domingo, 26 de julho de 2015

Clarice Lispector e o Presente . Clarice ganhará escultura no Leme



Clarice Lispector ganhará escultura no Leme, bairro em que viveu no Rio.
Essa é a Maquete da futura escultura da escritora Clarice Lispector, que será inaugurada no Leme 
Escultor Edgar Duvivier


POR JOSÉ CASTELLO25/07/2015 14:22

Em geral considerada uma escritora mística e avessa às coisas do mundo, Clarice Lispector (1920-1977) _ a voz mais singular que a literatura brasileira produziu nas últimas décadas _ foi, na verdade, uma sensível intérprete do real. Quase 40 anos após sua morte, sua obra se conserva como um poderoso instrumento de interpretação e de interrogação da realidade. Clarice escrevia para chegar “atrás de detrás do pensamento”. Desconfiava das idéias feitas, dos lugares comuns e dos consensos. Não confiava na primeira leitura, exaltada e apressada, que costumamos fazer da realidade. Também não praticava a ficção com o propósito de espelhar o mundo, mas, ao contrário, de interrogá-lo. As perguntas que nos deixou valem muito mais do que a maior parte das respostas impacientes que ainda hoje formulamos para tentar viver.

São muitas as provas de seu engajamento. Escreveu certa vez: “O escritor não é um ser passivo que se limita a recolher dados da realidade, mas deve estar no mundo como uma presença ativa, em comunicação com o que o cerca”. A literatura teria como função promover um desnudamento do real. Um desmascaramento das crenças e superstições que o encobrem e o desfiguram. A ficção de Clarice se torna muito útil em um mundo atordoado por um grande falatório, um mundo excessivo, inquieto e superficial, que se limita a deslizar _ e a tirar proveito _ sobre a face da verdade. O mundo das pessoas “cheias de si”, que simulam a posse da verdade. Nele, é útil ouvir as palavras perplexas da escritora: “Sem me surpreender, não consigo escrever. E também porque para mim escrever é procurar”. Em vez de achar (de “acreditar”), simplesmente buscar.

Não aceitar rapidamente a verdade _ eis um ensinamento insistente de Clarice. Em um mundo enfático e retórico, regido pelos consensos e pela verdade gritada, apostar nas nuanças, na dúvida, na força da interrogação. Postar-se diante do real com as mãos vazias e a mente disponível para o encontro de novos caminhos e de novas perspectivas. Saber esperar que a verdade – pequena e discreta – finalmente apareça. Clarice chegou a se interessar intensamente pelo jornalismo. Em uma crônica de 1972, ela escreveu: “Hemingway e Camus foram bons jornalistas, sem prejuízo de sua literatura. Guardadas as devidas e significativas proporções, era isso o que eu ambicionaria para mim também, se tivesse fôlego”. Unir verdade e delicadeza. Arrancar os segredos sutis que se escondem atrás da brutalidade dos fatos.

Sua obstinação em chegar ao coração das coisas levou-a a destinos longínquos. Em uma entrevista ao “Correio da Manhã”, no ano de 1972, quando a repórter lhe perguntou por que escrevia, respondeu: “Eu fiz essa pergunta a Alain Robbe-Grillet quando ele veio ao Brasil. Ele me respondeu: _ Escrevo para saber por que escrevo. Minha resposta é diferente: eu escrevo para entender melhor o mundo. É uma lucidez meio nebulosa, porque a gente não tem direito consciência dela”. Mas talvez só essa “consciência nebulosa” nos sirva para interpretar um mundo igualmente complexo e nevoento, que parece avançar muito mais rápido do que nós. 

A tecnologia dá saltos. O desenrolar dos acontecimentos é atordoante. Nossas mentes parecem pequenas demais para conter o real. Ele nos perturba e nos oprime com sua estridência. Não se enganem: a literatura de Clarice não nos oferecerá respostas prontas e imediatas. Tampouco nos trará afirmações. Estas são, em geral, enganosas e arriscadas. Pouco antes de morrer, o roqueiro Cazuza declarou ter lido Água viva, um de seus mais densos romances, 111 vezes _ e ainda não tinha chegado ao coração do livro. As respostas que Clarice oferece _ se é que podemos chamá-las assim _ são muito diferentes de soluções. Elas se limitam a lançar novas luzes, dissonantes e desconcertantes, sobre um mundo cada vez mais tenso e contraditório. Daí, provavelmente, a marginalidade de Clarice Lispector dentro de nosso sistema literário. Uns a vêem como uma filósofa. Outros, como uma bruxa. Clarice se tornou, na verdade, uma escritora inclassificável. É difícil aceitar as respostas que Clarice nos dá. Ela nos ensina que mundo é muito mais difuso, imperfeito e insano do que em geral consideramos. E que, por isso, devemos sempre pisá-lo com muito cuidado.

“A vida se me é e eu não entendo o que digo”, se lamenta, em certo momento, sua personagem G. H. Não aceita as ilusões do Eu – cheio de certezas, de empáfia, de insolência. Acredita que a humanidade está “ensopada de humanização” _ gêneros, modas, tendências, griffes _ , e isso impede o homem de chegar a si. A humanidade é risco _ e não retórica. É delicadeza _ e não intolerância. O homem não pode tudo e, por isso, deve considerar os limites estreitos de seu saber. Contudo, vivemos em um mundo repleto de “donos do saber”. Temos um grande temor à imperfeição e à limitação. A literatura de Clarice nos devolve, assim, o que perdemos em matéria de humildade e de brandura.

A aceitação da ignorância pode ser muito útil em um mundo no qual os saberes (e os poderes) se chocam, em busca de uma supremacia absoluta, na qual todas as divergências seriam anuladas. Diante dessa zoeira, Clarice propunha, é bem melhor calar-se. A amiga Olga Borelli, em um livro delicado de memórias, escreveu: “Ela possuía a dignidade do silêncio”. Calar-se, esperar, escutar _ eis a lição simples, mas dolorosa, que a ficção de Clarice nos transmite. Atitudes que parecem quase impossíveis em um mundo de falatório interminável. 

Em nosso mundo de prepotência e de violência _ sobretudo verbal _, cabe pensar na inesquecível Macabea, a protagonista de A hora da estrela, seu romance de despedida. Uma mulher não só afastada da língua, a que tem um acesso precário e turbulento, mas, sobretudo, do mundo dos significados enfáticos e das fórmulas prontas. Das verdades tempestuosas. Seu romance evoca um antigo provérbio chinês: “Diga-me e esquecerei. Mostre-me e talvez em lembre. Envolve-me e entenderei”. No lugar da palavra usada como faca, para rasgar e sangrar, a escuta silenciosa. No lugar do escândalo, a espera. Em um mundo que tende cada vez mais aos saberes pétreos e aos fundamentalismos, a leitura de Clarice se torna uma forma salvadora de respiração.

