou no Redditt, que foi feita por alguém chamado(a) “WirjoHardjono“. Logo, todo o mérito é desse povo. Estamos aqui só pra continuar espalhando a palavra e divulgando o que deve ser divulgado.
Trata-se de uma super-duper lista de documentários, séries e afins sobre fotografia que, (segundo o autor da lista) você pode encontrar por aí (eu não conferi todos os links, e du-vi-do que o PetaPixel ou o Bruno Massao tenham conferido ;-)

Seja como for, segue a lista. Prende a respiração que a coisa é profunda. Preparado? Simbora:

Documentários:

1948, The PhotographerYouTube
1957, Ansel Adams, PhotoshoparYouTube
1972, Going Where I’ve Never Been The Photography of Diane ArbusYouTube
1973, The Decisive MomentYouTube
1984, America and Lewis Hine
1986, Fire in the East: A Portrait of Robert FrankYouTube
1989, Creativity with Bill Moyers: The Photographer’s Eye – YouTube Clip
1989, Helmut Newton: Frames from the EdgeYouTube
1989, Strand, Under the Dark ClothYouTube
1989, W. Eugene Smith: Photography Made DifficultYouTube
1995, Lee Miller: Through the Mirror
1996, Richard Avedon: Darkness and LightYouTube
1998, National Geographic: The Photographers
1999, Magnum Photos: The Changing of a MythVimeo
2000, Half Past Autumn: The Life and Works of Gordon ParksNetflix/YouTube
2000, Naked States
2001, Alfred Stieglitz: The Eloquent EyeYouTube
2001, Henri Cartier-Bresson: L’amour Tout Court (Just Plain Love)YouTube
2001, Jazz Seen: The Life and Times of William Claxton
2001, Near Equal Daido MoriyamaYouTube
2001, War Photographer
2002, Gursky WorldVimeo
2002, The True Meaning of Pictures: Shelby Lee Adams’ Appalachia
2003, Ansel Adams, American Experience
2003, Henri Cartier-Bresson: The Impassioned Eye
2003, Martin Parr – De Magie van het Moment – YouTube
2003, Milton Rogovin: The Forgotten OnesVimeo
2003, Rivers and Tides – Andy Goldsworthy Working with TimeYouTube
2003, The Adventure Of Photography – YouTube
2003, The Colourful Mr Eggleston – YouTube
2003, The World According To Martin Parr – YouTube
2004, Arakimentari (Bill Bartlett)
2004, Born Into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids
2004, Thinking XXX
2005, Leaving Home, Coming Home A Portrait of Robert Frank
2005, What Remains – Sally Mann
2005, William Eggleston in the Real World
2006, Annie Leibovitz Life Through A Lens
2006, Manufactured Landscapes
2006, Tierney Gearon: The Mother Project
2007, At Close Range With National Geographic
2007, Black White + Gray: A Portrait of Sam Wagstaff and Robert Mapplethorpe
2007, Eloquent Nude: The Love and Legacy of Edward Weston & Charis Wilson
2007, Helmut by June
2007, Michael Kenna’s Hokkaido – Stream
2007, Shadow of the House
2008, An Unlikely Weapon
2008, Blood Trail: Shooting Robert King
2008, In Harm’s Way – War PhotographersYouTube
2008, Visual Acoustics The Modernism of Julius Schulman
2009, Erwin Olaf, on Beauty and FallVimeo
2009, Salt
2009, Shadow Play: The Making of Anton Corbijn
2010, Bill Cunningham New York
2010, Marwencol
2010, Moonbug
2010, Smash His Camera
2010, South Africa in PicturesVimeo
2010, Teenage Paparazzo
2010, The Pirelli Calendar Saga
2010, The President’s Photographer – PBS
2010, The Weird Adventures of Eadweard Muybridge
2010, The WoodmansNetflix
2010, Waste Land
2011, America in Pictures- The Story of Life Magazine – Vimeo
2011, Bert Stern: Original Madman
2011, Last Days of the Arctic
2011, Rock ‘N’ Roll Exposed: The Photography of Bob Gruen
2011, Sam Abell – The Life of a Photograph – YouTube
2011, Shooting the Hollywood StarsVimeo
2012, Anton Corbijn Inside OutYouTube
2012, Chasing Ice
2012, Gregory Crewdson Brief Encounters
2012, In No Great Hurry: 13 Lessons in Life with Saul Leiter
2012, McCullin
2012, No Worries – Martin Parr – YouTube
2012, The Many Lives of William Klein – YouTube
2013, Vivian Maier Who Took Nanny’s PicturesYouTube
2013, Which Way is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington
Filmes:
1966, Who Are You, Polly Maggoo – Film by William Klein
1993, Don Van Vliet: ‘Some Yo-Yo Stuff’Vimeo – Documentary by Anton Corbijn
1999, Think of EnglandYouTube – Documentary by Martin Parr
2005, Stranded in CantonOnline – Documentary by William J. Eggleston
2007, Control – Film by Anton Corbijn
2010, DespairOnline – Film by Alex Prager
2010, Restrepo – Documentary by Tim Hetherington
2010, The American – Film by Anton Corbijn
2010, The Forgotten Space – Documentary by Allan Sekula
2011, Teddy Gray’s Sweet Factory – YouTube – Documentary by Martin Parr
Bonus
Bring Your Own Doc: A conversation with director Jeff Malmberg about Marwencol – YouTube
Getty Images Grants for Editorial Photography 2012 – YouTube
Henri Cartier-Bresson Interviewed by Charlie Rose – YouTube
Inside Media: The President’s Photographer – YouTube
James Nares – STREET – Lecture – Vimeo
Joel Meyerowitz 1981 Street Photography Program – YouTube
Magnum Photos – Earthlings by Richard Kalvar – YouTube
Magnum Photos – Personal Best by Elliott Erwitt – YouTube
‪Mark Feeney: “Four Photographers on Three Wheels: William Eggleston’s Tricycle and Before”‬ –YouTube
Peter Fraser 2011 talk on his work and workshop assignment – Vimeo
Sarah Moon is a Master of Photography (from Contacts) – YouTube

