sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Arte & Psicologia: Ensaio Fotográfico Sobre o Mar: "O Mar , o Amor e ...

Arte & ; Psicologia: Ensaio Fotográfico Sobre o Mar: "O Mar , o Amor e ...:

 Por Rosangela Brunet
Praia do Pontal-Rio de Janeiro



Olhando aquele mar esperava um milagre, e as trovoadas da razão encharcavam as estradas molhadas de sonhos esquecidos no caminho que deixara pra trás; e o brilho das estrelas colando a pele de esperança que evitava viver, perseguidas pelas surpresas rosadas raiando de amanhecer , chegando todos os dias de saudades cansadas, rasgando naturezas erradas, esperando anoitecer. Tudo que ela queria era ver de novo aqueles olhos na sua frente.Derretendo presença com fagulha brilhantes na sombra que passara.Tudo que ansiava era a certeza daquele doce coração escapando de um céu escuro atormentado e esperando a calma da manhã.Seria uma esperança deslizando destinos cadentes, surpreendendo o horizonte, paralisando o infinito, desvendando o inesperado, alinhavando algum rasgo imediato de sonho realizado.A cena era como um um teatro silencioso esperando o fim chegar, levando a agonia apontada pelas rotas perdidas e interrogações mal respondidas.Olhos vazios, vozes caladas, movimento perdidos, corpos perdidos e cenários vestidos.Modernas construções na frente dela anunciava o vazios de ausências ,sugestionando o término de mais uma estação que ela insistia em preservar. Abria pontos sem explicar, invulgar. Assistindo os fragmentos que ficaram para lembrar o invisível céu azul que se foi.Ondas agora se aproximavam bem devagar, e os pés que desistiram vagavam misturando-se com as sondas e sua força enfraquecida deixava ali,agora, sua história jamais ouvida. 
"Há mulheres que trazem o mar nos olhos.
Não pela cor. Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calmaria "
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in OBRA POÉTICA (Ed. Caminho, 2010)

  

Quem quer passar além do Bojador tem que passar além
da dor. Deus deu ao mar o perigo e o abismo , mas nele (também) é que espelhou o céu." Fernando Pessoa


O Cabo do Bojador era um cabo muito temido pelo desaparecimento de muitas embarcações. No contexto desse poema "além do bojador" significa ir além do que mais se teme, aquele que enfrenta o medo,e tem coragem. Naquela época, navegar no cabo bojador era morte na certa."Davi Chão






"Mas o mar está preso em correntes, e é preciso por ele lutar!Mas a terra foi escravizada, e é preciso por ela lutar!
Mas o amigo foi ludibriado, e é preciso por ele lutar!"(Vinícius de Moraes)


Ela foi encontrada! Quem? A eternidade. É o mar misturado Ao sol. Minha alma imortal, Cumpre a tua jura Seja o sol estival Ou a noite pura. Pois tu me liberas Das humanas quimeras,Dos anseios vãos !Tu voas então...— Jamais a esperança. Sem movimento. Ciência e paciência, O suplício é lento.Que venha a manhã,...Ela fo...i...... encontrada!Quem? A eternidade.É o mar misturado Ao sol." Arthur Rimbaud