Fonte: O Globo : http://blogs.oglobo.globo.com/jose-castello/post/clarice-e-o-presente.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

sábado, 18 de julho de 2015

Don Mclean e Vincent Van Gogh

 Por Rosangela Brunet

"Don McLean (Nova Iorque, 2 de outubro de 1945) é um cantor e compositor dos Estados Unidos. Ficou famoso pela canção American Pie, elegia folk-pop de oito minutos e meio que atingiu o topo das paradas americanas. Iniciou sua carreira em meados dos anos 60, tocando em clubes nova-iorquinos, escolas primárias e em prol de causas ambientais." [1]

No entanto , ele ficou famosos pela homenagem que fez a "um tributo a Vincent van Gogh"
 .
"Paint your palette blue and gray 
Look out on a summer's day with eyes that know the darkness in my soul .
Shadows on the hills 
Sketch the trees and the daffodils 
Catch the breeze and the winter chills 
In colors on the snowy linen land





Now I understand what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
How you tried to set them free 
They would not listen, they did not know how 
Perhaps they'll listen now 
Starry, starry night 
Flaming flowers that brightly blaze 
Swirling clouds in violet haze 
Reflect in Vincent's eyes of china blue 
Colors changing hue 
Morning fields of amber grain 
Weathered faces lined in pain 
Are soothed beneath the artist's loving hand 
For they could not love you 
But still your love was true 
And when no hope was left in sight 
On that starry, starry night 
You took your life as lovers often do 
But I could have told you, Vincent 
This world was never meant 
For one as beautiful as you 
Starry, starry night 
Portraits hung in empty halls 
Frameless heads on nameless walls 
With eyes that watch the world and can't forget 
Like the strangers that you've met 
The ragged men in ragged clothes 
A silver thorn, a bloody rose 
Lie crushed and broken on the virgin snow 
Now I think I know what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they're not listening still 
Perhaps they never will"
Don Mclean

 Segue a canção no vídeo abaixo


Referências 
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Don_McLean

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Filme "Um método perigoso" e o Amor

“O amor tem mais do que um ponto em comum com a convicção religiosa: exige uma aceitação incondicional e uma entrega total. Assim como o fiel que se entrega a seu Deus participa da manifestação da graça divina, também o amor só revela seus mais altos segredos e maravilhas àquele que é capaz de entrega total e de fidelidade ao sentimento. Pelo fato de isto ser muito difícil, poucos mortais podem orgulhar-se de tê-lo conseguido. Mas, por ser o amor devotado e fiel o mais belo, nunca se deveria procurar o que pode torná-lo fácil. Alguém que se apavora e recua diante da dificuldade do amor é péssimo cavaleiro de sua amada. O amor é como Deus: ambos só se revelam aos seus mais bravos cavaleiros. Da mesma forma critico o casamento experimental. O simples fato de assumir um casamento experimental significa que existe de antemão uma reserva: a pessoa quer certificar-se, não quer queimar a mão, não quer arriscar nada. Mas com isto se impede a realização de uma verdadeira experiência. Não é possível sentir os terrores do gelo polar na simples leitura de um livro, nem se escala o Himalaia assistindo a um filme.

 O amor custa caro e nunca deveríamos tentar torná-lo barato. Nossas más qualidades, nosso egoísmo, nossa covardia, nossa esperteza mundana, nossa ambição, tudo isso quer persuadir-nos a não levar a sério o amor. Mas o amor só nos recompensará se o levarmos a sério. Considero um desacerto falarmos nos dias de hoje da problemática sexual sem vinculá-la ao amor. As duas questões nunca deveriam ser separadas, pois se existe algo como problemática sexual esta só pode ser resolvida pelo amor. Qualquer outra solução seria um substituto prejudicial. A sexualidade simplesmente experimentada como sexualidade é animalesca. Mas como expressão do amor é santificada. Por isso não perguntamos o que alguém faz, mas como o faz. Se o faz por amor e no espírito do amor, então serve a um Deus; e o que quer que faça não cabe a nós julgá-lo pois está enobrecido.”( Carl Gustav Jung (1875-1961), em “Civilização em Transição”_
Foto : Carl G. Jung e Sabina Spielrein 
Cena do filme "Um método perigoso".

terça-feira, 7 de julho de 2015

Povo Indígenas Xerentes na Aldeia Salto.em Tocantins -Tocantins

Por Rosangela Brunet
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante...
Caetano Veloso

Arte: Pedro Pereira


O GUARANI
Por Maria das Graças Ferreira Graúna - Graça Graúna - Potiguara

Sepé Tiaraju foi um guerreiro 
defendeu com a vida o rincão 
a caça, a pesca e o plantio 
do guarani contra a invasão 
Da real história poucos sabem 
o que se deu no século dezoito. 
Sepé Tiaraju morto em combate 
em nome da cultura do seu povo. 
Junto a mil e quinhentos guaranis 
afirmando que “esta terra já tem dono”. 
na luta contra o mal ele morreu 
Mas contam lá em São Miguel 
quando a noite parece mais pituma 
o guerreiro Sepé vira uma estrela 
(Nordeste do Brasil, agosto de 2009)

Maissa Ferreira Alves diz que "O contato com o branco, desde o início da colonização, sempre foi prejudicial ao índio e à cultura indígena em geral, pois funciona como elemento destribalizador, provocando perda das terras e dos valores culturais.
Com o tempo, perdeu-se a imensa diversidade cultural que as tribos representavam sem que chegassem a ser estudadas. Por outro lado, adaptados ao seu meio ambiente, não possuindo defesas contra as doenças da civilização, muitos sucumbiram pelas gripes, sarampo, sífilis e outras doenças. Assim, dos milhões que aqui habitavam na época do descobrimento do Brasil, somam hoje 350 mil.
Foram 500 anos onde houve escravidão, catequização, miscigenação e dizimação. Qualquer coisa que se diga sobre os índios do Brasil será pouco. A dívida do branco civilizado para com o indígena é alta e pesada demais.
Mas um fator é positivo e devemos nos orgulhar dele. Um estudo recente do geneticista brasileiro Sérgio Danilo Pena mostrou que 70% dos brasileiros que se dizem brancos têm índios ou negros entre seus antepassados. Ou seja, a maioria de nós tem sangue mestiço.Se não justifica, pelo menos o peso de nossa consciência se torna mais leve, pois somos um povo que trás no sangue a herança das minorias ou indígena ou negra."