E é claro que a coisa não para por aqui. A convite do PetaPixel, os leitores colocaram nos comentários do post mais alguns tantos títulos que não estão na lista original. Vale a visita (clique aqui).
E você? Sugestões?

Fonte : http://www.queimandofilme.com/2013/08/01/a-super-lista-de-documentarios-e-series-sobre-fotografia/

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Mortos Vivos: ensaio questiona desumanização de pessoas em situação de rua

JULIA ZANOLLI EM 23 DE ABRIL DE 2015 ÀS 17:42

O artista brasileiro Daniel Lefevre, de 36 anos, viveu maior parte da sua vida na Europa e se assustou ao voltar para o país depois de tanto tempo fora. Ele se chocou com algo que deveria chocar a todos nós: a maneira desumana com a qual a sociedade brasileira trata pessoas em situação de rua.
"A gente não enxerga, passa por cima, não pergunta se eles precisam de ajuda, sequer sabemos se eles estão vivos", diz Lefevre. Daí surgiu a inspiração para o ensaio "Mortos Vivos", que retrata a falta de humanidade dessa condição.

Confira algumas das imagens.













"Fui estudar isso a fundo e vi que eles são privados justamente das coisas que nos definem como humanos, como o pensamento complexo, a cultura, a identidade e o direito à privacidade. Ao tirar essas qualidades dos moradores de rua, não nos sensibilizamos com a dor deles."
O trabalho inspirou um projeto artístico que foi desenvolvido em um mestrado em Barcelona, no qual Daniel busca reumanizar pessoas em situação de rua por meio da arte. "Eles podem escolher músicas, poesias, filmes, o que quiserem. Usamos isso como ponto de partida para tentar devolver, ainda que por um período curto de tempo, a condição humana dessas pessoas", explica. O resultado são os vídeos "Lendas Urbanas".

Enquanto a série Mortos Vivos retrata a desumanização, esse último projeto busca justamente resgatar a condição humana dos moradores de rua. A ideia é criar um site para reunir o material que já foi produzido em Barcelona e desenvolver novos vídeos com brasileiros, que serão financiados por crowdfunding.

O site irá disponibilizar ainda a entrevista e o making off do processo de criação artística. A plataforma irá trazer também um questionário para que o leitor identifique as emoções geradas a partir do contato com essa população e as características humanas identificadas pelo projeto Lendas Urbanas.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Melissa Smccracken...."Eu pinto música".

