A Principal Missão do Homem na vida, é Dar a luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente" ERICH FROMM

Por Rosangela Brunet
O arquétipo do Si-mesmo: AION. A origem deste nome é a palavra grega (éon) ou (era), e a intenção é fazer referência à era do cristianismo e ao desenvolvimento psíquico coletivo que o simbolismo cristão representa. Jung examina o simbolismo cristão, especialmente Cristo e o simbolismo do peixe tão intimamente associado a Cristo, como forma de obter uma visão mais clara do que ele chama de Si-mesmo, a imagem de Deus dentro da alma, a imagem arquetípica de totalidade e realização." Instituto C. G. Jung MG
Baseado no que  disse ERICH FROMM o homem tem como principal objetivo dar a luz a si mesmo, descobrir-se como ser.  Reconhecer os sentimentos ,sensações e percepções que fazem parte desta jornada em busca de si mesmo é impagável.Mas como disse Rodrigo Freitas dos Santos de São Gabriel /RS:
"Com frequência, quem sou eu senão aquela que aparece à frente do farol. Lançada por sobre o mundo das formas, e sobre as cabeças das pessoas, voltando contra eu próprio em manifestações de repressão e lapsos?...Com frequência, quem sou eu senão a escuridão das sombras? Sei que as outras sombras não me podem compreender, porque uma sombra só pode ser compreendida, jamais compreender"
O medo da não-existência é nosso castelo de horror.O maior pesadelo da humanidade é enfrentar cada cômodo deste lugar. Assistir cada registros de vida se desprendendo .Sentir a ruptura de ser sempre o mesmo.Se cindir de estar no mesmo caminho.Uma partida.Um novo olhar.
Obra de Poteet Victory
No ato de criação vou  dialogando comigo e me vejo  encharcada de encontros sinestésicos e eufemismos coloridos que absorveram meu ser em transformação. Assim ,então ,apresento meu diálogo neste processo de autoconhecimento e individuação: Sou leve e propício a voar,sair do chão ,me distanciar da realidade.Muitas vezes quero abandonar a razão.Sou cheia de energia.O que me impulsiona é a paixão.O enfrentamento do inferno.As sombras que reconheço em mim.Catarse desvelada.O Sonho navegando na ilusão ,enxergando o improvável, o impossível ,o inalcançável.É isso que me faz viver,me direciona e me liberta das regras cerradas e imposições sociais mascaradas de educação.É o instinto favorecendo a imagem, a pulsão á serviço da criatividade,sublime(ação) do sofrimento construindo a arte de viver.A fantasia me ajuda a criar. Escapar do sofrimento; da dor ou alguma pressão quando me atravessa se transforma é meu combustível.Elementos compostos de avanços que me sobressaltam e me fazem alcançar novos olhares. Levito sem pudor. Mola mestre dos meus revezes. Descubro ali novas viagens,enxergo novos horizontes, estendo meus limites, e desbravo novas terras para fora/dentro de mim.Essa odisseia é um encontro com ideias e universos.Vou em busca de mim num movimento rítmico de individuação.Música e poesia me arrastam nesse processo milagroso.Conectada em movimento. Integração. Meu espetáculo de vida.
Quando estou criando me movo com energia de me ser, uma magia de me fluir em forças diversas e improváveis saindo de mim. Sinto  um movimento de integração .Um processo se desenvolvendo em direção ao desconhecido, em busca da totalidade e não da perfeição.Vida fluindo. Adversidades , e eu me transformando diante dos cenários fascinante.Sou ordem e determinação em suaves e delicados pincéis de seda deslizantes.Então assim não me permito mais voltar ao plano que me limita.Liberdade de ser é meu horizonte.Energia móvel.Força motriz de um indivíduo que insiste em sonhar.Viver outros mundos saindo de um só horizonte.Ando em função da força dessa paixão.Carl Gustav Jung dizia: 
"Se compreendermos e sentirmos que nesta vida já temos um vínculo com o infinito, nosos desejos e nossas atitudes sofrem uma transformação. Numa análise final, só valemos alguma coisa por causa do essencial que personificamos, e se não personificarmos isso, a vida será desperdiçada"
Esse é o sangue que corre dentro de mim. A vida que tenho em minha veia é busca desse (Ser) .Não há horizonte que me limite.Vou em liberdade em direção ao que quero e me poupo do tédio de viver o que me anula.A minha indignação é o limite e as imposições que os opositores estabelecem, mas então eu incendeio e saio novamente para descobrir o que não entendo.Sou minha melhor companhia em dias de sofrimento.O que me rodeia de dor é o espaço que me sustenta em pé.E, é isso, que me diferencia dos que me querem colocar no chão.O contraditório do meu chão é ar, é o fogo da paixão que me levanta dentro de meu universo .Terra, ar, fogo e água.O equilíbrio esta no horizonte que alcanço em meus meus olhos, no fogo que me queima e na água que me submerge, e me faz renascer todos os dias.Preciso ver além nessa experiência de individuação, e nesse momento a experiência da razão é apenas uma parte da história, mas a intuição é onde me habito onde não me conheço, o desconhecido, o mar imerso,o inabitável, ,inalcançável, e o impronunciável é meu chão eterno.Ali me encontro com a Criação- Um Universo inalcançável.E nessa viagem vou me perdendo neste céu imensurável de não se sabe o que, atravessando desertos , avistando cenários de embarcações em mares jamais navegados.Aqui todos os elementos estão presentes numa consciência maior que eu chamo de Deus." Carl Gustav Jung disse uma vez: "Siga essa vontade e esse caminho que sua experiência confirma ser o seu próprio Eu ." E, na busca da verdade cito  André Silveira Sampaio
"O conceito de verdade não nasceu com a filosofia. É bem mais primal, entrelaçando-se com a própria gênese da linguagem e da cultura. Nomear, por si só, constitui ato que concede certa verdade às coisas do mundo. Porém, a filosofia traz a verdade para o foco das preocupações: de virtude a ser buscada, a critério do saber(...) Platão descreve, em sua alegoria da caverna, o confinamento dos homens ao mundo das aparências, onde acreditam serem as sombras imperfeitas, projetadas em uma parede, toda a realidade existente. Somente o sábio consegue aventurar-se no mundo exterior, o mundo das ideias, e, fora da caverna, vislumbra a verdade: as formas das quais, na visão do filósofo, a realidade só possui cópias imperfeitas. A verdade do mundo das ideias, na visão do ateniense, é forma e fôrma para o mundo sensível.A questão da verdade transita, tortuosamente, pelos séculos e pelos pensadores, até os dias atuais. "


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