                                                                               Fotografia da Wikpédia

Mas ainda existe uma aldeia que esta sendo conservada em Tocantis. Ali eles conservam sua cultura e recebem visitas agendadas .Só entra lá se for agendado,pois eles mantém seus hábitos naturais.Aqui vou falar especigicamente dos Xerentes que é uma aldeia que se localiza em Tocanti.a

Em Tocantins, a modernidade convive em total harmonia com as tradições. Ao mesmo tempo em que a capital do estado, Palmas, é a ultima cidade brasileira planejada do século 20, recebendo como moradores pessoas de todo o país, existe no Tocantins uma população aproximada de 10 mil indígenas. Todos com cultura e tradições muito bem preservadas 

São indígenas de sete etnias: Karajá, Xambioá, Javaé (que formam o povo Iny) e os Xerente, Krahô Canela, Apinajè e Pankararú. Eles se distribuem em mais de 82 aldeias, em municípios de todas as regiões do Estado.Dependendo das peculiaridades e habilidades de cada etnia, os indígenas do Tocantins chamam a atenção pela beleza do artesanato que fazem, pelas pinturas e adornos que enfeitam seus corpos nas festas e rituais ou pela própria simbologia destes eventos seculares.

Apinajé,Krahô,Pankararu,Povo Iny - Karajá,, Xambioá e Javaé e Xerente

"Os xerentes são um grupo indígena que habita a margem direita do Rio Tocantins, próximo à cidade de Tocantínia, no estado doTocantins, no Brasil. Sua população, atualmente, é de quase 1 800 pessoas, distribuídas em 33 aldeias que integram as reservas indígenas Xerente e Funil, com 183 542 hectares de área demarcada. Falam a língua akuwen, pertencente ao tronco linguísticomacro-jê.
Formam, junto com os índios xavantes, o grupo maior dos acuéns1 . São hábeis no artesanato em trançado. Com a palha de babaçu e a seda do buriti, produzem cestas, balaios, bolsas, esteiras e enfeites para o corpo" [1[.
   Segundo  Ivo Schroeder,  "em meados do século XIX, ao norte da cachoeira Funil, em ambas as margens do rio Tocantins, con- frontando ao norte com os Krahô, nos encontramos em território dos Akw Xerente. Eles viveram a ex- periência de Thereza Christina. Data desse período a memória sobre episódios protagonizados pelos Xeren- te e que lançam luz sobre sua realidade atual. São even- tos ligados à sua civilização, quando se veem diante do dilema entre jogar ou aceitar as coisas do branco. Curt Nimuendaju esteve com os Xerente na dé- cada de 1930 e anotou: “de todas as tribos que co- nheci, os Xerente são os únicos com algum senso de solidariedade racial, transcendendo diferenças lin- guísticas e guerras tribais. O deus Sol, Waptokwá, é o pai de todos os índios” (1942, p. 9). Ele traduz Che- rente por akwe kutabi (1929, p. 28), expressão que usam atualmente para enfatizar que alguém é Xerente puro ou verdadeiro. Uma versão da sua origem indica como local o Morro Perdido, próximo ao rio Araguaia. De acordo com Sõware, os membros do clã Krito foram os últi- mos a escolher sua pintura, quando todos já haviam se pintado. Ele esclarece:Foi do Morro Perdido onde se dividiram, Xavante, Xerente. Karajá foi bem daí do Morro Perdido que foi para o Araguaia. Assim foi toda a nação, tava tudo ali no Morro Perdido. Foi ali que dividiram, Krahô, outras nações, tudo. Então é toda a nação, mas quem ficou em Morro Perdido foi os Xerente e ainda hoje está perto. (Dezembro, 2003)"[3]



Veja as fotos abaixo de Alyson Soares da Rocha  do Zootecnista a que foi trabalhar em   Tocantins e levou sua esposa e filha de oito anos para conhecer a  Aldeia Salto,Ele aproveitou e  fez este magnífico  Ensaio Fotográfico para registrar a emocionante vida deste povo que resistiu a violência dos poderosos, e a invasão da civilização.Eles não deixaram se dominar. Primeiramente eles aprendem a lingua de origem, depois são alfabetizados  em poortugês


Vale ver o artigo. Contribuição de minha sobrinha Suzana Brunet seu marido Alysson da Rocha que fez o Ensaio Fotográfico.Para completar levou sua filhinha de oito anos para conhecer e participar da cultura deles .É lindo esse exemplo deles, e as fotos estão lindas magníficas.

Fotografia de  Alyson Soares da Rocha
Fotografia de  Alyson Soares da Rocha



 “Os índios estão morrendo?”
Por Yolly Sabrina Marques Lima - Taurepang

Não, não estamos apenas morrendo,
Estamos sendo assassinados,
Estamos sendo aterrorizados,
Estamos sendo humilhados…
Todavia o que viemos sofrendo,
Não será em vão.
Pode até estar chovendo,
Ainda sim continuamos lutando,
Ainda sim continuamos marchando,
Ainda sim continuamos cantando,
Ou em meio ao calor horrendo,
Conseguiremos retomar nosso chão!
Muitos continuam indo,
Muitos já estão dormindo,
Muitos que com o coração chorando continuam rindo,
Não de felicidade
Mas sim de força de vontade,
De ver nosso povo à vontade,
Naquilo que sempre foi meu, sempre foi seu…
Nossa terra, nosso chão!

Repito: Não estamos morrendo!
Repito: NÃO! NÃO!
Estamos sobrevivendo fisicamente
E muitos outros apenas in memorian ardente
Não com sede de vingança
Mas com sede de esperança
De que um dia tudo dará certo,
Que por fim, eu espero…
Que todos estejam vivos não apenas na memória,
Mas na história de uma nação que se redimiu
E que como sempre… Renasceu das cinzas,
De um passado ríspido e triste.
Abrindo os olhos para um futuro feliz e bem sucedido!
Mas lembre: Nada é em vão! Sempre há um propósito,
Mesmo que no momento de dor não pareça tão óbvio!.





 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha


 BRASIL TIRA A MÁSCARA!
Por Yakuy Tupinambá
Publicada originalmente na Rede ÍndiosOnline 

Sem história, sem memória, o que pensas que és?
Nega seu próprio sangue, sua verdadeira raiz, em que ainda sonhas?
Vivendo uma quimera, quando ainda era uma nação tão bela!
Guardiã das florestas, dos rios, dos mares e dos lagos,
Das aves e dos animais.
Abrigo de um Povo dono de um Segredo Sagrado,
A essência humana!
Por que a transformação, onde desejas chegar?
Imitando, copiando, deixando se levar…
Por que abandona seus verdadeiros filhos?
Fazendo-nos sangrar, banhando seu solo e suas águas.
Que conquistas são essas feitas através da dor?
Em que se transforma, ou se transformou,
O paraíso da vida.
Não acreditas mais na força e na união dos seus filhos.
Deixou se levar pelos sonhos maculados da inveja.
Ser arrastada pela ganância daqueles que só fizeram explorar.
Tira essa máscara, ela não lhe pertence.
Estamos aqui, resistindo, esperando que você reaja
Que volte a ser forte, a abrigar novamente à vida,
Daqueles que vos ama, verdadeiramente.
Sem querer mais nada,
Além da vida para a vida.


  Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 
1 - Tempo Quebrado
Por Salvino dos Santos Braz - Kanátyo Pataxó

O tempo foi quebrado,
Picado sem dó,
Como um nó
Que prende e amarra. 
Ninguém tem mais tempo,
Pro seu tempo de vida,
O tempo se despedaçou.[...]
O tempo hoje vale dinheiro,
Mas como viverá o sabiá?
O seu tempo vale mais do que dinheiro,
Vale liberdade (...)
...
Dá sentido á sua vida
Com uma linda poesia.
Sabiá bico de osso,
O seu canto que eu ouço
Não tem preço,
A sua vida reconheço,
Por isso o meu tempo lhe ofereço
Pra voar, cantar e me alegrar.
Minha amiga sabiá
Tenho medo de lhe perder,
O que será eu e você
Sem o canto?
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Cantos de la tierra
Por Freddy Chikangana - Wiñay Maílla - Etnia: Yanakuna Mitmac

Cantos da terra
De milho são meus cantos e de água minha essência.
Canto hoje como antes cantaram 
com teimosa semente que renega a morte,
assim como gota que alimenta a fonte.
De milho: cantos, água, essência.
Vivo hoje do plantio de ontem,
como espiga madura que floresce na terra.
Cantos de la tierra
De maíz son mis Cantos y de agua mi esencia.
Canto hoy como antes cantaron
como terca semilla que se niega a la muerte,
así como gota que alimenta la fuente.
De maíz: cantos, agua, esencia...
Vivo hoy con la siembra de ayer,
como espiga madura que florece en la tierra.
Pacha takipa
Saramanta takiy nuqapi yakuri samay
Taki punchau ñaupakhina taki
k'ullu sonccohima muyu ima nima huañushca
suttuyhinamicjuchiy pucuycuna.
Saramanta: taki, yaku, samai...
Causay punchau tarpunahuancuna cayna-punchau
trigo parhuayna poccoy ima sisay pachacunapi.
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha


  Ay kakyri tama
Por Márcia Vieira da Silva - Kambeba
:
Eu moro na cidade
Esta cidade também é nossa aldeia,
Não apagamos nossa cultura ancestral,
Vem homem branco, vamos dançar nosso ritual.
Nasci na Uka sagrada,
Na mata por tempos vivi,
Na terra dos povos indígenas,
Sou Wayna, filha da mãe Aracy .
Minha casa era feita de palha,
Simples, na aldeia cresci,
Na lembrança que trago agora,
De um lugar que eu nunca esqueci.
Meu canto era bem diferente,
Cantava na língua Tupi,
Hoje, meu canto guerreiro,
Se une aos Kambeba, aos Tembé, aos Guarani.

Hoje, no mundo em que vivo,
Minha selva, em pedra se tornou,
Não tenho a calma de outrora,
Minha rotina também já mudou.

Em convívio com a sociedade,
Minha cara de “índia” não se transformou,
Posso ser quem tu és,
Sem perder a essência que sou,
Mantenho meu ser indígena,
Na minha Identidade,
Falando da importância do meu povo,
Mesmo vivendo na cidade.


 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

Essa é a hora das brincadeiras.Eles mesmos preparam as brincadeiras para os visitantes

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha
Essa de costa de bermuda jeans é minha sobrinha Suzana Brunet com sua filha Beatriz á esquerda

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha
Essa  a esquerda é minha sobrinha Beatriz  neta
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha Essa  a esquerda é minha sobrinha Beatriz neta

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha Essa  a esquerda é minha sobrinha Beatriz neta
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha Essa  a direita  é minha sobrinha Beatriz neta
 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 


 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 

 Fotografia de  Alyson Soares da Rocha 


__________Separei mais uns Poemas para vocês Veja abaixo___________________________
Os poemas e poesias indígenas de diferentes etnias sempre acabam trazendo um olhar sobre a natureza e suas realidades culturais. A Equipe da Rádio Yandê escolheu uma lista de dez para o público conhecer
Imagem: Lucio Kansuet 


























Fora do Tempo
Por Renata Machado - Tupinambá


Atirei uma pedra em direção ao lar das águas.
Corri nas sombras das florestas por entre os feixes de luz da copa das árvores ancestrais.
Desci por caminhos ocultos na escuridão.

Em meus ouvidos apenas chegavam os sons da pedra,
o cair dos frutos maduros,
amanhecer das plantas e nascer dos pássaros. 

Meu corpo tornou-se uma casca de semente brotando na terra,
minha pele una com o solo,
minha perna tronco e raízes.

Sou um pouco do fluxo dos rios com o sopro do ar e chamas do fogo.
Sou um canto fora do tempo na ausência de pensamento.


Meu ser uma flauta da selva tocada com gotas de chuva.


 Pó de Urucun
Por Zahy Guajajara

Da minha pele lateja um sangue vermelho
Quando seca vira pó de urucum
E depois torna-se um corante
Aquele que faz colorir o seu alimento comum
Minha cor
Meu sangue 
Minha lágrima é uma gota de pó
O ar que respiras também é pó 
De urucun
Ai que dó
Quando bebo
Bebo sangue
Aquele sangue da equação
Do urucun que desce
Em forma de menstruação
Parém então
Quando Deus me fez
Estou certa de que em vez
De usar o pó da terraEle usou o pó de urucun



9 - Sons e Cores da Natureza
Por Adão Karai Tataendy Antunes - Livro "Palavras do Xeramõin"


Ha verde louro no teu ventre imenso
Guarda a imensidão de seres diferentes 
Um conjunto lindo de vários elementos
Sons e cores vivem harmoniosamente
De onde vem as cores que nas flores vejo
Será que vem do sol,do lua ou dos ventos
Se nem um pintor conhece os tons de cores
Pra pintar as flores com esses pigmentos
O Lua que passa as vezes prateada
Sorrindo baixinho pra esse verde louro
Conhece as riquezas que estão guardadas 
Como um mistério de um grande tesouro
Pra cada estação existe um adorno
Pra cada evento um som diferente
Os sons as cores que ali convivem
Desse verde louro são os dependentes
Nem um poeta pode descrever 
Todo mistério de tantas belezas 
Se uns mil anos pudesse viver 
Não veria tudo o que há na NATUREZA.