Por Rosangela Brunet

O mundo de uma pessoa  Sinestésicas é cheio de formas, cores, sensações e texturas .Quando ela ouve uma música seu cérebro responde com todos os sentidos.
Melissa Smccracken nos convida a conhecer um pouco mais de seu cérebro através dos retratos musicais que ela pinta.Ao ouvir uma música Melissa nos toca suavemente através de suas telas. Ela conta que :"Até meus 15 anos, eu pensava que todo mundo sempre via as cores. Cores em livros, cores em fórmulas matemáticas, cores nos shows. Mas quando eu finalmente perguntei ao meu irmão qual a cor da letra C    eu percebi que a minha mente não era tão normal quanto eu pensava. Basicamente, o meu cérebro é cross-fio. Eu experimento a sensação   "errada" para certos estímulos. Cada letra e número é colorido e os dias do ano circulam em volta do meu corpo, como se tivessem um "set point" no espaço. Mas o mais maravilhoso da"disfunção cerebral"   é enxergar a música que eu ouço. Ela flui em numa mistura de tons, texturas e movimentos, deslocando-se como se fosse um elemento vital e intencional de cada nota. Ser sinestésica não é uma distração ou desorientação. Isso me faz ter um vibração única no mundo que eu experimento"(Melissa Smccracken) 
Melissa Smccracken

Melissa Smccracken


VEJA O VÍDEO ABAIXO


Fonte http:
www.melissasmccracken.com      http://arteterapiaycrecimientointerior.blogspot.com.es/2015/04/sinestesia-pintando-la-musica.html

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Como nos submetemos a viver num tempo acelerado e não humano?"


Antiautoajuda para 2015
Por Eliane Brum
Em defesa do mal-estar para nos salvar de uma vida morta e de um planeta hostil. Chega de viver no modo avião

Não tenho certeza se esse ano vai acabar. Tenho uma convicção crescente de que os anos não acabam mais. Não há mais aquela zona de transição e a troca de calendário, assim como de agendas, é só mais uma convenção que, se é que um dia teve sentido, reencena-se agora apenas como gesto esvaziado. Menos a celebração de uma vida que se repactua, individual e coletivamente, mais como farsa. E talvez, pelo menos no Brasil, poderíamos já afirmar que 2013 começou em junho e não em janeiro, junto com as manifestações, e continua até hoje. Mas esse é um tema para outra coluna, ainda por ser escrita. O que me interessa aqui é que nossos rituais de fim e começo giram cada vez mais em falso, e não apenas porque há muito foram apropriados pelo mercado. Há algo maior, menos fácil de perceber, mas nem por isso menos dolorosamente presente. Algo que pressentimos, mas temos dificuldade de nomear. Algo que nos assusta, ou pelo menos assusta a muitos. E, por nos assustar, em vez de nos despertar, anestesia. Talvez para uma época de anos que, de tão acelerados, não terminam mais, o mais indicado seja não resoluções de ano-novo nem manuais sobre ser feliz ou bem sucedido, mas antiautoajuda.

Alltag - Everyday Life Günter schrapp
Quando as pessoas dizem que se sentem mal, que é cada vez mais difícil levantar da cama pela manhã, que passam o dia com raiva ou com vontade de chorar, que sofrem com ansiedade e que à noite têm dificuldade para dormir, não me parece que essas pessoas estão doentes ou expressam qualquer tipo de anomalia. Ao contrário. Neste mundo, sentir-se mal pode ser um sinal claro de excelente saúde mental. Quem está feliz e saltitante como um carneiro de desenho animado é que talvez tenha sérios problemas. É com estes que deveria soar uma sirene e por estes que os psiquiatras maníacos por medicação deveriam se mobilizar, disparando não pílulas, mas joelhaços como os do Analista de Bagé, do tipo “acorda e se liga”. É preciso se desconectar totalmente da realidade para não ser afetado por esse mundo que ajudamos a criar e que nos violenta. Não acho que os felizes e saltitantes sejam mais reais do que o Papai Noel e todas as suas renas, mas, se existissem, seriam estes os alienados mentais do nosso tempo.

