segunda-feira, 1 de junho de 2015

Luto e melancolia

Luto e melancolia
Em diversas culturas o luto é identificado pelas cores nas vestimentas das pessoas, como é o caso do preto no mundo cristão; o azul no Japão e o branco na China. A cor, além da tradição religiosa, funciona como um aviso de que aquela pessoa está enlutada, portanto, deve ser respeitado o seu luto. Em “luto e melancolia”, 1917, Freud dizia que às vezes o luto se faz impossível, daí, segundo ele, se instalar a melancolia que se manifesta por meio da suspensão do interesse do mundo, da perda da capacidade de amar e a inibição de toda atividade. No trabalho de luto o sujeito desliga-se paulatinamente do objeto perdido, mas na melancolia o efeito é contrário, pois ele se sente culpado pela morte ocorrida. Qualquer coisa pode se transformar num objeto enlutável digno de cerimônias religiosas, inclusive os animais vivenciam também os seus lutos. O luto era caracterizado pelos “sete dias” em que o sujeito evitava qualquer extravagância em respeito ao morto, mas hoje em dia não se vê eficácia nessa exigência religiosa. É importante se permitir ao trabalho de luto para fechar o ciclo e recomeçar a vida e o choro parece ser fundamental nesse processo...Luís Olímpio Ferraz Melo

White darkness, by Nacho Duato  CND Foto Fernando Marcos

Gabriel Picart_
Tela de Paul Fenniak, 2007
Tela de Paul Fenniak, 2007

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