 La Realidad
Por Natalia Toledo - Zapoteca 

Esos rostros cubiertos
que descienden de la montaña
como cactus erguidos
llenos de espinas,
con su aire puro a cuestas.
Esos rostros de estambre negro,
ojos anémicos,
coágulos en el tiempo.

Qué es ser indígena?
he aquí mi lista:
Tener un idioma para los pájaros
para el aire que silva
un idioma para hablar con la tierra
para platicar con la vida
para seducir en las fiestas de los pueblos
una lengua para reirse del forastero torpe
sombra silente
hiedra en el cuello de la cobardia
¿qué es ser indígena?
ser indígena es tener un universo y no renunciar a él.



Referência :

[1]https://pt.wikipedia.org/wiki/Xerentes
[2] Redação Yandê http://radioyande.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=975&pagina_id=21862&tipo=post&post_id=332
[3] Ivo Schroeder Doutor em Antropologia Social (USP-São Paulo) São Paulo, SP, Brasil ivo.sc@terra.com.br

domingo, 5 de julho de 2015

Terapia do Jogo de Areia (Sandplay) de Dora Kalff

Segue abaixo uma pesquisa lindíssima feita pelos moderadores da Página Imagens e Símbolos. E contribuindo tamb´me com a postagem vem André Rodrigues do Jung na Prática entrevistando uma especialista no jogo Sandplay

"Em 1956, Dora Kalff, analista junguiana, teve contato com Margareth Lowenfeld e sua forma de atendimento utilizando a caixa de areia na psicoterapia infantil. Desenvolveu e adaptou à psicoterapia analítica com algumas mudanças e denominou a técnica de Jogo de Areia. Kalff observou o interesse despertado pela técnica nos pais de seus pacientes e passou a incorporar a criação de cenários como forma de expressão com adultos que também poderiam se beneficiar com uma maneira mais lúdica de atendimento.

Dora Kalff, discípula de Jung, desenvolveu a Terapia do Jogo de Areia (Sandplay)

O jogo de areia como atividade lúdica, ajuda a restabelecer a capacidade de criar, imaginar e fantasiar, necessárias não só às crianças, mas também aos adultos. Foi aplicado inicialmente como um método terapêutico baseado na Psicologia Analítica de Jung. Os cenários são construídos, utilizando-se miniaturas de seres e objetos do mundo real e fantástico, permitindo uma representação tridimensional, não verbal, do mundo interior. A caixa de areia é um espaço livre e protegido que permite entrar em contato com as emoções e fantasias, expressar de forma segura, impulsos e necessidades do indivíduo, facilitando seu desenvolvimento. Na escola, o jogo de areia permite explorar possibilidades de expressão e movimento, bem como desenvolver capacidades perceptivas e criativas das crianças. A técnica pode ser aplicada em psicoterapia, arte terapia, psicopedagogia, atividades educacionais, individualmente ou em grupos.
Sala de Dora Kalf, discípula de Jung que
desenvolveu a Terapia do Jogo de Areia (Sandplay).

Marionetes do Self, é uma técnica desenvolvida por Carlos Byington a partir da caixa de areia (sandplay). Em psicoterapia permite abordar as questões do paciente e simboliza-las para posterior elaboração. Utiliza miniaturas de seres humanos, animais e objetos variados com o objetivo de facilitar o acesso do paciente a uma representação de seu mundo interior. A visualização da representação intensifica a vivencia e permite expressar o que não é possível pela palavra. Cria um espaço onde os conflitos internos têm uma representação externa e podem ser elaborados. 
Sobre o aprendizado das Técnicas Expressivas:“É muito difícil, se bem que não impossível, aprender o uso das técnicas 
expressivas sem vivenciá-las, seja numa terapia pessoal ou em workshops. 
No entanto, quando não se teve uma experiência com técnicas expressivas na sua 
própria análise, elas podem ser aprendidas em grupos, sobretudo em workshops.” 
Carlos Amadeu Botelho Byington, Introdução ao Estudo das Técnicas Expressivas pela Psicologia Simbólica Junguiana, disponível em http://www.carlosbyington.com.br/tecnicas-expressivas-psicologia-simbolica/.
A sala de Sandplay de Laura Strom, disponível no Pinterest.

O jogo na caixa de areia como abordagem terapêutica foi desenvolvido por Margaret Lowenfeld, em 1929. A psiquiatra atribuiu a inspiração para a criação de sua técnica ao livro Floor Games de Herbert George Wells, publicado em 1911. Em 1935 Lowenfeld publicou World Techniques - Play in Childhood, denominando Técnica do Mundo, a modalidade terapêutica com crianças, na qual se constroem pequenos mundos utilizando areia e miniaturas. Dora Kalff, em 1956, interessou-se pela técnica e, incentivada por Jung, foi para Londres estudar e trabalhar com Lowenfeld e outros pesquisadores como M. Fordham e D. Winnicott. Quando retornou à Suíça, desenvolveu sua própria versão da Terapia do Jogo de Areia, fundamentada na teoria Junguiana.
Marionetes do Self 
A técnica das Marionetes do Self se origina nas tradições da ludoterapia, incluindo a CAIXA DE AREIA. Utiliza, no lugar da caixa de areia, um tecido branco de forma retangular que pode medir até 1,20m por 2,00m. As miniaturas têm 15 cm de altura, tendo por base pequenos cubos de madeira, para que fiquem de pé. Elas representam personagens significativos para o paciente, seus familiares, amigos, figuras que surgem em seus sonhos e também o próprio terapeuta, acompanhados pelos símbolos a eles atribuídos pelo paciente.
Caixa de Areia e coleção de miniaturas.


O jogo de areia, como atividade lúdica, ajuda a restabelecer a capacidade de criar, imaginar e fantasiar, necessárias não só às crianças, mas também aos adultos. Foi desenvolvido por Dora Kalff e aplicado inicialmente como um método terapêutico baseado na Psicologia Analítica de Jung. Os cenários são construídos, utilizando-se miniaturas de seres e objetos do mundo real e fantástico, permitindo uma representação tridimensional, não verbal, do mundo interior. A caixa de areia é um espaço livre e protegido que permite entrar em contato com as emoções e fantasias, expressando de forma segura, impulsos e necessidades do indivíduo, facilitando seu desenvolvimento. Como técnica auxiliar, pode ser aplicado em outros contextos como terapia conjugal, psicoterapia, arteterapia, psicopedagogia, atividades educacionais, individualmente ou em grupos.