Olho ao redor e não todos, mas quase, usam algum tipo de medicamento psíquico. Para dormir, para acordar, para ficar menos ansioso, para chorar menos, para conseguir trabalhar, para ser “produtivo”. “Para dar conta” é uma expressão usual. Mas será que temos de dar conta do que não é possível dar conta? Será que somos obrigados a nos submeter a uma vida que vaza e a uma lógica que nos coisifica porque nos deixamos coisificar? Será que não dar conta é justamente o que precisa ser escutado, é nossa porção ainda viva gritando que algo está muito errado no nosso cotidiano de zumbi? E que é preciso romper e não se adequar a um tempo cada vez mais acelerado e a uma vida não humana, pela qual nos arrastamos com nossos olhos mortos, consumindo pílulas de regulação do humor e engolindo diagnósticos de patologias cada vez mais mirabolantes? E consumindo e engolindo produtos e imagens, produtos e imagens, produtos e imagens?

Neste mundo, sentir-se mal é sinônimo de excelente saúde mental

A resposta não está dada. Se estivesse, não seria uma resposta, mas um dogma. Mas, se a resposta é uma construção de cada um, talvez nesse momento seja também uma construção coletiva, na medida em que parece ser um fenômeno de massa. Ou, para os que medem tudo pela inscrição na saúde, uma das marcas da nossa época, estaríamos diante de uma pandemia de mal-estar. Quero aqui defender o mal-estar. Não como se ele fosse um vírus, um alienígena, um algo que não deveria estar ali, e portanto tornar-se-ia imperativo silenciá-lo. Defendo o mal-estar – o seu, o meu, o nosso – como aquilo que desde as cavernas nos mantém vivos e fez do homo sapiens uma espécie altamente adaptada – ainda que destrutiva e, nos últimos séculos, também autodestrutiva. É o mal-estar que nos diz que algo está errado e é preciso se mover. Não como um gesto fácil, um preceito de autoajuda, mas como uma troca de posição, o que custa, demora e exige os nossos melhores esforços. Exige que, pela manhã, a gente não apenas acorde, mas desperte.
Vincenzo Cillo

Anos atrás eu escreveria, como escrevi algumas vezes, que o mal-estar desta época, que me parece diferente do mal-estar de outras épocas históricas, se dá por várias razões relacionadas à modernidade e a suas criações concretas e simbólicas. Se dá inclusive por suas ilusões de potência e fantasias de superação de limites. Mas em especial pela nossa redução de pessoas a consumidores, pela subjugação de nossos corpos – e almas – ao mercado e pela danação de viver num tempo acelerado.
Sobre essa particularidade, a psicanalista Maria Rita Kehl escreveu um livro muito interessante, chamado O Tempo e o Cão (Boitempo), em que reflete de forma original sobre o que as depressões expressam sobre o nosso mundo também como sintoma social. Logo no início, ela conta a experiência pessoal de atropelar um cachorro na estrada – e a experiência aqui não é uma escolha aleatória de palavra. Kehl viu o cachorro, mas a velocidade em que estava a impedia de parar ou desviar completamente dele. Conseguiu apenas não matá-lo. Logo, o animal, cambaleando rumo ao acostamento, ficou para trás no espelho retrovisor. É isso o que acontece com as nossas experiências na velocidade ditada por essa época em que o tempo foi rebaixado a dinheiro – uma brutalidade que permitimos, reproduzimos e com a qual compactuamos sem perceber o quanto de morte há nessa conversão.

Defendo o mal-estar como aquilo que nos mantém vivos desde as cavernas

Sobre a aceleração, diz a psicanalista: “Mal nos damos conta dela, a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida psíquica. (...) Seu esquecimento (do cão) se somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas às quais nos limitamos a reagir rapidamente para em seguida, com igual rapidez, esquecê-las. (...) Do mau encontro, que poderia ter acabado com a vida daquele cão, resultou uma ligeira mancha escura no meu para-choque. (...) O acidente da estrada me fez refletir a respeito da relação entre as depressões e a experiência do tempo, que na contemporaneidade praticamente se resume à experiência da velocidade”. O que acontece com as manchas escuras, com o sangue deixado para trás, dentro e fora de nós? Não são elas que nos assombram nas noites em que ofegamos antes de engolir um comprimido? Como viver humanamente num tempo não humano? E como aceitamos ser submetidos à bestialidade de uma vida não viva?