"Sempre que entro em um táxi no Rio de Janeiro, o motorista me pergunta:— Vamos pela praia?Eu não questiono se o caminho será mais longo ou mais curto, digo sim.Não ligo meu GPS para acompanhar. Não avalio a rota, não procuro me mostrar íntimo das ruas para reduzir o valor da corrida.Automaticamente digo sim. Intuitivamente digo sim.(Sou ) desprovido de horizonte marítimo, não tenho como negar. Não tenho como me opor ao luxo libertino das águas.Acho que ninguém desfruta da coragem de recusar o convite de seguir pela orla. Nenhum turista enfrentará a tentação.
O taxista carioca se aproveita da paisagem. Ruma por Copacabana, ruma pela Barra, por onde as ondas quebram, por onde as ondas cochicham segredos e ostras.Ele pode estar me roubando, pode estar se valendo do meu total desconhecimento da cartografia.Azar, dou de ombros à pequeneza. Minha ânsia é pela vastidão da areia. Pela liberdade dos navios. Pelo voo rasante dos pássaros.Não há como recusar a praia. Mesmo que faça chuva, mesmo que as nuvens sequestrem o Cristo Redentor, mesmo que a neblina engula o Pão de Açúcar.
A maresia me seduz. O mar perdoa minha avareza.
Todas as casas correm para a praia. Todos os prédios do Rio de Janeiro desembocam na praia. A praia é o único acesso permitido ao devaneio.
Assim é o amor. Vou pela praia. Não me importo de chegar depois. Não reclamarei das dificuldades do trânsito, da lentidão dos motoristas, da bandeira 2, da taxa de bagagem.
Não ficarei reparando se gastarei mais do que possuo. Não ficarei controlando se serei enganado ou traído. O que não quero perder é o oceano me acenando. Não quero extraviar as grinaldas imaculadas da maré e as luzes se multiplicando na superfície azulada.
Não ficarei sofrendo com hipóteses, não me colocarei como refém do repuxo, vou pela praia.
Não ficarei me prevenindo da dor, sonegando promessas, evitando cobranças, tentando diminuir a expectativa de eternidade da relação. Não me enganarei com a bula, não usarei feridas antigas para me censurar.Vou pela praia. Aviso a minha mulher que nunca iremos nos separar. Assumo o risco: fé é amor entre duas pessoas, já ternura sozinha é melancolia.
Vou pela praia. Amar é ir pela praia. É dar uma volta imensa em nossa vida para nadar nos olhos do infinito."Fabrício Carpinejar
Antes não ia à praia por indolência e também porque lhe desagradava a multidão. Agora ia sem preguiça às cinco da manhã, quando o cheiro do mar ainda não usado a deixava tonta de alegria. Era a maresia, palavra feminina, mas para Lóri o cheiro maresia era masculino. Ia às cinco horas da manha porque era a hora da grande solidão do mar. Às vezes passava pela calçada um homem passeando o seu cachorro, só isso. Como explicar que o mar era o seu berço materno mas que o cheiro era todo masculino? Talvez se tratasse da fusão perfeita.
- Clarice Lispector em Aprendizagem ou o Livro dos prazeres


O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”, como se esquecimento fosse apenas memória fraca. Não é não.Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a areia da praia durante a noite.- Rubem Alves 


Os mares que me atravessam chegam cheios de paz , navegando calmaria trazendo milagres nas águas que me amanhecem. Eles deslizam delicadamente meu coração brilhando estrelas marinhas. Mas eu prefiro os mares atormentados pelas tempestades.Nesse eu navego mergulhando oceanos profundos.Largo a resistência e recuso qualquer submissão.
É a hora de ser livre da razão.Força motriz seduzindo a criação.E,nesse instante , as trovoadas encharcando minhas veias molhadas, cheias de sonhos esquecidos, abre-se um caminho na estrada que deixei para trás .
Sigo sem sentido brilhando estrelas que colam minha pele cheias de esperanças que eu evitava viver. E, perseguida de surpresas anoitecidas, meus horizontes vão raiando de amanhecer. E nessa estranha tempestade, rasgando minha natureza distorcida , o anoitecer que eu esperava adormece naquelas ondas; espumando beleza, errando as saídas , fugindo de mim pelas portas de emergências, pulsando as forças mais belas que me brotam eternas.
E,nessa presença os raios se derretem brilhantes, e nessa sombra que aparece se torna mais claro ainda que as marés me permanecem..Ali não anseio por certezas , pois se escapei de um céu escuro, atormentado de chãos anoitecidos, pra que evitar a dúvida ? Porque desejar o seguro?
Sei que sempre no meio das tormentas as esperança deslizam destinos, paralisa o infinito , desvenda o inesperado, alinhava o inevitável, rasga o imediato e realiza os sonhos mais esquecidos .É como um cena silenciosa esperando o fim do ato; levando embora a agonia que apontava para rotas perdidas, resolvendo interrogações mal respondidas , olhando os vazios, nominando as vozes caladas, movendo as energias perdidas e resgatando os futuros que se distanciaram de mim.Como construções anunciam as ausências sugestionando que terminou mais uma estação que eu insistia em preservar.Abrem-se pontos sem explicações , buscas vulgares se transformam em conforto .
E, nesses curso das águas, ali eu assisto calada os fragmentando dos revezes invisíveis que a noite escura me deixou.E , meus pés,que antes devagar desistiram e vagavam misturados pelas rotina das calmarias, agora escreve ali uma nova história jamais ouvida.
E , agora ando transbordando para desaguar nesses mares.E cá entre nós, haja mares para esse meu rio. Me livrando das molduras, renunciando as certezas, desinformando os conceitos , reeditando os pensamentos, rompendo meus limites, saindo dos enquadramentos equivocados. Me afastando das imposições desrespeitosas e, editando minha nova história . Liberdade e responsabilidade é meu chão de amor com um sonho na mão atravessando as estradas e isso abre janelas que nunca ousei imagina

Nenhum comentário:

Postar um comentário