“O Jogo de Areia não é apenas um método de terapia, mas um meio criativo através do qual o conteúdo da imaginação se torna real e visível. Além disso, proporciona ao terapeuta uma oportunidade única de observar os processos de desenvolvimento e de cura”. Dora Kalff
A caixa de areia como abordagem terapêutica foi concebida por Margaret Lowenfeld que começou a utilizá-la em 1929, publicando em 1935 o livro que apresentava o desenvolvimento de sua técnica: “World Techniques - Play in Childhood”.
O Jogo de Areia tem seus primórdios em jogos de guerra de adultos e crianças, realizados em cenários com miniaturas de soldados e fortes dispostos no chão (Floor Games).Adultos também brincam e se interessam por miniaturas. Sala de Dora Kalf, discípula de Jung que desenvolveu a Terapia do Jogo de Areia (Sandplay).
O Jogo de Areia tem seus primórdios em jogos de guerra de adultos e crianças, realizados em cenários com miniaturas de soldados e fortes de guerra dispostos no chão (Floor Games).Os livros de Herbert George Wells, Little Wars e Floor Games são umas das inspirações de Margareth Lowenfeld para o desenvolvimento do Jogo do Mundo.A caixa com areia, medindo 57 cm x 72 cm x 7 cm, permite que se visualize todo o espaço livre para a construção e o cenário inteiro de uma vez.As miniaturas devem ser colocadas em estantes, acessíveis visual e manualmente. Os objetos devem ser de boa qualidade para motivar e estimular a criatividade. É importante que sejam suficientes para representar as várias situações possíveis na realidade e na ficção.
Imagem de uma coleção disponível na internet. Observa-se que não é necessário muito espaço possuir tantas miniaturas, basta que se tenha representação de todas as categorias necessárias para se construir uma diversidade de cenas reais ou imaginárias.


Há soluções bem simples para acomodar a coleção de miniaturas e a caixa de areia.







Parte de uma coleção de miniaturas para Jogo de Areia, animais.
Além das miniaturas, é interessante oferecer materiais para criar novos objetos.

Que papel as figuras em miniatura desempenham no jogo de areia? 
Imagem: Caixa de areia, montagem para fins didáticos. Fotografia Imagens e Símbolos.

RUTH – As figuras são uma espécie de edição de nossas representações do mundo interno. Mas, por estarem prontas, encontram-se num nível mais superficial. Hoje usamos muito as figuras já prontas, manufaturadas. No passado, entretanto, usava-se o papel, as pedras, os pedaços de plástico. Eu voltei um pouco para os materiais disformes porque sua utilização é também uma forma de criar. Pegar tudo pronto é uma atitude consumista. Por outro lado, poder criar é muito importante porque o que surge são imagens compensatórias necessárias concretizadas por força da imaginação. Esse é um aspecto muito interessante do trabalho. A gente tem a capacidade de ver o simbólico atrás da realidade. E esse significado é diferente do que se vê na pintura ou na escultura, porque é o próprio processo de criação. (Entrevista com a analista junguiana suíça Ruth Ammann, 09/08/2002 , Revista Viver Psicologia, disponível emhttp://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/print.php?storyid=300 Acessado em 24-06-2010).


Contos na caixa de areia


A princesa e o sapo
A princesa brincava com uma bola dourada que caiu dentro de um poço de onde ela não conseguia retirá-la. Mas no poço havia um sapo que disse que poderia devolver a bola se a princesa cumprisse três desejos: sentar-se à mesa com a princesa, comer de seu prato e dormir na sua cama. Ela então prometeu tudo porque estava muito triste com a perda da sua bola. Assim, que o sapo a trouxe de volta, a princesa esqueceu suas condições e ele teve que lembrá-la de sua promessa. A cada vez ela obedecia com relutância porque o sapo é tão repulsivo que cada exigência era pior que a anterior. A última condição, então, de que o sapo dormisse na sua cama, a princesa nem queria ouvir falar, mesmo assim, o sapo entrou na sua cama, de onde ela o tirou e o jogou contra a parede. Nesse instante o sapo desapareceu e em seu lugar surgiu o Príncipe Encantado.



O repugnante sapo ou dragão do conto de fadas traz a bola do sol na boca;
pois o sapo, a serpente, o rejeitado, é o representante daquela profunda camada inconsciente em que são guardados todos os elementos da existência não admitidos, não reconhecidos, desconhecidos ou subdesenvolvidos. Essas são as pérolas dos palácios submarinos das fábulas; as jóias que iluminam as cidades demoníacas do mundo interior; as sementes de fogo do oceano de imortalidade, que suporta a terra e a cerca como uma cobra; as estrelas do firmamento da noite imortal. São elas as pepitas de ouro do tesouro do dragão; as maçãs guardadas pelas Hespérides; os filamentos do Velocino de Ouro. O agente que anuncia a aventura costuma ser sombrio, repugnante ou aterrorizador, considerado maléfico e, no entanto, se prosseguirmos, o caminho nos será aberto. O arauto pode ser um animal (como no conto de fadas), representante da fecundidade instintiva reprimida que está dentro de nós. Pode ser igualmente uma figura misteriosa coberta por um véu — o desconhecido. Campbell, O herói das Mil Faces 

"Desde sempre o ser humano brinca… o brincar faz parte da elaboração psíquica e dá vazão à criatividade, que é fundamental para a sobrevivência, mas também para o desenvolvimento da vida em todos os seus necessários aspectos. Brincar faz bem! Brincar produz! Brincar estimula a criança interior e nos deixa mais felizes.
A areia faz parte deste universo do brincar. Quem nunca subiu num monte de areia? Quem nunca construiu castelos ou pelo menos desejou construir? Quem nunca sentiu a areia entre seus dedos?
A areia, assim como o barro nos traz a ancestralidade da Grande Mãe, do Planeta e há muito se sabe disto… Aqueles que se permitem brincar, seja em qual fase da vida for, podem se encontrar de uma maneira lúdica. E o Sandplay – O Jogo de Areia favorece isto sobremaneira.

