sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Processo de Criação

Por Rosangela Brunet
" O enigma da criatividade sempre me fascinou. Por que uma ideia nova em arte ou ciência, "salta" do inconsciente, num determinado momento? Qual a relação entre talento e ato criativo, e entre criatividade e morte? Por que um espetáculo de mímica ou de dança nos proporciona tanto prazer? Como conseguiu Homero transformar a violência da guerra de Tróia na poesia que orientou a ética da civilização grega(...) Rollo May
Ao pensar sobre processo de Criação, lembrei das esculturas onde o artista se utiliza de ferramentas sobre um material bruto, e poetiza uma escultura com rimas raras . Antes era uma pedra dura e esquecida, agora s uma obra prima. Por isso....Ó alma, não fuja da dor .Procure o remédio dentro dela. Porque a rosa surge do espinho,o rubi de uma pedra ( e de uma ferida surge a pérola)
Obra de Camille Claudel
"[1]
No meio dessa dor e sofrimento as "espátulas" vão nos fazendo nascer lindas e cheias de sentido. Lembrei dos materiais desperdiçados ao longo da vida , deixados pelo caminho ignorando a oportunidade de uma possível criação.
Por isso, salve os artistas que sempre estão dispostos a enxergar além , e crer no impossível da beleza futura ,aqueles que na expansão de seu pensamento faz nascer a beleza ainda que a tela esteja em branco; ainda que o papel seja um guardanapo de bar;ainda que o material seja a argila, ainda que as notas insistam em arranhar.Eles continuam sempre nomeando símbolos, colorindo novas formas e desenhando o que ainda não conhecem. Eles fazem arte porque não podem parar.Eles foram feitos para criar.Essa é a natureza do artista. 

Escrevi um texto sobre um  processo de criação especial  A Recriação de Uma Obra de      Arte Sob O Olhar de Apaixonado do Criador
"E aquela velha história reconstituída, agora, em detalhes. Provando as evidências , registrando presenças, omitindo as falhas, escondendo tristezas, restituindo pactos, esquecendo ofensas. Com seu  habilidoso talento ele era um poeta com uma tinta na mão sugerindo um outro conceito.E, eu, parecia mais um cubismo mal-traçado, uma natureza morta,obra não vendida. E, ele redesenhando cenas antigas , remontando meus espaços, experimentando outras cores, alinhavando novos traços me fazendo de mim composição.Suas tintas anunciavam um estilo delicado com pincéis atravessados, reformulando um cenário que fundia em sua alma .Mas eu, uma arte inacabada , numa
velha galeria, escurecida de abandono,vazia de contemplação.E me remontava como um retrô meio "no sense", revivendo uma glória antiquada, aplausos atrasados, era um sucesso fingido.Um quadro copiado. Mas ele me aplaudia remontando meus pedaços.Ele ousou me olhar como um Delacroix .Abandonando todo drama de Rodin, e assinou seu nome em mim" Rosangela Brunet
Segundo Rollo May "são os artistas que apresentam direta e imediatamente as novas formas e símbolos — os dramaturgos, músicos, pintores, dançarinos, poetas, e os poetas da religião aos quais chamamos santos. Representam os novos símbolos sob a forma de imagem — poética, auditiva, plástica ou dramática, conforme ocaso. Vivem o que imaginam. Símbolos apenas sonhados pela maioria dos seres humanos são expressos graficamente pelos artistas. Contudo,considera que ao apreciarmos o trabalho criativo — digamos, um quinteto de Mozart —, estamos também criando. Quando estudamos um quadro — o que é necessário para realmente vê-lo, especialmente em se tratando de arte moderna —, experimentamos um novo momento de sensibilidade. O contato com o quadro desperta em nós uma nova visão, algo de especial nasce no nosso íntimo. Por isso, a apreciação da música ou da pintura, ou de outros trabalhos criativos, é um ato de criatividade da nossa parte(...) Os artistas podem representar esse sentimento por meio da música, ou das palavras, da argila ou do mármore, ou na tela, porque são o que Carl G. Jung chama de"inconsciente coletivo". A expressão pode não ser das mais felizes, mas sabemos que cada um de nós guarda no íntimo certas formas básicas, em parte genéricas,em parte experimentais na sua origem. São justamente os objetos expressos pelos artista(...) Dessa forma os artistas — e sob essa denominação incluo músicos,dramaturgos, artistas plásticos e santos — formam a linha de "orvalho", para usar a frase de McLuhan; dão-nos um "aviso distante e antecipado" do que está acontecendo à nossa cultura. Na arte atual vemos uma infinidade de símbolos de ansiedade e alienação. Mas, ao mesmo tempo, há forma em meio à discórdia,beleza entre a feiura e algum amor humano entre o ódio — um amor que triunfa temporariamente sobre a mortes, mas sempre perde a última batalha. Dessa forma o artista expressa o significado espiritual da sua cultura. O problema realmente é o seguinte: Sabemos interpretar esse significado? (...)" [2]

Veja O Vídeo abaixo 


[1]Minha tradução transformada de " Rumi!
[2] Rollo May, "A Coragem de Criar, Pág 17- 19)

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