Hoje me parece que algo novo se impõe, intimamente relacionado a tudo isso, mas que empresta uma concretude esmagadora e um sentido de urgência exponencial a todas as questões da existência. E, apenas nesse sentido, algo fascinante. A mudança climática, um fato ainda muito mais explícito na mente de cientistas e ambientalistas do que da sociedade em geral é esse algo. A evidência de que aquele que possivelmente seja o maior desafio de toda a história humana ainda não tenha se tornado a preocupação maior do que se chama de “cidadão comum” é não uma mostra de sua insignificância na vida cotidiana, mas uma prova de sua enormidade na vida cotidiana. É tão grande que nos tornamos cegos e surdos.

Como nos submetemos a viver num tempo acelerado e não humano?

Em uma entrevista recente, aqui publicada como “Diálogos sobre o fim do mundo”, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro evoca o pensador alemão Günther Anders (1902-1992) para explicar essa alienação. Anders afirmava que a arma nuclear era uma prova de que algo tinha acontecido com a humanidade no momento em que se mostrou incapaz de imaginar os efeitos daquilo que se tornou capaz de fazer. Reproduzo aqui esse trecho da entrevista: “É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas, dá uma espécie de paralisia cognitiva”.
O fato de se alienar – ou, como fazem alguns, chamar aqueles que apontam para o óbvio de “ecochatos”, a piada ruim e agora também velha – nem impede a corrosão acelerada do planeta nem a corrosão acelerada da vida cotidiana e interna de cada um. O que quero dizer é que, como todos os nossos gritos existenciais, o fato de negá-los não impede que façam estragos dentro de nós. Acredito que o mal-estar atual – talvez um novo mal-estar da civilização – é hoje visceralmente ligado ao que acontece com o planeta. E que nenhuma investigação da alma humana desse momento histórico, em qualquer campo do conhecimento, possa prescindir de analisar o impacto da mudança climática em curso.

De certo modo, na acepção popular do termo “clima”, referindo-se ao estado de espírito de um grupo ou pessoa, há também uma “mudança climática”. Mesmo que a maioria não consiga nomear o mal-estar, desconfio que a fera sem nome abra seus olhos dentro de nós nas noites escuras, como o restante dos pesadelos que só temos quando acordados. Há esse bicho que ainda nos habita que pressente, mesmo que tenha medo de sentir no nível mais consciente e siga empurrando o que o apavora para dentro, num esforço quase comovente por ignorância e anestesia. E a maior prova, de novo, é a enormidade da negação, inclusive pelo doping por drogas compradas em farmácias e “autorizadas” pelo médico, a grande autoridade desse curioso momento em que o que é doença está invertido.

O novo mal-estar da civilização está hoje ligado à mudança climática

São Paulo é, no Brasil, a vitrine mais impressionante dessa monumental alienação. A maior cidade do país vem se tornando há anos, décadas, um cenário de distopia em que as pessoas evoluem lentamente entre carros e poluição, encurraladas e cada vez mais violentas nos mínimos atos do dia a dia. No último ano, a seca e a crise da água acentuaram e aceleraram a corrosão da vida, mas nem por isso a mudança climática e todas as questões socioambientais relacionadas a ela tiveram qualquer impacto ou a mínima relevância na eleição estadual e principalmente na eleição presidencial. Nada. A maioria, incluindo os governantes, sequer parece perceber que a catástrofe paulista, que atinge a capital e várias cidades do interior, é ligada também à devastação da Amazônia. O tal “mundo como o conhecemos” ruindo e os zumbis evolucionando por ruas incompatíveis com a vida sem qualquer espanto. Nem por isso, ouso acreditar, deixam sequer por um momento de ser roídos por dentro pela exterioridade de sua condição. A vida ainda resiste dentro de nós, mesmo na Zumbilândia. E é o mal-estar que acusa o que resta de humano em nossos corpos.
Bear’s Claw ft, Wyoming, 2010 from Storms,
photographs by Mitch Dobrowner (Aperture,  2013 Mitch Dobrowner

É de um cientista, Antonio Nobre, um texto fundamental. Ler “O futuro climático da Amazônia” não é uma opção. Faça um favor a si mesmo e reserve uma hora ou duas do seu dia, o tempo de um filme, entre na internet e leia as 40 páginas escritas numa linguagem acessível, que faz pontes com vários campos do conhecimento. Há trechos de grande beleza sobre a maior floresta tropical do planeta, território concreto e simbólico sobre o qual o senso comum, no Brasil alimentado pela propaganda da ditadura civil-militar, construiu uma ideia de exploração e de nacionalismos que só vigora até hoje por total desconhecimento. É também por ignorância nossa que o atual governo, reeleito para mais um mandato, comanda na Amazônia seu projeto megalômano de grandes hidrelétricas com escassa resistência. E causa, agora, neste momento, um desastre ambiental de proporções não mensuradas em vários rios amazônicos e o etnocídio dos povos indígenas da bacia do Xingu.