O Jogo de Areia não é apenas um método de terapia, mas um meio criativo através do qual o conteúdo da imaginação se torna real e visível. Além disso, proporciona ao terapeuta uma oportunidade única de observar os processos de desenvolvimento e de cura.Dora Kalff
O Sandplay foi desenvolvido pela Analista Junguiana Dora M. Kalff, em Zollikon, Suíça. No Japão, na Europa e Estados Unidos vêm crescendo e se difundindo muito, onde profissionais o usam como método terapêutico em escolas, consultórios e hospitais, podendo ser realizado por pessoas de qualquer idade.
Criando cenas da psique, de maneira não verbal, podemos observar em que ponto estamos. As cenas contam histórias e revelam os mais profundos segredos da alma.
Eu tive um encontro maravilhoso com a fantástica Edna Levy e ela disse um pouco sobre como lidar com as fases: infância, adolescência e a fase adulta através deste método maravilhoso, o Sandplay"(André Oliveira, "Sandplay – Jogo de Areia na Infância, Adolescência e Fase Adulta") [1]
.Assista e depois faça seus comentários:


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“A caixa de areia pode ser considerada, simultaneamente, como uma técnica projetiva e como uma metodologia terapêutica. Enquanto técnica projetiva permite o acesso a conteúdos de grande riqueza. A ausência da necessidade de uma verbalização muito sistematizada – geralmente fundamental em outras técnicas projetivas – parece constituir uma grande vantagem. O indivíduo, independentemente da idade, colabora com facilidade na criação de um cenário bastante revelador do seu próprio mundo interno. A caixa de areia enquanto instrumento projetivo revela grande utilidade ao ser administrado no conjunto da bateria de testes que compõem uma avaliação psicológica. Numa psicoterapia infantil, é frequentemente escolhida pelas crianças como meio preferencial de expressão. No acompanhamento de adolescentes e adultos, a utilização pontual da caixa de areia pode revelar-se útil para desbloquear um impasse terapêutico ou verbalizar emoções não expressas. Enquanto metodologia terapêutica desenvolvida sob inspiração junguiana, a caixa de areia apresenta a vantagem de se prestar a uma grande plasticidade interpretativa. Com efeito, os cenários a que dá origem podem ser trabalhados de acordo com a orientação teórica que sustenta o trabalho interpretativo do terapeuta.” (CORDEIRO CRUZ, M. C.; FIALHO, M. T. A Caixa de Areia: Técnica projectiva e método terapêutico, Análise Psicológica (1998), 2 (XVI): 231-241).

Dora Kalff, discípula de Jung, desenvolveu a Terapia do Jogo de Areia (Sandplay)

Sala de Dora Kalf, discípula de Jung
que desenvolveu a Terapia do Jogo de Areia (Sandplay).
Em 1956, Dora Kalff, analista junguiana, teve contato com Margareth Lowenfeld e sua forma de atendimento utilizando a caixa de areia na psicoterapia infantil. Desenvolveu e adaptou à psicoterapia analítica com algumas mudanças e denominou a técnica de Jogo de Areia. Kalff observou o interesse despertado pela técnica nos pais de seus pacientes e passou a incorporar a criação de cenários como forma de expressão com adultos que também poderiam se beneficiar com uma maneira mais lúdica de atendimento.  “O Jogo de Areia não é apenas um método de terapia, mas um meio criativo através do qual o conteúdo da imaginação se torna real e visível. Além disso, proporciona ao terapeuta uma oportunidade única de observar os processos de desenvolvimento e de cura”. Dora Kalff




Miniaturas para Caixa de Areia 

Pode-se dizer que o armário de miniaturas representa o próprio terapeuta, seu gosto pessoal na escolha e aquisição, sendo que alguns até as confeccionam artesanalmente. A coleção simboliza uma colaboração do terapeuta no processo, por meio dos objetos que ele oferece ao paciente e que estarão disponíveis para sua criação na caixa de areia.NASSIF, S. L.; SOARES, L. F. M. O Mundo em Miniatura: o Jogo de Areia e as Marionetes do Self. Hermes, n. 19, p. 54-63, 2014

Imagens do mundo em miniatura.Artigo recomendado: 
NASSIF, S. L.; SOARES, L. F. M. O Mundo em Miniatura: o Jogo de Areia e as Marionetes do Self. Hermes, n. 19, p. 54-63, 2014.
Imagens do mundo em miniatura.Artigo recomendado: 
NASSIF, S. L.; SOARES, L. F. M. O Mundo em Miniatura: o Jogo de Areia e as Marionetes do Self. Hermes, n. 19, p. 54-63, 2014.


As miniaturas permitem a expressão dos impulsos, emoções e sentimentos mais profundos.
Caixa de Areia e coleção de miniaturas.
A caixa com areia, medindo 57 cm x 72 cm x 7 cm, permite que se visualize todo o espaço livre para a construção e o cenário inteiro de uma vez.




A caixa de areia é um espaço livre e protegido que permite a manifestação dos símbolos, agentes curativos, que atuam como pontes, ligando a consciência e o inconsciente e ajudam a promover a transformação necessária para o desenvolvimento do indivíduo



Areia ampliada 250 vezes.


As miniaturas devem ser colocadas em estantes, acessíveis visual e manualmente. Os objetos devem ser de boa qualidade para motivar e estimular a criatividade. É importante que sejam suficientes para representar as várias situações possíveis na realidade e na ficção.

Um símbolo é mais rico que um conceito verbal. Expressa emoções, sentimentos e aspectos inconscientes, difíceis de verbalizar.

Figuras humanas de várias idades, ambos os sexos, diferentes profissões e raças, tudo que for necessário para representar diferentes papéis sociais.

Entrevista com Ruth Ammann
V P – Que papel as figuras em miniatura desempenham no jogo de areia? 
RUTH – As figuras são uma espécie de edição de nossas representações do mundo interno. Mas, por estarem prontas, encontram-se num nível mais superficial. Hoje usamos muito as figuras já prontas, manufaturadas. No passado, entretanto, usava-se o papel, as pedras, os pedaços de plástico. Eu voltei um pouco para os materiais disformes porque sua utilização é também uma forma de criar. Pegar tudo pronto é uma atitude consumista. Por outro lado, poder criar é muito importante porque o que surge são imagens compensatórias necessárias concretizadas por força da imaginação. Esse é um aspecto muito interessante do trabalho. A gente tem a capacidade de ver o simbólico atrás da realidade. E esse significado é diferente do que se vê na pintura ou na escultura, porque é o próprio processo de criação. (Entrevista com a analista junguiana suíça Ruth Ammann, 09/08/2002 , Revista Viver Psicologia, disponível emhttp://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/print.php?storyid=300 Acessado em 24-06-2010).
Imagem: Caixa de areia, montagem para fins didáticos. Fotografia Imagens e Símbolos.






                   Imagens do mundo em miniatura. É importante ter na coleção, miniaturas de figuras humanas de diferentes épocas. Aqui, algumas peças de um antigo presépio, foram restauradas e integradas à coleção, tendo um efeito surpreendente na areia.
 A camponesa sentada à beira de um poço, a lavadeira, a jovem com um cântaro e o burro são figuras de um presépio antigo, muito bem reaproveitadas na caixa de areia.
Lavadeira e camponesa carregando cântaro. Antigas figuras femininas adaptadas de um presépio.


Imagens do mundo em miniatura
Quanto maior a diversidade de figuras, mais possibilidades de representação.


Uma estante com miniaturas

Imagens do mundo em miniatura
Parte de uma coleção. Mobilias de madeira, cestos de arame, barbante, cadeira de palito. Muitas miniaturas podem ser confeccionadas artesanalmente a partir de materiais reaproveitados. 


 Miniaturas de objetos de uso doméstico e alimentos

              Sofá de madeira mdf revestido com retalho de tecido. Tapete de barbante, cesto de crochê

Miniaturas de árvores de diversos materiais.


                                     Parte de uma coleção de miniaturas para Jogo de Areia, animais.

  

  

A coleção de miniaturas vai sendo ampliada com o tempo e formada por objetos de diversas procedências e dos mais variados materiais. Na estante das casas, por exemplo, há peças de madeira, gesso, barro, resina etc. Casas modernas, antigas, prédios, lembranças de viagens representando diversos lugares do mundo, igrejas, torres etc. é possível também criar a partir de materiais como pedaços de madeira, tijolinhos, palitos, papelão, oferecendo uma grande variedade de possibilidades de representação..
Há soluções bem simples para acomodar a coleção de miniaturas e a caixa de areia
Caixa e mesa com rodas.
Coleção e caixa montada
Imagem de uma coleção disponível na internet. Observa-se que não é necessário muito espaço possuir tantas miniaturas, basta que se tenha representação de todas as categorias necessárias para se construir uma diversidade de cenas reais ou imaginária
A sala de Sandplay de Laura Strom, disponível no Pinterest.
Além das miniaturas, é interessante oferecer materiais para criar novos objetos.

Todas essa caixa foi produzida apenas para servir como material ilustrativo da divulgação, para não expor material terapêutico. É uma simulação didática

Figuras humanas, Silvia Spindola.
A técnica das Marionetes do Self se origina nas tradições da ludoterapia, incluindo a CAIXA DE AREIA. Utiliza, no lugar da caixa de areia, um tecido branco de forma retangular que pode medir até 1,20m por 2,00m. As miniaturas têm 15 cm de altura, tendo por base pequenos cubos de madeira, para que fiquem de pé. Elas representam personagens significativos para o paciente, seus familiares, amigos, figuras que surgem em seus sonhos e também o próprio terapeuta, acompanhados pelos símbolos a eles atribuídos pelo paciente.
Marionetes do Self 
Marionetes do Self, é uma técnica desenvolvida por Carlos Byington a partir da caixa de areia (sandplay). Em psicoterapia permite abordar as questões do paciente e simboliza-las para posterior elaboração. Utiliza miniaturas de seres humanos, animais e objetos variados com o objetivo de facilitar o acesso do paciente a uma representação de seu mundo interior. A visualização da representação intensifica a vivencia e permite expressar o que não é possível pela palavra. Cria um espaço onde os conflitos internos têm uma representação externa e podem ser elaborados.Sobre o aprendizado das Técnicas Expressivas:“É muito difícil, se bem que não impossível, aprender o uso das técnicas expressivas sem vivenciá-las, seja numa terapia pessoal ou em workshops.No entanto, quando não se teve uma experiência com técnicas expressivas na sua
própria análise, elas podem ser aprendidas em grupos, sobretudo em workshops.”
Carlos Amadeu Botelho Byington, Introdução ao Estudo das Técnicas Expressivas pela Psicologia Simbólica Junguiana, disponível em http://www.carlosbyington.com.br/tecnicas-expressivas-psicologia-simbolica/.
Marionetes do Self
O jogo de areia como atividade lúdica, ajuda a restabelecer a capacidade de criar, imaginar e fantasiar, necessárias não só às crianças, mas também aos adultos. Foi aplicado inicialmente como um método terapêutico baseado na Psicologia Analítica de Jung. Os cenários são construídos, utilizando-se miniaturas de seres e objetos do mundo real e fantástico, permitindo uma representação tridimensional não verbal, do mundo interior. A caixa de areia é um espaço livre e protegido que permite entrar em contato com as emoções e fantasias, expressar de forma segura, impulsos e necessidades do indivíduo, facilitando seu desenvolvimento. Na escola, o jogo de areia permite explorar possibilidades de expressão e movimento, bem como desenvolver capacidades perceptivas e criativas das crianças. A técnica pode ser aplicada em psicoterapia, arte terapia, psicopedagogia, atividades educacionais, individualmente ou em grupo
Caixa montada. A fotografia deve conter a caixa toda, de frente
O fundo azul permite representar água e céu.
Imagem da gravação do vídeo:

Vídeo : Conversando sobre  Caixa de areia

A caixa de areia como abordagem terapêutica foi concebida por Margaret Lowenfeld que começou a utilizá-la em 1929, publicando em 1935 o livro que apresentava o desenvolvimento de sua técnica: “World Techniques - Play in Childhood”.
A pediatra Margareth Lowenfeld, passou a experimentar no atendimento infantil, a utilização de caixas com areia e água onde as crianças construíam “pequenos mundos”, o que denominou “World Technique”. Mais tarde, Dora Kalff, analista junguiana, tendo contato com Lowenfeld e sua forma inovadora de atendimento, percebeu que além de ser um recurso interessante para o psicodiagnóstico, brincar com areia e criar “pequenos mundos” com miniaturas poderia ser extremamente útil na psicoterapia infantil. Com algumas mudanças, Kalff desenvolveu seu próprio método que chamou de “Sandplay” ou Jogo de Areia.


O Jogo de Areia tem seus primórdios em jogos de guerra de adultos e crianças, realizados em cenários com miniaturas de soldados e fortes dispostos no chão (Floor Games
O Jogo de Areia tem sua origem em jogos de adultos e crianças, realizados em cenários com miniaturas de soldados e fortes de guerra dispostos no chão. Os livros de Herbert George Wells, Little Wars e Floor Games são umas das inspirações da pediatra Margareth Lowenfeld para o desenvolvimento do Jogo do Mundo, que posteriormente serviu de inspiração para a criação do Jogo de Areia por Dora Kalff. 
Adultos também brincam e se interessam por miniaturas. O Jogo de Areia tem seus primórdios em jogos de guerra de adultos e crianças, realizados em cenários com miniaturas de soldados e fortes de guerra dispostos no chão (Floor Games).Os livros de Herbert George Wells, Little Wars e Floor Games são umas das inspirações de Margareth Lowenfeld para o desenvolvimento do Jogo do Mundo.


Frida Kahlo
Coleção de miniaturas





Indicação de Livro



Fonte:

[1] http://jungnapratica.com/inicio/sandplay-jogo-de-areia-na-infancia-adolescencia-e-fase-adulta/
[2]https://www.facebook.com/ImagensESimbolos?fref=ts

Terra de Morte ("Deadland"). de Paulo Paulaskas

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