A Amazônia sobreviveu por 50 milhões de anos a meteoros e glaciações, mas em menos de 50 anos está ameaçada por ação humana

Antonio Nobre mostra como uma floresta com um papel – insubstituível – na regulação do clima do Brasil e do planeta teve, nos últimos 40 anos, 762.979 quilômetros quadrados desmatados: o equivalente a três estados de São Paulo ou duas Alemanhas. Ou o equivalente a mais de 12 mil campos de futebol desmatados por dia, mais de 500 por hora, quase nove por minuto. Somando-se a área de desmatamento corte raso com a área degradada, alcançamos a estimativa aterradora de que, até 2013, 47% da floresta amazônica pode ter sido impactada diretamente por atividade humana desestabilizadora do clima. “A floresta sobreviveu por mais de 50 milhões de anos a vulcanismos, glaciações, meteoros, deriva do continente”, escreve Nobre. “Mas em menos de 50 anos está ameaçada pela ação de humanos.” A Amazônia dá forma ao momento da História em que a humanidade deixa de temer a catástrofe para se tornar a catástrofe.
Como é possível que isso aconteça bem aqui, agora, e tão poucos se importem? Se não despertarmos do nosso torpor assustado, nossos filhos e netos poderão viver e morrer não com a Amazônia transformada em savana, mas sim em deserto, com gigantesco impacto sobre o clima do planeta e a vida de todas as espécies. Para se ter uma ideia da magnitude do que estamos fazendo, por ação ou por omissão, por alienação, anestesia ou automatismo, alguns dados. Uma árvore grande transpira mais de mil litros de água por dia. A cada 24 horas a floresta amazônica lança na atmosfera, pela transpiração, 20 bilhões de toneladas de água – ou 20 trilhões de litros de água. Para se ter uma ideia comparativa, o rio Amazonas lança menos que isso – cerca de 17 bilhões de toneladas de água por dia– no oceano Atlântico. Não é preciso ser um cientista para imaginar o que acontecerá com o planeta sem a floresta.
Nobre defende que já não basta zerar o desmatamento. Alcançamos um nível de destruição em que é preciso regenerar a Amazônia. A floresta não é o “pulmão do mundo”, ela é muito mais do que isso: é o seu coração. Não como uma frase ultrapassada e clichê, mas como um fato científico. É o mundo e não só o Brasil que precisa se engajar nessa luta: o cientista defende que, se não quisermos alcançar o ponto de não retorno, deveríamos empreender – já, agora – um esforço de guerra: começando por uma guerra contra a ignorância. Fazer uma campanha tão forte e eficaz como aquela contra o tabaco. Isso, claro, se quisermos continuar a viver.

Se não quisermos alcançar um ponto de não retorno, é preciso deixar de viver no modo avião

Nessa época de tanta conexão, em que a maioria passa quase todo o tempo de vigília conectado na internet, há essa desconexão mortífera com a realidade do planeta – e de si. Como cidadão, a maioria no máximo recicla o seu lixo, achando que está fazendo um enorme esforço, mas não se informa nem participa dos debates e das decisões sobre as questões do clima, da Amazônia e do meio ambiente. Neste e em vários sentidos, é como existir no “modo avião” do celular. Um estar pela metade, o suficiente apenas para cumprir o mínimo e não se desligar por completo. Um contato sem contato, um toque que não toca nem se deixa tocar. Um viver sem vida.
É preciso sentir o mal-estar. Sentir mesmo – e não silenciá-lo das mais variadas maneiras, inclusive com medicação. Ou, como diz a pensadora americana Donna Haraway: “É preciso viver com terror e alegria”.
Só o mal-estar pode nos salvar.

Fonte : El País http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/22/opinion/1419251053_272392.html

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site:elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter:@brumelianebrum

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